Novo técnico do Athletico, Dorival Júnior, de 57 anos, acumula muitas histórias em quase duas décadas como treinador profissional. Dono de uma personalidade forte, o paulista de Araraquara já bateu de frente com diversos jogadores, inclusive com um jovem Neymar.

Para acertar com o Furacão, o treinador aceitou uma redução salarial importante em relação aos últimos times que comandou, como Santos, São Paulo e Flamengo. Ele também está animado com as condições de trabalho disponíveis no CT do Caju, com a possibilidade de conduzir a equipe na Libertadores de 2020 e com a chance de retomar a carreira depois de uma paralisação médica. Desde o final de 2018 ele estava fora do mercado.

Recuperado após operar um câncer de próstata em outubro de 2019, o treinador está pronto para um novo desafio na carreira. Ele chega a um clube estruturado, com a base do elenco que venceu a Copa do Brasil, e com expectativa de uma nova temporada bem-sucedida.

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“Com certeza o Athletico subiu de patamar e essa é uma preocupação grande que temos, acima de tudo, no sentido de que não podemos parar. O nível de exigência será um pouco maior que o ano anterior. Por isso, é muito importante que nós façamos o nosso melhor, conscientes da responsabilidade, porque muda de patamar, mas a essência do trabalho tem que continuar. Que todos continuem com o mesmo apetite para que a gente mantenha o nível de conquistas e de evolução. É para isso que vamos trabalhar e sabemos do tamanho da responsabilidade”, disse Dorival, em entrevista ao GloboEsporte.com.

Conquistas

Não há dúvidas que Dorival é um treinador vencedor. Seu principal título foi da Copa do Brasil, com o Santos, em 2010. Um ano antes, em 2009, ele levantou a taça da Série B com o Vasco. Em 2011, ganhou a Recopa Sul-Americana pelo Internacional e, no ano seguinte, um Gauchão.

A lista completa de conquistas estaduais é longa. No Figueirense, onde começou a carreira, ganhou o Catarinense, em 2004. Nos dois anos seguintes, venceu o Cearense, com o Fortaleza, e o Pernambucano, com o Sport. Também comemorou o Paranaense de 2009, pelo Coxa. Por fim, no Peixe, foram dois Paulistas: 2010 e 2016.

Jogou e comandou o rival

O meio-campo Dorival, que na época de atleta era conhecido apenas como Júnior, defendeu o Coritiba em 1988. Fez 23 jogos, entre setembro e dezembro, e não marcou gol, de acordo com o grupo Helênicos. Vinte anos depois, ele retornou ao clube, só que como técnico. Em uma temporada completa, venceu o Paranaense e deixou o time na nona colocação do Brasileirão.

Dorival Júnior comandou o Coritiba em 2008. Foto: Allan Costa Pinto/Arquivo

Discussão com Neymar

Em 2010, ainda no início de carreira, Neymar não gostou quando Dorival orientou que o atacante Marcel cobrasse um pênalti na partida contra o Atlético-GO, na Vila Belmiro, pelo Brasileirão. O atacante, então, xingou o treinador, que rebateu com mais palavrões e, mais tarde, prometeu barrá-lo da equipe. Só que a diretoria santista pendeu para o lado de Neymar e demitiu o comandante dias depois. O episódio ficou marcado também pela frase de René Simões, que era técnico do Dragão na época. “Estamos criando um monstro”.

Treta com Diego Alves

O goleiro Diego Alves, do Flamengo, também está na lista de tretas do técnico. Em novembro de 2018, arqueiro e treinador discutiram asperamente na frente do elenco durante um treinamento. O problema? Diego não aceitou perder a posição de titular para César e se recusou a viajar a Curitiba para uma partida contra o Paraná, pelo Brasileirão. Dorival ficou incomodado e cobrou o jogador em frente ao grupo. Ambos tiveram que ser contidos. O técnico deixou o clube ao fim da temporada, com o vice-campeonato brasileiro.

Problemas no São Paulo

Entre 2017 e 2018, o técnico dirigiu o São Paulo. Em menos de um ano de permanência, barrou três atletas: Cícero, Cueva e Jucilei. O peruano, aliás, foi chamado de ’mimado’ por Dorival. No fim das contas, os dois últimos ainda receberam novas chances na equipe após pedidos de desculpas.

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