A nova identidade do Athletico completa um ano neste dia 11 de dezembro. Na época, em meio a uma disputa da final da Sul-Americana, as mudanças dividiram grande parte da torcida. De um lado, os que gostaram do conceito e da ideia de internacionalização da marca. Do outro, os tradicionalistas, que não aceitavam mudanças de um clube de futebol quase centenário.

Com o tempo e os títulos de 2019, do Campeonato Paranaense, da Levain Cup, no Japão, e, principalmente, da Copa do Brasil, as alterações no nome, escudo e uniformes foram tornando-se comuns no dia a dia. Atualmente, poucos (ou quase nenhum) são os torcedores que ainda insistem em chamar o Athletico de Atlético e não abandonam a camisa rubro-negra com listras verticais.

“Foi uma estratégica para movimentar o clube na área de negócios. Se a gente pensar que toda a mudança de marca gera barulho, foi um ótimo negócio”, declarou Erich Beting, dono do site Máquina do Esporte e referências em assuntos relacionados a negócios no esporte e marketing esportivo, que lembra que o ano esportivo do Furacão também contribuiu para uma aceitação mais rápida destas mudanças por parte dos torcedores.

“O desempenho esportivo ajudou para que a mudança da marca tenha sido mais bem aceita. Mas toda mudança de marca tira as pessoas da zona de conforto, é chocante, ainda mais do jeito que foi. Foi uma mudança forte e significativa. Mas posso dizer que foi um ‘case de sucesso’, principalmente na questão do nome. O ‘H’ trouxe mais identidade ao Athletico, porque Atlético tem várias, mas com H só um”, completou Beting.

O jornalista especializado no ramo de negócios no esporte do site GloboEsporte.com e dos canais SporTV, Rodrigo Capelo, diverge e acredita que o grande resultado, que refletiu em títulos e ótima campanha no Brasileirão, está relacionado ao sistema interno adotado pelo clube, com investimentos nas categorias de base, infraestrutura e planejamento a longo prazo. Para ele, esta é a grande marca do clube paranaense.

“O Athletico está mostrando ao país que dá pra ter bons resultados, com menos dinheiro. E esta é a grande marca do Athletico. Isso é o que mais chama a atenção para mim e para pessoas de fora. A mudança no nome passa a ser um fator secundário. Suponho que se o escudo e o nome ainda fossem os anteriores, o Athletico estaria chamando a atenção da mesma maneira”, afirmou o especialista.

Apesar disso, Capelo acredita que o Athletico pode ser exemplo para outros clubes do Brasil, que ainda insistem em se manterem conservadores.

“(O Athletico) É exemplo para o resto do país, ele tem quebrado algumas tradicionalidades e tocado em assuntos que, provavelmente, em outros clubes geraria uma gritaria generalizada. Os clubes no Brasil realmente são conservadores. O Athletico tem ido na contramão e tem se dado bem com isso. E é para todo mundo olhar com carinho, sem dúvidas”, completou.

Mascotes

Há um ano, o clube também lançou a “Família Furacão”, que conta com um pai, uma mãe, filho, filha e um cachorro. Deles, apenas o cachorro funcionou em termos de representatividade do clube, que antigamente tinha como mascote o Cartola.

O Fura-cão, como é chamado, caiu nas graças da torcida depois de uma grande investida de marketing e, atualmente, é o “influencer” principal na divulgação de campanhas, promoções e tudo que o clube produz. O mascote já virou até pelúcia, estampa produtos do clube e é febre entre as crianças.

Mas Fura-cão, no entanto, ainda segue dividindo opiniões da torcida atleticana. Recentemente, uma faixa com a imagem do cachorro teria sido roubada na saída da Arena da Baixada e o dono do material foi agredido. A motivação pode ter sido por divergências na aceitação do novo mascote do clube. A situação está em investigação da Delegacia Móvel de Atendimentos ao Futebol e Eventos (Demafe).

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