O técnico Rogério Ceni esteve muito próximo de acertar com o Athletico. Internamente, o clube dava como certeza o desfecho positivo, mas, no último sábado (14), o treinador acabou renovando com o Fortaleza. Uma reviravolta após discussões delicadas, centenas de mensagens por WhatsApp e um desacerto, especialmente, sobre o formato do contrato do treinador.

Ceni já era. Segue no Ceará e o Rubro-Negro volta ao mercado de treinadores. E enquanto o substituto de Tiago Nunes não desembarca no CT do Caju (passando pela imigração?), conheça os bastidores da quase vinda do ex-goleiro e mito são-paulino para a Baixada.

Negociação via zap

Fechado o Brasileirão, Ceni se mandou, junto com diversos outros técnicos, para Teresópolis. O objetivo: participar de mais um curso para treinadores promovido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no bunker da seleção brasileira na região serrana do Rio de Janeiro. Imersão no mundo das pranchetas que complicou a negociação com o Athletico. Sem ter pisado em Curitiba em momento algum, o técnico, agentes e cartolas atleticanos trataram, basicamente, pelo celular e, especialmente, via WhatsApp.

Salário? Fechado.

Ponto sempre fundamental no acerto com qualquer profissional, o salário não foi problema entre o Furacão e Rogério Ceni. O ex-arqueiro topou o encaixe dentro do patamar salarial do clube, de vencimentos na faixa dos R$ 400 mil, incluindo a comissão técnica. Tiago Nunes deixou o CT do Caju com ganhos mensais na casa de R$ 200 mil.

Projeto? Estou dentro

O Athletico apresentou seu projeto, de longo prazo, para Ceni. Em linhas gerais: forte aproveitamento das categorias de base, fidelidade ao estilo de jogo implementado em todas as categorias, parcimônia e gastos limitados com contratações, intercâmbio permanente com o departamento de análise de desempenho etc. O técnico prometeu se integrar.

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Montagem do elenco

Furacão e Ceni já discutiam nomes em potencial para a renovação do elenco para 2020, que promete ser profunda, como costuma fazer Mario Celso Petraglia sempre que o clube alcança conquistas. Foi quando as divergências começaram a aparecer. Foi ficando claro que o técnico não teria a autonomia desejada para selecionar as contratações. Na Baixada, os treinadores trabalham com o elenco que o clube lhes oferece. Ceni queria mais. O Athletico, menos.

Multa contratual: o enrosco fatal

O principal desacerto entre o clube e o profissional, entretanto, deu-se na discussão da multa para o rompimento de contrato. Não houve consenso sobre a duração do vínculo e valores em caso de distrato. Um balanço sensível capaz de atender aos planos dos dois.

O Furacão queria ficar protegido contra uma saída extemporânea, algo como o que ocorreu com Tiago Nunes, que se mandou para o Corinthians. O ‘escudo‘, entretanto, não pode ser tão forte ao ponto de o clube não poder demitir seu treinador. Petraglia é um dos cartolas que mais demite técnicos no país.

A situação de Ceni era parecida. O técnico queria a garantia de que não seria mandado para a rua a qualquer momento. Ao mesmo tempo, a multa rescisória não poderia inviabilizar um aceno de outro clube, como o São Paulo, por exemplo. Ponto importante que afastou, definitivamente, o técnico da Baixada.

Autonomia no Leão

Por fim, pesou ainda a proposta do Fortaleza, claro. Na renovação de contrato, o clube cearense pôs na mesa um salário na mesma faixa do oferecido pelo Furacão. E mais: autonomia total nas contratações. Não bastasse, no tempo à frente da representação nordestina, Rogério levantou taças e é ídolo da massa torcedora. Renovado com o Leão, o ex-goleiro está em casa.