Deltan Dallagnol (Novo) foi eleito para ocupar uma das cadeiras do Senado pelo Paraná. A segunda vaga ficou com Filipe Barros (PL). As definições aconteceram nas eleições deste domingo (4). Esta é a primeira vez que Dallagnol se candidata ao cargo. Ele faz parte da coligação “Fortaleza do Paraná”, formada pelos partidos PL, Novo e Podemos.
A campanha eleitoral de Dallagnol foi marcada por vários entraves na Justiça. Inicialmente, existia dúvida sobre se ele poderia ser candidato, já que em 2023 o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o seu mandato de deputado federal. Após julgamentos, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) deferiu o registro de sua candidatura ao cargo de senador nas eleições de 2026.
Contudo, o restante da campanha foi marcado por novas decisões de suspensão do TSE. Em setembro, uma decisão proibiu que Dallagnol fizesse campanha em meios de comunicação e nas redes sociais, o que o impediu de apresentar o próprio número de votação. No entanto, o nome nas urnas continuou válido.
Neste ano, os eleitores votaram em dois candidatos ao Senado. No total, a Casa Legislativa possui 81 cadeiras (cada estado conta com três representantes, com mandato de oito anos). A composição do Senado é renovada a cada quatro anos — em 2022, foi renovado um terço dos senadores; em 2026, renovam-se dois terços. As cadeiras escolhidas nesta eleição só serão renovadas em 2034, fechando o ciclo do mandato.
Quem é Deltan Dallagnol
Natural de Pato Branco, no interior do Paraná, e formado em Direito, Dallagnol construiu sua trajetória profissional como procurador da República no Ministério Público Federal (MPF), onde coordenou a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba.
Na carreira política, foi eleito deputado federal em 2022 pelo Paraná, sendo o candidato mais votado do estado com 344.917 votos, mandato que exerceu até 2023, quando teve o mandato cassado.
Na ocasião, o TSE votou pela inelegibilidade de Dallagnol por entender que ele havia se candidatado ao cargo de deputado federal para evitar responder a possíveis Processos Administrativos Disciplinares (PADs) referentes ao cargo de procurador do Ministério Público Federal (MPF). Na época, havia 15 processos administrativos pendentes contra ele que poderiam vir a se tornar PADs — o que não aconteceu. No entendimento do TSE, Dallagnol estaria esbarrando na Lei da Ficha Limpa.
Na argumentação para as eleições de 2026, a defesa dele afirmou que a decisão do TSE não deveria ser considerada válida para estas eleições, ficando restrita ao período eleitoral de 2022.
