Alvo de uma operação recente da Polícia Federal, o empresário João Carlos Ribeiro (PSC) foi às redes sociais no sábado (24) para dizer que a sua candidatura à prefeitura de Pontal do Paraná está mantida. “A despeito de notícias falsas veiculadas nacionalmente, estamos firmes aqui na nossa campanha. Não vamos desistir nunca em favor do crescimento de Pontal do Paraná e em favor da sua população”, afirmou ele, em um vídeo divulgado nas suas redes sociais e no qual aparece ao lado do seu candidato a vice, o servidor público municipal Oséias Leal, do PV.

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No dia anterior, sexta-feira (23), pessoas ligadas à campanha do empresário garantiram que ele havia desistido da disputa para “se dedicar à sua defesa” na esfera judicial. Já a assessoria de imprensa do candidato se limitou a informar, também na sexta-feira (23), que o empresário estava reunido com correligionários para tratar do impacto da operação da PF e que ainda não havia uma posição sobre o tema. O empresário do PSC encabeça a coligação “A Pontal que nós queremos”, sustentada pelo PV, PSC, Republicanos, PP, PSB, Pros e PODE.

“João”, nome que adotou para a urna, está à frente de um projeto de um novo porto no litoral paranaense, em Pontal do Paraná. Mas a operação da PF deflagrada no último dia 21 acabou revelando que a obtenção de uma das licenças para viabilizar a construção do porto, do Ibama, está sendo investigada no âmbito de um inquérito que tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF), e também envolve o senador Fernando Collor de Mello (Pros-AL). Naquele dia, a PF cumpriu 12 mandados de busca e apreensão e informou que houve o bloqueio de valores financeiros de investigados. A operação foi batizada de “O Quinto Ato” e é tratada pela PF como um desdobramento da Operação Politéia, de 2015.

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A construção do porto também já era polêmica em função da Faixa de Infraestrutura, uma obra que o governo do Paraná tenta tirar do papel para facilitar a chegada de caminhões ao futuro porto. A Faixa de Infraestrutura é um conjunto de obras cujo eixo central é uma rodovia de pista dupla de 24 quilômetros, que ficaria paralela à PR-412. Mas organizações não governamentais e também o Ministério Público do Estado do Paraná (MP-PR) e o Ministério Público Federal (MPF) sustentam que a obra traz um impacto negativo para o meio ambiente – implicaria na supressão de 300 hectares de Mata Atlântica, por exemplo – e também para as comunidades que vivem na região.

No plano de governo protocolado por João Carlos Ribeiro na Justiça Eleitoral, um dos compromissos é “dar suporte para implementação da Faixa de Infraestrutura de Pontal do Paraná (PR-809)”. O empresário afirma que tenta implantar o porto desde 2006, quando adquiriu a sociedade empresarial Porto Pontal Paraná Importação e Exportação SA.

Filhos já doaram R$ 180 mil para campanha

Com 79 anos de idade, João já tinha ganhado holofotes recentemente, antes da operação da PF, em função do tamanho do seu patrimônio. Ao TSE, ele declarou ter mais de R$ 1,5 bilhão (R$ 1.553.325.556,22) em bens. Durante a campanha eleitoral, chegou a anunciar que abriria mão dos salários do prefeito de Pontal, em caso de vitória nas urnas.

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Nesta sexta-feira (23), ele já havia informado ao TSE uma receita de R$ 180 mil para a campanha eleitoral. A quantia foi doada por filhos dele, Maria Amalia Ribeiro, Fernanda de Siqueira Ribeiro e João Guilherme Reichmann Ribeiro. Eles doaram R$ 60 mil, cada um. O limite legal de gastos de um candidato a prefeito em Pontal é de R$ 213.480,27.

Outros sete candidatos estão na disputa pela cadeira de prefeito de Pontal do Paraná. São eles: Alfredo Parodi (PSDB), Delegado Lucio Lugli (PMN), Edgar Rossi (PSD), Josias Milani (PTC), Mauri Zampieri (PSL), Professora Tati (PT) e Rudão Gimenes (MDB).