O debate que ninguém achava que ia acontecer: Moro, Sandro e Requião cara a cara na reta final

Os candidatos ao governo do Paraná Sandro Alex (PSD), Requião Filho (PDT) e Serio Moro (PL). Foto: Montagem sobre fotos de Eduardo Matysiak, Marcos Oliveira/Agência Senado, Divulgação PSD
Os candidatos ao governo do Paraná Sandro Alex (PSD), Requião Filho (PDT) e Serio Moro (PL). Foto: Montagem sobre fotos de Eduardo Matysiak, Marcos Oliveira/Agência Senado, Divulgação PSD

Sergio Moro, Sandro Alex e Requião Filho finalmente estarão no mesmo estúdio nesta terça-feira. O debate da RPC será o último antes da eleição e o primeiro televisionado desta campanha com a participação de Moro. O encontro acontece justamente quando pesquisas diferentes apresentam distâncias diferentes entre os três. Sandro e Requião disputam a segunda colocação enquanto Moro chega como líder dos levantamentos divulgados até aqui.

Depois desta noite restarão quatro dias completos de campanha. Tempo de sobra para um bom corte atravessar as redes. Para um corte ruim, curiosamente, também.

Big Data: desta vez, Sandro em segundo

A terça-feira nem havia esquentado e outra pesquisa já tratou de mudar novamente o desenho da disputa pelo governo do Paraná. A Real Time Big Data* colocou Sergio Moro com 36%, Sandro Alex com 28% e Requião Filho com 23%. Desta vez, portanto, Sandro aparece numericamente em segundo.

Ontem, o Paraná Pesquisas** mostrava Requião com 23,6% e Sandro com 21,5%, atrás de Moro, que tinha 46,2%.

E o dia está apenas começando. Veritá, Ágili e Índice também têm levantamentos previstos para esta terça, dentro de uma sequência de 14 pesquisas registradas para a última semana.

Pesquisa não está faltando. O que continua difícil de encontrar é uma eleição que caiba igualmente em todas elas.

Briga à distância

Deltan Dallagnol conseguiu entrar até numa briga da qual estava longe. Foi numa reclamação ao STF nascida de uma decisão do TRE do Paraná envolvendo sua inelegibilidade que Flávio Dino encontrou o caminho processual para derrubar uma ordem de André Mendonça, no TSE, envolvendo a campanha de Flávio Bolsonaro.

Na noite de segunda-feira, Luiz Fux entrou na roda, suspendeu a decisão de Dino e restabeleceu a de Mendonça. Mendonça decidiu, Dino desfez e Fux desfez o que Dino havia desfeito. A cinco dias da votação, o Supremo parece ter descoberto uma campanha própria: cada ministro entra em cena com sua interpretação, sua caneta e, pelo visto, seu próprio Supremo.

Deltan não pediu, não participou e nem precisava estar por perto. Seu caso estava.

Dinheiro em trânsito

A Polícia Federal foi atrás de um dinheiro que circulava bem mais do que muito caminhão. A Operação Fratres, deflagrada em Guaíra com apoio da Receita Federal, investiga uma organização transnacional suspeita de lavar recursos provenientes do tráfico de drogas e armas entre Paraguai, Bolívia e o Brasil.

Análises financeiras, patrimoniais e fiscais identificaram movimentações superiores a R$ 89,79 milhões desde 2019. Segundo a PF, entravam no circuito empresas de fachada, negócios simulados com imóveis e veículos e operações de transporte e logística. Foram cumpridos cinco mandados de busca e dois de prisão preventiva, além do bloqueio de patrimônio.

Na fronteira, descobrir por onde entra a mercadoria é trabalho antigo. Seguir por onde passeia o dinheiro costuma dar mais serviço.

Neutro, só o nome

O Tribunal de Justiça do Paraná derrubou a lei de Londrina que proibia o uso da chamada linguagem neutra em escolas e concursos públicos municipais. O Órgão Especial considerou a norma inconstitucional ao julgar ação apresentada pelo Ministério Público do Paraná. A autora da proposta discorda da decisão.

A discussão sobre linguagem neutra, portanto, continua tudo, menos neutra. Em Londrina, saiu da gramática, virou lei, foi parar no Judiciário e agora volta para a política. Neutro mesmo, só o nome.

Julgamento na Câmara

Maringá terá nesta terça-feira uma eleição sem urna. A Câmara foi convocada para decidir o processo contra a vereadora Professora Ana Lúcia. A Comissão Processante analisou denúncia de suposto assédio moral e recomendou a improcedência das acusações. O relatório foi acompanhado pelos três integrantes da comissão, mas quem dá a palavra final é o plenário. A sessão extraordinária está marcada para 11h45.

A cinco dias de o eleitor julgar os políticos, em Maringá os políticos começam o dia julgando uma deles.

Ônibus até a urna

Ponta Grossa resolveu retirar uma despesa do caminho de quem pretende votar no domingo. O transporte coletivo será gratuito das 7 às 19 horas em todas as linhas e terminais da cidade, conforme prevê a legislação municipal. Os horários serão os mesmos praticados aos domingos.

Em uma eleição na qual as campanhas passam os últimos dias discutindo como levar seus eleitores às urnas, a prefeitura resolveu cuidar da parte literal da questão. Pelo menos a passagem não será desculpa para ficar em casa.

Dinheiro com endereço

O Tribunal de Contas está percorrendo o Paraná para apresentar as novas regras de fiscalização das transferências voluntárias de recursos públicos. A Resolução 140/2026 mexe justamente numa área em que o dinheiro sai de um ente público e precisa chegar a outro destino com planejamento, prestação de informações e possibilidade de rastreamento. Prefeituras, Estado e entidades que recebem recursos entram no alcance da norma. Transferir dinheiro público continuará permitido, naturalmente.

O TCE apenas resolveu tornar mais difícil aquela velha modalidade administrativa em que o dinheiro sai sabendo de onde veio e chega fingindo que esqueceu.

Fecharam a porteira

Ricardo Salles ficou famoso nacionalmente quando sugeriu aproveitar a pandemia para “ir passando a boiada”. Seis anos depois, foi a porteira eleitoral que se fechou. Salles desistiu da disputa pelo Senado em São Paulo e anunciou apoio a Guilherme Derrite e André do Prado. Derrite exige pouco contorcionismo. Prado exige memória curta. Em julho, Salles dizia que ele não era, nunca havia sido e nunca seria candidato de direita, além de classificá-lo como representante do Centrão ligado a Valdemar Costa Neto. Agora pede votos para ele.

A justificativa para a desistência é evitar a divisão da direita. A menos solene é que, desta vez, faltou eleitor disposto a entrar no pasto.

Trump não soltava

Cinco britânicos foram presos depois de uma movimentação suspeita perto da RAF Fairford, base aérea britânica utilizada pelas forças americanas. A polícia investiga eventual participação de um Estado estrangeiro, soltou os cinco sob fiança e manteve o caso aberto. Marco Rubio afirmou haver sinais de envolvimento externo, sem apresentar publicamente as provas, enquanto Donald Trump sugeriu uma possível conexão iraniana.

Até aí, geopolítica. Trump resolveu acrescentar direito processual britânico à pauta: disse que não teria soltado os suspeitos. Fairford fica na Inglaterra, os presos são britânicos e quem decidiu foi a polícia britânica.

Trump já tem uma guerra para administrar. Pelo visto, encontrou tempo para tirar plantão na delegacia dos outros também.

*Metodologia: 1.600 entrevistados pelo Real Time Big Data de 24 a 28 de setembro de 2026. A pesquisa foi contratada por TV Independência Ltda. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº PR-04181/2026.

**Metodologia: 1.280 entrevistados pelo Paraná Pesquisas de 25 a 27 se setembro de 2026. A pesquisa foi contratada pela Sedek Serviços, Tecnologia & Informação LTDA . Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,8 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº PR-02701/2026.

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