“Home office” do tráfico: chefe do crime no Litoral paranaense comandava seu império à distância

O Gaeco denunciou 15 pessoas numa investigação sobre organização ligada ao tráfico no Litoral paranaense. Foto: Pixabay
O Gaeco denunciou 15 pessoas numa investigação sobre organização ligada ao tráfico no Litoral paranaense. Foto: Pixabay

O Gaeco denunciou 15 pessoas numa investigação sobre organização ligada ao tráfico no Litoral. O homem apontado como chefe do grupo foi localizado no Espírito Santo e figurava entre os foragidos mais procurados do país. A investigação alcança ainda documentos falsos que teriam sido produzidos com auxílio de uma então escrevente de cartório no Maranhão. Negócio no Litoral, comando no Espírito Santo e papelada no Maranhão. O crime organizado também descobriu o trabalho remoto.

CENSURADO, MAS NO AR

Deltan Dallagnol encontrou uma maneira bastante eleitoral de conviver com a ordem que o impede de fazer campanha. Apareceu ontem no horário do partido como “censurado”, explicou que não podia pedir voto para si e pediu voto para Filipe Barros. Continua candidato, estará na urna e tem registro deferido pelo TRE, enquanto o recurso aguarda julgamento no TSE e seus atos de campanha permanecem suspensos. O Paraná pode conhecer domingo quantos votos Deltan tem antes de saber definitivamente o que a Justiça fará com eles.

A LISTA DOS 13

Treze candidatos paranaenses aparecem no cadastro do TCE-PR de agentes públicos com contas julgadas irregulares, segundo levantamento publicado pela Tribuna. A presença na relação não torna ninguém automaticamente inelegível, porque essa decisão cabe à Justiça Eleitoral. A ressalva jurídica é indispensável. A coincidência eleitoral também é interessante: a três dias da votação, há candidatos tentando entrar na lista dos eleitos enquanto seus nomes já frequentam outra lista, esta guardada pelo Tribunal de Contas.

MENOS NA CONTA

Começa a valer hoje a redução de 25% na tarifa mínima da Sanepar para os primeiros cinco metros cúbicos. O impacto final varia conforme a categoria do imóvel e a cobrança de esgoto, portanto não significa desconto de 25% na conta inteira. Ainda assim, em semana eleitoral há uma qualidade bastante apreciável nessa notícia: o verbo principal não está no futuro.

A FRONTEIRA NA PALMA

A Receita Federal começou a testar identificação biométrica pela palma da mão na Ponte da Amizade. Num corredor atravessado diariamente por trabalhadores, estudantes, turistas e compradores, não é apenas curiosidade tecnológica. Se combinar segurança e rapidez, poderá mexer na rotina de milhares de pessoas. Na Ponte, porém, qualquer inovação enfrenta uma banca examinadora que laboratório nenhum consegue reproduzir direito: a fila.

O DESVIO É BEM MAIOR

Um trecho da marginal da BR-277 em Foz fica bloqueado a partir de hoje para a construção do acesso ao novo Porto Seco. Para quem passa por ali, são alguns dias de desvio. Para o Paraná, é outra história. O acesso integra a reorganização da estrutura que recebe as cargas da fronteira com o Paraguai e desemboca num dos principais corredores logísticos do Estado. Às vezes uma obra enorme começa parecendo apenas uma placa mandando virar à direita.

A TV DESLIGA

Termina hoje a propaganda eleitoral gratuita do primeiro turno. Para governador, fecha-se um dos grandes palcos da campanha. Para deputado, começa o aperto definitivo: nome, número, prefeito, vereador, WhatsApp, família, vizinho e memória. É a hora em que a eleição que existe dentro do celular precisa encontrar aquela que domingo será resolvida no teclado da urna.

VACINA AOS 85

O Paraná começa a oferecer a pneumo 20 aos idosos com 85 anos ou mais, ampliando a proteção contra sorotipos do pneumococo associados a pneumonia, meningite e outras infecções graves. Não tem pesquisa, bate-boca nem pedido de voto. Tem uma qualidade menos barulhenta: pode evitar internação.

O TSE RESOLVEU NO TSE

André Mendonça mandou retirar publicações sobre Nossa Senhora Aparecida, Dino suspendeu Mendonça, Fux suspendeu Dino e o TSE finalmente julgou o TSE. O tribunal preservou a retirada do conteúdo considerado falso, mas estabeleceu limites para não jogar crítica política no mesmo balaio. No fim, aconteceu o que poderia ter acontecido antes de toda a confusão: o colegiado eleitoral discutiu uma decisão da própria Justiça Eleitoral. A passagem de Dino pelo caso produziu mais barulho institucional do que solução jurídica.

O IMPERADOR E OS COLEGAS

A temperatura entre os ministros subiu mais um andar. Gilmar Mendes chamou Kassio Nunes Marques de “imperador”, segundo a Folha, no meio da disputa sobre a condução da propaganda eleitoral no TSE. Há ainda um pedido para que Dino afaste Kassio e André Mendonça dessas ações, enquanto o TSE nega represamento e informa já ter analisado mais de 200 representações. O Supremo chegou a uma fase curiosa: além de administrar as crises do país, seus ministros estão ocupados administrando uns aos outros.

A VISTA E A VOLTA

E Dino continua no roteiro. Seu pedido de vista interrompeu o julgamento relacionado a Alexandre de Moraes e ao caso Master, mas o tempo pode alterar a própria composição prática daquele julgamento. Kassio havia relacionado seu impedimento à presidência do TSE e à proximidade das eleições. Depois do pleito, a circunstância muda e ele poderá reconsiderar sua participação. Não sabemos se fará isso. Mas a ironia já está pronta: Dino pediu tempo e o tempo pode devolver ao julgamento um ministro que estava fora.

O DINHEIRO E O DESTINO

Uma apuração divulgada hoje pelo UOL rastreou emendas de Flávio Bolsonaro e encontrou recursos que terminaram em empresas investigadas pela Polícia Federal e numa entidade considerada “inexistente de fato” pela Receita Federal e investigada pelo TCE-RJ. Flávio afirma que indica os beneficiários das emendas, mas não escolhe as empresas posteriormente contratadas por eles. A distinção é importante, inclusive porque investigação não é condenação.

Mas há uma velha pergunta que atravessa o orçamento público independentemente de quem esteja na campanha: depois que o parlamentar manda o dinheiro, alguém precisa acompanhar onde ele foi parar.

DINO GANHA OUTRA BRIGA

A campanha de Flávio Bolsonaro pediu a Edson Fachin que afaste Flávio Dino de processos relacionados a Lula, à eleição presidencial e ao próprio candidato do PL, alegando suspeição por suposta amizade íntima entre Dino e o presidente. É pedido da defesa, ainda sem decisão, e não fato estabelecido sobre a imparcialidade do ministro.

O curioso é a velocidade com que Dino passou de personagem de uma controvérsia sobre Nossa Senhora para personagem de outra sobre quem pode julgar quem. O Supremo está conseguindo produzir processos sobre os próprios processos.

O BRASIL ENTROU NA BRIGA DAS TERRAS RARAS

Dentro do governo Trump há uma disputa que interessa diretamente ao Brasil. De um lado, integrantes mais ideológicos interessados na eleição brasileira. De outro, a ala que olha para as reservas brasileiras de terras raras e prefere que a política não atrapalhe os negócios estratégicos. Os Estados Unidos querem diminuir a dependência da China desses minerais essenciais à indústria tecnológica, energética e militar, e o Brasil aparece como fornecedor importante.

É uma boa tradução da diplomacia quando ela encontra a geologia: governos podem escolher seus amigos, mas não conseguem escolher onde a natureza resolveu guardar os minerais.

A eleição brasileira passa. As terras raras ficam debaixo da terra.

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