Sergio Moro pretende reduzir de 24 para cerca de 20 secretarias, mas ainda não revelou quais poderão ser extintas ou unificadas. Sempre que se fala em enxugamento da máquina pública, áreas como Turismo, Cultura, Esporte e Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa costumam aparecer nas conversas sobre possíveis fusões. Isso não significa que estejam na lista de Moro. No Paraná, essas pastas ganharam importância e projeção na gestão Ratinho Junior, com programas, investimentos e resultados que merecem continuidade. O futuro governador poderá escolher a tesoura de Flávio Bolsonaro ou a motosserra de Javier Milei, mas convém distinguir economia de enfraquecimento.
Afinal, mudar o organograma é uma coisa. Reduzir a presença dessas políticas na vida dos paranaenses é outra bem diferente.
FÉRIAS DAS INDICAÇÕES
Depois de uma campanha exaustiva, Sergio Moro foi descansar com a família na França. Merecidamente. Mas, pelo sarrafo que ele próprio estabeleceu para escolher seus secretários, talvez o maior descanso seja mesmo ficar alguns dias longe das pressões políticas. Até agora, apenas duas futuras secretárias foram anunciadas, e o governador eleito promete privilegiar nomes técnicos. Tem tempo para isso. O problema é que, na política, nem sempre o currículo que atende às exigências do governante coincide com as pretensões de quem espera uma indicação.
Moro deve voltar na próxima semana. E talvez descubra que o mais difícil não seja encontrar gente qualificada, mas convencer alguns políticos de que não são indispensáveis.
A CANETA AINDA TEM TINTA
A eleição de Sergio Moro não encerrou as movimentações de Ratinho Junior no Palácio Iguaçu. Dois decretos publicados no Diário Oficial de 30 de outubro formalizaram a exoneração de Luis Guilherme de Castro da Secretaria da Justiça e Cidadania e a nomeação de Bihl Zanetti, ex-prefeito de Campina Grande do Sul e ex-diretor da Sanepar. A troca passou a valer em 1º de novembro, quando faltavam apenas dois meses para o encerramento do mandato. A movimentação também demonstra que o governador mantém sua capacidade de reorganizar espaços na administração até o último dia.
Afinal, as urnas já escolheram quem assumirá o Palácio Iguaçu, mas a caneta continua nas mãos de quem ainda ocupa o gabinete.
O PRÉ-NATAL PASSOU NA CÂMARA
O deputado federal reeleito Beto Preto (PSD), que comandou a Saúde do Paraná, conseguiu aprovar na Câmara um projeto de sua autoria que prevê pelo menos duas ultrassonografias morfológicas durante a gestação pelo SUS. O exame permite identificar precocemente alterações no desenvolvimento do bebê e orientar os cuidados médicos. A proposta leva ao Congresso uma experiência adotada nos 399 municípios paranaenses, com investimento estadual de aproximadamente R$ 15 milhões anuais. O texto, aperfeiçoado pela deputada Laura Carneiro, segue para o Senado. A aprovação representa um avanço importante, mas a transformação da proposta em lei e sua aplicação em todo o país ainda dependerão das próximas etapas. É o tipo de política pública cujo resultado interessa muito mais às gestantes do que às disputas partidárias.
A SOMA NÃO CONCLUI OBRA
Cascavel ganhou manchetes com R$ 369,3 milhões em investimentos estaduais desde 2019. O número impressiona, mas a divisão da conta revela uma realidade diferente: R$ 166,4 milhões correspondem a obras concluídas, R$ 106,7 milhões estão em execução e outros R$ 96,2 milhões ainda dependem de licitações. Menos da metade, portanto, chegou à condição de entrega concluída. O levantamento atravessa diferentes administrações, mas cabe ao prefeito Renato Silva explicar o andamento atual e os prazos. O recém-chegado secretário de Comunicação, Cleberson Belino, poderia começar apresentando aos cascavelenses um cronograma claro dos investimentos pendentes.
Porque divulgar a soma é fácil. Explicar quando cada obra ficará pronta exige um pouco mais do que uma boa manchete.
75 A ZERO NÃO PRENDE BANDIDO
O Senado aprovou por unanimidade a PEC da Segurança Pública, com 73 votos no primeiro turno e 75 no segundo. A proposta do governo Lula amplia a integração entre União, estados e municípios e fortalece os mecanismos de enfrentamento ao crime organizado. A redução da maioridade penal ficou para uma discussão separada. No Paraná, Sergio Moro, que fez da segurança uma das principais bandeiras de sua trajetória, encontrará uma nova estrutura institucional e terá de estabelecer relações de cooperação com o governo federal.
A unanimidade no Senado demonstra a amplitude do acordo político, mas sua eficácia dependerá da aplicação das medidas. Afinal, facção criminosa não se intimida com placar de votação.
O PARDAL VIU DEMAIS
O aplicativo Pardal recebeu 4.429 denúncias de possíveis irregularidades eleitorais no Paraná, crescimento de 31,46% em relação a 2022. Curitiba liderou com 1.415 registros, seguida por Londrina e Ponta Grossa. A maior parte das ocorrências envolveu propaganda eleitoral e campanhas para deputado estadual e federal. Evidentemente, denúncia não significa irregularidade comprovada, mas os números mostram que o eleitor anda mais disposto a fiscalizar aquilo que acontece durante as campanhas.
Os candidatos descobriram que a presença nas ruas e nas redes sociais também pode ser acompanhada de perto pela Justiça Eleitoral. O Pardal não vota, mas anda bastante atento ao que os candidatos fazem para conseguir votos.
A CONTA DO TORNADO
O Simepar confirmou que Maringá foi atingida por um tornado F2, com ventos entre 180 e 250 quilômetros por hora. A classificação explica a violência dos estragos, mas também amplia a preocupação com a capacidade de prevenção e resposta das cidades. Alexandre Curi anunciou que a Assembleia destinará mais de R$ 6 milhões para auxiliar Maringá, Marquinho e Laranjal, municípios afetados pelos temporais. A iniciativa reúne deputados de diferentes partidos e representa apoio importante à reconstrução. O desafio agora será fazer com que os recursos cheguem às necessidades concretas da população.
Em situações como essa, a solidariedade aproxima os políticos, mas o resultado precisa aparecer nas ruas, nas escolas e nas casas atingidas.
DEU ZEBRA!
A audiência convocada por Luiz Fux no Supremo revelou o tamanho da dependência financeira do futebol brasileiro em relação às bets. O Flamengo calcula perder até R$ 430 milhões anuais com a proibição, enquanto outros clubes alertam para o comprometimento de contratos e receitas. O governo defendeu a medida pelos danos provocados pelas apostas à saúde e ao orçamento das famílias. No Paraná, Luiz Claudio Romanelli também se posicionou contra a liberação das plataformas. O próprio Fux manifestou entendimento favorável à proibição.
A discussão tem uma ironia difícil de ignorar: os clubes reclamam do dinheiro que deixarão de receber das bets, enquanto milhares de famílias tentam recuperar o dinheiro que perderam nelas.
UMA PONTE DE MEIO EXPEDIENTE
A Ponte da Integração, entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco, ganhou novas regras para a passagem de automóveis. Desde terça-feira, moradores da região fronteiriça podem apresentar mais opções de documentos, mas o horário permanece limitado das 7h às 13h. A abertura integral continua dependendo das etapas administrativas e de infraestrutura previstas pelos dois países. É uma situação curiosa para uma obra construída justamente para facilitar a circulação e ampliar as oportunidades econômicas entre Brasil e Paraguai.
A ponte está pronta, os documentos estão sendo ajustados e a integração continua esperando a liberação completa. Por enquanto, atravessar exige não apenas documentos, mas também acertar o relógio.
O ALUNO FICOU. E AGORA?
O Paraná reduziu de 7,7% para 0,3% a taxa de abandono no ensino médio entre 2015 e 2025. No mesmo período, a distorção entre idade e série caiu de 21,1% para 8%, segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica. Os indicadores mostram avanços importantes na permanência escolar e merecem reconhecimento. Mas a redução da evasão não encerra os desafios da educação. A próxima exigência é assegurar aprendizagem, qualificação e oportunidades para os estudantes depois da conclusão dos cursos. Manter os jovens na escola representa uma conquista.
O que não pode acontecer é transformar a presença na sala de aula no único indicador de sucesso de uma política educacional.
MEIA-ENTRADA, CONTAGEM INTEIRA
Quem compra ingressos pela internet conhece a situação: a meia-entrada aparece na propaganda, mas nem sempre está disponível quando chega a hora de pagar. Um projeto do deputado Matheus Vermelho, aprovado na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia, pretende obrigar as plataformas a informar, em tempo real, quantos ingressos com desconto ainda restam. A proposta busca dar transparência ao benefício e permitir que estudantes, idosos e outros consumidores acompanhem a disponibilidade. Parece uma providência simples, mas pode evitar muita confusão.
Afinal, quem tem direito à meia-entrada não deveria precisar de uma investigação para descobrir se ainda existe alguma. Desconto pela metade não pode significar informação pela metade.
TRUMP PERDEU SEM ESTAR NA CÉDULA
Donald Trump não disputou as eleições americanas de meio de mandato, mas recebeu delas uma derrota política expressiva. Os democratas conquistaram o controle da Câmara e do Senado, avançando inclusive em estados tradicionalmente republicanos. A insatisfação com o custo de vida, a guerra com o Irã e os rumos do governo pesou na decisão dos eleitores. Trump continuará na Casa Branca, mas enfrentará um Congresso com maior capacidade de fiscalização, investigação e resistência às suas propostas. Pela Constituição americana, não poderá ser eleito presidente novamente.
Agora terá de administrar a segunda metade de seu mandato com uma derrota parlamentar importante nas costas. Não estava na cédula, mas acabou recebendo o recado das urnas.
