A conta do PL
A desistência de Miriam Ferreira da disputa para deputada federal abriu uma conta que o PL talvez preferisse resolver sem testemunhas. Ela reclama da falta do apoio prometido, enquanto outras candidaturas femininas receberam alguns milhões para chamar de seus. Rosângela Moro ficou com R$ 2,6 milhões; Aline Sleutjes e Carlise Kwiatkowski, R$ 2,5 milhões cada. Outras mulheres da nominata teriam motivos bem mais modestos para agradecer. A legislação criou a cota feminina. O partido, aparentemente, criou a executiva e a econômica.
Moro de graça
A campanha de Sandro Alex voltou a encontrar o TRE-PR pelo caminho depois de gastar boa parte de uma inserção de 30 segundos atacando Sergio Moro. Já é a terceira intervenção recente da Justiça em peças contra o adversário. Sandro está atrás nas pesquisas, mas continua reservando parte do próprio horário para falar de quem está na frente. É uma estratégia generosa: além de tentar alcançar Moro, ajuda a mantê-lo na lembrança do eleitor. E paga a conta.
Liberdade de quem?
Sergio Moro prometeu aos prefeitos da região de Maringá “liberdade política” caso chegue ao Palácio Iguaçu. Disse que ninguém ficará com “uma faca no pescoço” por apoiar outro candidato e que divergência eleitoral não será motivo para cortar recursos ou investimentos dos municípios. A promessa é menos interessante que a descrição do presente. Afinal, para oferecer liberdade é preciso enxergar alguém preso; para retirar a faca, é preciso acreditar que alguém a colocou no pescoço. Moro só não disse quem estaria segurando o cabo.
Greca de repouso, Ratinho de plantão
Rafael Greca ainda se recupera da queda sofrida em Maripá, e Sandro Alex tratou de não deixar cadeira vazia na campanha. No fim de semana, rodou Maringá, Londrina e o Litoral com prefeitos, aliados e Ratinho Junior sempre por perto. A chapa chegou a 27% no último IRG justamente num momento em que Greca está fora das ruas, mas continua pesando no nome. Enquanto o vice repousa, o governador dobra o turno. Sandro, pelo menos, já descobriu que numa campanha com dois padrinhos fortes não existe razão para andar sozinho.
Lula vem buscar Requião
Lula desembarca em Curitiba no próximo sábado, 12 de setembro, para subir na Boca Maldita com Requião Filho, Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha. Requião trava com Sandro Alex uma disputa apertada pelo segundo lugar e vai receber o maior reforço disponível no estoque da esquerda. Será também um teste de transferência: Lula leva voto para Requião ou Requião apenas leva gente para ver Lula? Cabo eleitoral é ótimo. Desde que o eleitor não prefira o cabo.
Máquina sem troco
Moro já arrecadou R$ 11,8 milhões; Requião Filho, R$ 11 milhões; Sandro Alex, cerca de R$ 7 milhões. O candidato governista, apoiado pela maior estrutura política do Paraná e por um governador com enorme aprovação, aparece apenas em terceiro quando a disputa chega ao extrato. Ratinho Junior colocou prefeitos, partidos, aliados e prestígio à disposição do candidato. Dinheiro, pelo visto, é o único apoio que ainda não aprendeu a fazer transferência política.
Deltan reencontra Zanin
Deltan Dallagnol e Cristiano Zanin seguiram caminhos curiosos desde a Lava Jato. Um virou candidato ao Senado; o outro, ministro do Supremo. Agora se reencontraram no TRE-PR, onde dados fiscais e bancários de Zanin e de sua mulher apareceram entre milhares de páginas juntadas ao processo de registro de Deltan. O tribunal pôs o material sob sigilo e encaminhou o caso ao Ministério Público. A Lava Jato já foi enterrada tantas vezes que seus documentos aparentemente perderam o respeito pelo cemitério.
A segunda primeira escolha
A corrida ao Senado tem uma eleição escondida dentro da eleição. No primeiro voto, Deltan, Gleisi e Alexandre Curi aparecem na dianteira. No segundo, Filipe Barros e Dr. Rosinha crescem e a ordem muda bastante. Como o Paraná escolherá dois senadores, talvez seja hora de abandonar a vaidade: ser a segunda opção de alguns milhões de eleitores pode valer exatamente a mesma cadeira de quem foi a primeira. O problema é que 62,2% ainda não conseguem citar espontaneamente candidato algum. Tem gente disputando o segundo voto de quem ainda não encontrou nem o primeiro.
Supremo seletivo
André Mendonça conseguiu neste 7 de Setembro uma façanha institucional: fazer parte do bolsonarismo descobrir qualidades num ministro do STF. Depois do confronto com Alexandre de Moraes, vieram elogios e manifestações de apoio. Durante anos, o problema parecia ser o Supremo. Agora ficou mais claro: existe o Supremo que contraria e o Supremo que concorda. A independência entre os Poderes continua sagrada, principalmente quando o Poder independente decide do nosso jeito.
Escala 6×0
Davi Alcolumbre deixou para depois da eleição a votação do fim da escala 6×1. A proposta tem apoio popular elevado e, talvez por isso mesmo, ganhou uma inconveniência eleitoral igualmente elevada. Centrais sindicais querem votação imediata; o Senado prefere novembro. Enquanto o trabalhador discute seis dias de serviço para um de descanso, os senadores aperfeiçoaram o modelo: seis semanas de campanha e zero de votação. Reforma trabalhista também se faz pelo exemplo.
Interpendência importada
O 7 de Setembro ganhou samba, festa e comida brasileira em Nova York, Londres e outros endereços onde há brasileiros suficientes para sentir saudade do país sem precisar morar nele. Há também centenas de milhares de eleitores brasileiros espalhados pelo exterior. A distância produz fenômeno curioso: muda a moeda, o idioma, o fuso horário e até a qualidade do transporte público, mas a discussão política brasileira desembarca intacta. O Brasil pode até perder seus cidadãos para o mundo. Livrá-los do Brasil já é pedir independência demais.
