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Pinheirinho

Barba histórica

Foto: Paulo Lisboa
Samuel Bittencourt
Escrito por Samuel Bittencourt

Barbeiro da velha escola, o paranaense José Garcia da Silva conta como assistiu o Pinheirinho crescer à sua volta. Morador do bairro desde 1977, Garcia testemunhou a transformação que a região sofreu nos últimos quarenta anos e o salto da infraestrutura nas últimas décadas.

Foto: Paulo Lisboa

José Garcia da Silva mora no bairro desde 1977. Foto: Paulo Lisboa

Quando José chegou a Curitiba, pouquíssimo do que existe hoje era possível de se encontrar nas proximidades da Rua Mário Gomes Cezar, onde ele manteve durante todos esses anos sua barbearia. “Quando montei minha barbearia as ruas eram todas feitas de cascalho. Aqui mesmo em frente, onde hoje é uma loja de som para carros, havia um pequeno lago”, lembra Garcia.
De acordo com o barbeiro, com o passar dos anos, essa paisagem deu lugar a um bairro completo. “Hoje em dia, encontramos tudo aqui por perto, desde escolas, bancos, até cartório”, diz José. Mas essas mudanças também tem um preço. A barbearia, que antes era localizada em plena Avenida Winston Churchill, recuou para poucos metros em direção ao bairro. “Como os valores de locação variam, e são mais caros perto da avenida, pulamos alguns metros para o meio da quadra. Assim não fica tão pesado e ainda nos mantemos próximos aos nossos clientes”, conta o filho de José, Valdemiro Garcia, que também é barbeiro.

No fio da navalha

É possível também perceber os laços com o passado no acabamento do corte de Garcia. Ele ainda guarda sua navalha e mantém a lâmina impecável, afiando na borracha para o próximo cliente. “Hoje uso máquinas, pois é muito mais prático para fazer o corte. Mas antes de terminar, passo a navalha porque fica mais bonito, sem nenhuma ponta”, conta o barbeiro.

Pai e filho trabalham juntos há mais de 20 anos. Foto: Paulo Lisboa

Pai e filho trabalham juntos há mais de 20 anos. Foto: Paulo Lisboa

Desde os 22 anos de idade, pai e filho trabalham juntos. Para Garcia, a parceria tem sido positiva. “É bom manter as coisas em família, a gente trabalha com muita tranquilidade. Mas é verdade que nos controlamos para não pegar tão pesado na hora criticar”, explica o barbeiro.
Além de Valdomiro, Garcia também tem uma filha que seguiu os passos do pai. “Minha filha Elana também está no ramo, trabalhando no Salão Marly”, conta Garcia.

Barbeiro de gerações

Foto: Paulo Lisboa

“Vinha cortar o cabelo quando ainda tinha que subir numa tábua de madeira para ficar na altura certa”. Foto: Paulo Lisboa

O ambiente familiar da barbearia tem agradado aos clientes. Frequentador antigo, Marcelo Susko conta que sua mãe o trazia para dar um trato no cabelo com o José. Hoje, é ele quem traz seus filhos. “Vinha cortar o cabelo quando ainda tinha que subir numa tábua de madeira para ficar na altura certa. Agora eles já estão cortando meus cabelos brancos, e daqui alguns anos irão cortar os cabelos de meus netos”, brinca Susko.
Outro cliente que não abandona o corte de Garcia é Edson Carletti. Morador do bairro vizinho, o Capão Raso, Carletti prefere caminhar algumas quadras a ter que encontrar outro barbeiro. “Depois que a gente se acostuma com um corte não trocamos mais. Sempre que venho aqui, apenas sento e digo para dar uma acertada, que eles já sabem direitinho como eu quero que fique”, diz Carletti.

Como as celebridades

Com muitos certificados exibidos pela parede da barbearia, José Garcia conta que hoje se dedica apenas ao corte masculino. Para manter o sucesso e o grande número de clientes, ele revela que sempre procura se manter atualizado e de olho aberto as novas tendências. “Estou de atento às revistas e tudo que podem pedir no salão.

Teve um tempo que fazíamos muito o corte moicano e o ‘corte Luan Santana’. Sempre temos que estar dispostos a atender o que o cliente deseja”, explica. Para o barbeiro, é importante estar buscando novas referências. “Gosto de ver revistas porque muitas pessoas que chegam aqui pedem o corte que alguém está usando. A gente precisa entender o que o cliente quer”, diz Garcia.

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Sobre o autor

Samuel Bittencourt

Samuel Bittencourt

Samuel tem 27 anos e é jornalista na editoria dia-a-dia, E-mail: samuelb@tribunadoparana.com.br Twitter: @_Osamuel

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5 Comentários em "Barba histórica"


fernando rocha
fernando rocha
4 anos 1 mês atrás

O Sr. José abriu a barbearia quando o Pinheirinho era apenas uma bairro pequeno hoje o Pinheirinho virou uma das regiões mais desenvolvidas, parece um pequeno munícipio dentro de Curitiba e tem comércio muito forte por isso que andei no Pinheirinho vi como cresceu

Renato Ilezyszyn - Morador de Itajaí - Sc
Renato Ilezyszyn - Morador de Itajaí - Sc
4 anos 1 mês atrás

Quando morava em Curitiba, morei muitos anos no Pinheirinho, estudei no grupo escolar João Loyola, e no Colégio La Salle, e cortei cabelo na época no seu salão na Winton Churchill, que é um salão de corte de cabelo, bem conceituado e tradicional no bairro do Pinheirinho. Realmente quando vou ao Pinheirinho, visitar meu irmão cezer, e alguns amigos, noto que o bairro cresceu e se desenvolveu, tendo vida própria, como se fosse uma cidade.

Samuel G Griten
Samuel G Griten
4 anos 1 mês atrás

Esse bairro e fantastico, vim em 70 me criei ai hoje moro em santa candida, mas sempre estou por perto.
parabens Curitiba por acolher tanta gente

rodrigo
rodrigo
4 anos 1 mês atrás

a rua é mario gomes cesar, não jose gomes cesar.

sdsssd
4 anos 1 mês atrás

77=38 anos. se fosse em 75 ,sim.

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