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Curitiba

PM muda estratégia e adota módulos móveis em Curitiba. Funciona?

PM muda estratégia e passa a adotar módulos policiais móveis para conter a criminalidade. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná
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Escrito por Lucas Sarzi

Do caminho de casa para as atividades do dia a dia, você já deve ter percebido que o número de viaturas nas ruas, principalmente aquelas vans conhecidas como módulos móveis, aumentou. A ideia, que começou a ser colocada em prática neste ano, foi planejada justamente para levar sensação de segurança à população e fazer com que os bandidos fiquem cada vez mais inseguros de agir. E isso já tem diminuído os registros das ações, segundo a Polícia Militar (PM).

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Depois que seis Unidades Paraná Seguro, conhecidas como UPS, foram retiradas dos bairros, a população começou a se questionar sobre como seria continuar sem a presença efetiva dos policiais por perto. Mas que o método das UPS era ultrapassado e precisava mudar, todos sabiam. Foi por isso que a PM adotou uma nova forma de atuar levando segurança às pessoas.

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À Tribuna, o tenente-coronel Hudson Teixeira, comandante do 1º Comando Regional de Policia Militar (CRPM), responsável por todo o policiamento da capital, disse que as UPS não foram substituídas pelos módulos, mas sim foi pensado um novo planejamento de segurança. “Algumas UPS foram sim desativadas e as mais importantes permanecem como ponto base de contato da polícia com as pessoas. Mas fizemos um levantamento estratégico, com base no geoprocessamento, com base nos pontos onde há maior incidência no fluxo de pessoas e índices de roubos, de veículos principalmente, e esse policiamento tem sido aplicado com base em nossas análises”, explicou.

Por conta dessa nova forma de agir da Polícia Militar, a presença das viaturas nas ruas começou a ser mais forte. Conforme o tenente-coronel, foram mapeadas as regiões mais complicadas, do Centro de Curitiba aos bairros mais distantes. “Eu pessoalmente ajudei isso, montamos cartões programas, que funcionam como um roteiro”.

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A escolha dos locais foi pautada por alguns índices específicos, como, por exemplo, onde tem mais assalto, onde mais veículos são furtados ou roubados, pontos em que mais farmácias são roubadas e, claro, tudo isso somado com o conhecimento de cada policial que atua diretamente nas ruas. “Por questão de segurança, os itinerários dos módulos não são divulgados, mas as pessoas pouco a pouco estão sentindo nossa presença mais efetiva”, comentou o tenente-coronel.

Segurança pro povo, medo nos bandidos

Com o policiamento mais presente, se tornou comum você encontrar com viaturas no trajeto de casa ao trabalho, por exemplo. E isso representa, segundo o tenente-coronel, a ideia dessa nova forma de agir da PM. “O objetivo é trazer a segurança para o cidadão e as pessoas estão percebendo isso, a maior presença policial, mas também buscamos fazer com que o marginal tenha a incerteza sobre a presença da polícia. Porque uma hora a viatura pode estar ali, mas logo depois não estar, provocando instabilidade no marginal”, detalhou.

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Abrangendo praticamente a cidade toda, com pontos específicos de maior preocupação, a ideia da PM é cada vez mais aumentar esse policiamento preventivo. “Queríamos ter um módulo desse por bairro, isso ainda não é possível, mas de qualquer forma esse policiamento não sendo rotineiro faz com que abrangemos a cidade toda. E não ser rotineiro faz com que o bandido pense duas vezes antes de agir, porque ele nunca sabe em que momento a polícia vai aparecer ali, ele só sabe que vai aparecer”.

Pelo menos por enquanto, todo o policiamento tem sido feito num desdobramento do próprio efetivo já existente na corporação. O comandante do policiamento destacou que muitos policiais do serviço administrativo têm participado dessas ocorrências, o que faz dessa ação ainda maior. “Estamos realmente todos unidos para fortalecer a segurança. É o que tem que ser feito”.

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Já tem resposta

Módulos móveis ajudaram a reduzir a criminalidade e impõem respeito nos criminosos. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná
Módulos móveis ajudaram a reduzir a criminalidade e impõem respeito nos criminosos. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná

Conforme o tenente-coronel, embora sejam três meses desta nova forma de atuar, a própria PM começou a perceber que já melhorou a sensação de segurança para a população. “Porque além de termos pensado de forma estratégica, para que as pessoas percebam mesmo a presença das viaturas por quase todo o dia, queremos que as pessoas, pouco a pouco, comecem a ter referência de policiamento na região próxima”.

A resposta mais técnica desse novo policiamento já veio: o comandante explicou que é através das estatísticas que se comprovam o quanto a presença dos policiais inibe a ação dos bandidos. “Os índices estão diminuindo muito. Roubo e furto principalmente, porque homicídio não temos como controlar, infelizmente não temos como prever a cabeça do ser humano”, detalhou o tenente-coronel Hudson.

Embora não tenham sido fechados ainda os dados do primeiro trimestre deste ano, o comandante do policiamento reforçou que houve uma diminuição expressiva. “Só no caso de roubo de veículos, para se ter uma ideia, a média dos três primeiros meses do ano passado foi de 800 veículos roubados. Neste ano, não chegamos a 300”, adiantou Hudson.

Gente presa

Aliado a esse policiamento, a PM também tem feito operações em diferentes momentos do dia, também envolvendo não só os policiais de cada área, mas também equipes do Batalhão de Trânsito (BPTran), da Cavalaria e outros setores mais administrativos. “Todo o efetivo tem participado disso. Esse envolvimento entre as diferentes equipes já levou algumas pessoas para a cadeia durante abordagens de rotina”.

Na última semana, um homem foi preso com uma pistola durante uma abordagem na Avenida Victor Ferreira do Amaral, no Tarumã. Um dia depois, na Rua Fernando de Noronha, no Boa Vista, a PM conseguiu prender um homem com 50 quilos de maconha. “Esse traficante inclusive já tinha sido preso há dois meses, com 30 quilos de droga, e estava solto. Por isso usamos estes exemplos, que mostram o quanto a presença mais efetiva da PM tem surtido efeito positivo”.

População deve participar

A ideia da PM é fazer com que, aos poucos, a tecnologia ajude ainda mais no trabalho dos PMs. “Estamos tentando aprimorar uma tecnologia para fazer com que as pessoas não precisem nem procurar uma delegacia para casos mais rápidos e sim chegar direto nos módulos para denúncias e até registros de ocorrências. Ainda não temos isso, pois envolve planejamento, mas estamos vendo o possível para implementar”.

Como sempre dizem os policiais, ainda que estejam todo o tempo na ruas, a ajuda da população é importante. Isso porque só quem vive no bairro ou passa todos os dias por determinado local sabe o que acontece por ali. “As pessoas devem participar desse trabalho, principalmente criando uma relação próxima com os policiais, passando informações quando virem as viaturas, os módulos, pois isso nos ajuda muito. Os policiais estão ali exatamente para isso, para essa troca de relação para melhorar a segurança”.

Você sabe quando pode (ou não) ser abordado pela polícia?

Sobre o autor

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Lucas Sarzi

Jornalista formado pelo UniBrasil.

(41) 9683-9504