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Curitiba

Leitor de 104 anos festeja o aniversário de 63 anos da Tribuna do Paraná!

Giselle Ulbrich
Escrito por Giselle Ulbrich

Se o sonho do Jerônimo Stocco era chegar aos 100 anos, ele completou a missão com louvor, pois já atingiu os 104 no último dia 28 de agosto (sim, a certidão de nascimento dele é de 1915!). E quem ganha um enorme presente é a Tribuna, que descobriu que o Jerônimo mais conhecido como “Momi” em Campo Largo, é assíduo leitor do jornal. Todos os dias pela manhã o descendente de italianos senta no escritório da fábrica de portas e janelas da família e passa algumas horas lendo cada página do diário. Como ele ainda está muito lúcido, uma de suas netas avisa: não adianta trazer a Tribuna do dia anterior, pois Jerônimo já vai dizendo: “Essa eu já li. Me traga a de hoje!”.

Jerônimo sempre levou uma vida muito regrada. Hoje em dia, acorda às 7h, faz o seu café, se arruma e vai ler a Tribuna. Atravessa a fábrica de esquadrias, que fica no mesmo terreno onde ele mora, senta-se confortavelmente na cadeira reservada para ele, ao lado do aquecedor, e folheia o diário todo. “Ele devora o jornal, lê até o rodapé. Fica entretido, adora. Enquanto não termina, não sai dali. E como está super lúcido, se você coloca o jornal do dia anterior em cima da mesa ele não quer. Pede o de hoje”, diz a neta Luziane.

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A Tribuna ganhou um belo presente de aniversário: descobriu um campo-larguense de 104 anos, que lê o jornal todos os dias. Foto: Rodrigo Cunha / Tribuna do Paraná.

Longevidade

Emigdio, um dos filhos, acredita que o segredo da longevidade de Jerônimo é a vida sempre regrada que levou, boa alimentação e trabalho duro. “Ele sempre trabalhou pesado, serviço braçal. Acordava cedo, todo dia às 6h. Tomava café logo cedo e tinha os horários certos das refeições, às 10h, 12h, 15h e 18h. E nunca assistia o Jornal Nacional, pois neste horário já estava dormindo”, diz o filho.

Para um dos filhos, o segredo da longevidade de Jerônimo é a vida sempre regrada que levou, boa alimentação e trabalho duro. Foto: Rodrigo Cunha / Tribuna do Paraná.

Desde os seis anos de idade Jerônimo sempre trabalhou muito. Começou na lavoura com seus pais, no cultivo de grãos como feijão, milho e soja. Mas tinha muita habilidade com madeira e já adulto construiu muitas casas em Campo Largo, inclusive a dele próprio (há duas no terreno), ainda muito bem conservada. Aprendeu a fazer esquadrias, especializou-se nisto e fundou a Esquadrias Stocco, hoje administrada pelos filhos. Também fabricou inúmeras carroças, até pouco depois dos 100 anos, quando fez a última para deixar de lembrança. E uma de suas “obras” mais bonitas foi a Cruz de Madeira, da igreja da Colônia da Campina.

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E do aprendizado com a lavoura, também aprendeu a produzir vinho, uma de suas paixões. Até montou um espaço em sua casa dedicado à produção da bebida e de lá sai vinho branco e tinto, seco e suave. E todos os dias ele toma um cálice do vinho. “Mas ele já está ficando um pouco azedinho”, disse o “Momi”, referindo-se a sua última produção, que fez para seu aniversário de 100 anos e foi dado aos convidados da festa como recordação.

Paixão pela família

Jerônimo tem seis filhos, 12 netos e cinco bisnetos e adora quando todos estão reunidos ao redor da mesa farta. Foto: Rodrigo Cunha / Tribuna do Paraná.

Por falar em paixão, Jerônimo casou-se com Idalina Bianco Stocco em 22 de janeiro de 1938. Eles tiveram seis filhos: Helena Stocco Campagnaro, Adir Stocco Bubniak, Luziane Stocco Brainta, José Antônio Stocco, Emigdio Stocco e Sônia Regina Stocco Mocelin. Ele tem 12 netos e cinco bisnetos.

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Vaidoso e sociável

Mas o filho Emigdio acredita que ainda há mais coisas que “alimentam” a longevidade de Jerônimo, além da via regrada. Vaidoso, ele também gosta muito de conversar e conviver com os amigos e familiares. “Todo sábado eu venho busca-lo para passear, almoçar. Quando eu chego, ele já está aqui me esperando, sentado no banquinho. Às vezes eu ando meia hora, uma hora de carro com ele, e isso o satisfaz. Em 1993 nós o levamos para conhecer a terra natal dos pais, na Itália. Isso foi muito importante para ele. Depois fomos visitar um casal de amigos dele na Alemanha. Isso tudo parece que traz mais energia, o alimenta. Ele tem prazer de viver”, conta Emigdio.

Aos 104 anos, Jerônimo ainda é muito sociável e independente. Foto: Rodrigo Cunha / Tribuna do Paraná.

Independente

Depois que passou dos 100 anos, o “Momi” passou a ser acompanhado de uma cuidadora durante o dia. Mas é só para ela olhar mesmo, pois ele se vira muito bem sem ajuda. À noite ele dorme sozinho e, se precisa de algo, toca uma campainha, para chamar um dos filhos que mora no mesmo terreno.

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Há até poucos meses atrás, ele ainda andava de ônibus, às vezes ia até Curitiba sozinho. Hoje, como as pernas estão “fracas”, como ele diz, além da audição comprometida, apenas vai sentar-se no ponto de ônibus para conversar com os amigos. Aliás, como ele gosta de estar com os amigos e quando vão busca-lo para almoçar ou ir à missa, católico fervoroso que é. Adora quando a família está junta, ao redor de uma mesa farta. Com 104 anos, tem uma vida social mais ativa que muitos jovens.

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Giselle Ulbrich

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