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Curitiba

Golpistas utilizam seus dados para faturar grana na rodoviária. Cuidado!

Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná
Giselle Ulbrich
Escrito por Giselle Ulbrich

Golpistas estão sempre buscando uma nova forma de tirar dinheiro de consumidores desatentos, desta vez, miraram nas empresas de transporte rodoviário de passageiros. Duas amigas (por coincidência) de Curitiba quase foram vítimas do golpe. Só não perderam dinheiro porque foram rápidas e já bloquearam no banco as compra indevidas.

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Para a primeira das vítimas, que é jornalista e preferiu não se identificar, o quase golpe aconteceu em novembro do ano passado. “Eu estava em casa quando chegou uma mensagem no celular, pelo aplicativo do banco, de uma compra de passagem rodoviária, feita no site da Viação Garcia. Eu estranhei e imediatamente liguei para o banco relatando que não tinha feito aquilo. Eles já bloquearam meu cartão para compras online”, analisa a jornalista. Por ter sido rápida, evitou que R$ 274,00 fossem lançados na fatura do cartão.

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Em um dos casos, tentativa de golpe foi identificada por meio de uma mensagem do aplicativo do banco. Foto: Reprodução

Em um dos casos, tentativa de golpe foi identificada por meio de uma mensagem do aplicativo do banco. Foto: Reprodução

Com a também jornalista Marília Bobato, 35 anos, aconteceu exatamente igual no mês passado. Só que no caso dela, foram várias compras “apitando” no celular em menos de cinco minutos: cinco compras de passagens rodoviárias e mais outras duas em lojas, tudo online. “Eu liguei imediatamente para o banco. Mas já era noite e o horário de atendimento já tinha encerrado. Então abri o chat e mandei mensagem pro gerente, pra deixar formalizado. De manhã já liguei de novo e vi que o gerente já tinha cancelado meu cartão para compras online”, conta Marília, que teve outros inconvenientes por causa do episódio.

Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

A jornalista tinha alguns boletos programados no cartão, que estavam configurados como compras online. Um deles, por exemplo, era a do plano de saúde. “Aí eles ficavam me ligando, pra informar que o boleto estava em aberto. Tive que imprimir esse e outros boletos de volta, pagar tudo com juros e multa”, lamenta Marília. A “dor de cabeça” durou uns 20 dias, até que o novo cartão enviado pelo banco chegou.

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Como as duas amigas conseguiram resolver o problema diretamente com o banco, acabaram não indo à polícia dar queixa do roubo dos dados do cartão. O que elas não fazem a mínima ideia é onde e como os golpistas conseguiram os dados dos cartões de crédito delas. Marília faz poucas compras online. Já a amiga dela desconfia de um site que fez compra momentos antes, supondo que o site tenha furtado os dados dela.

Capitalizando o golpe

Uma das amigas soube depois que a compra das passagens se tratava do seguinte golpe: os fraudadores conseguem os dados de cartão de crédito de vítimas e fazem a compra da passagem pelo site das companhias rodoviárias. Em seguida, vão à rodoviária trocar o voucher da compra pelo bilhete. Passados alguns dias, voltam à rodoviária informando que desistiram da viagem e pedem o reembolso. A legislação (lei 4.282/2014 e o decreto estadual 1.821/2000) dá esse direito ao consumidor, desde que a desistência ocorra até três horas antes da viagem. Às companhias ainda é facultativo reter 5% do valor da tarifa, como compensação. Uma regulamentação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ainda determina que a pessoa deve ser reembolsada da mesma forma como pagou pela compra.

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No entanto, conforme a jornalista, os golpistas justamente retiram o bilhete na rodoviária para descaracterizar a compra online, via cartão de crédito. Assim, teoricamente, vão ao guichê da companhia, devolvem o bilhete e conseguem receber o valor em dinheiro no ato (apesar da lei dizer que a empresa tem até 30 dias para fazer o reembolso, após a manifestação da desistência). Anti fraude Luiz Fernando da Silva Mattos, gerente comercial da Viação Garcia, contou que há alguns anos tiveram problemas no interior do Paraná com uma quadrilha que clonava cartões e comprava passagens rodoviárias. A partir disto, investiram num novo sistema anti fraude de compra de bilhetes (via portal online e aplicativo de celular), que praticamente eliminou o problema. “Além do sistema, temos pessoas que também fazem o monitoramento de todas as operações”, diz Luiz Fernando.

A reportagem procurou outras duas grandes empresas do ramo, para ver se estão com problemas de reembolsos fraudulentos e que medidas tomam contra isto. A Viação Catarinense não respondeu até o fechamento da matéria. Na Itapemirim, não há atendimento de imprensa e a ligação não passou do canal de atendimento ao consumidor.

Como se proteger do golpe da passagem?

Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

Não é difícil encontrar por aí pessoas que já tiveram os dados do cartão de crédito roubados. Aí vem a pergunta: “Onde roubaram meus dados?”, “Como faço pra evitar o problema?”. Quem responde é o especialista Leandro Escobar, que é professor de sistema de informação e coordenador da pós-graduação em Inteligência Artificial da Universidade Positivo.

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Leandro explica que nem sempre somos nós que cometemos deslizes para ter os dados roubados por hackers. Por mais que as empresas (principalmente sites de e-commerce) trabalhem para manter os dados dos seus clientes seguros (e o mesmo diga- -se dos clientes), hackers estão sempre procurando vulnerabilidades nos sistemas. Algumas empresas possuem equipes de tecnologia atentas 24 horas (e mesmo as maiores e mais conhecidas estão sujeitas a ataques). Outras, no entanto, são mais relapsas, como uma loja online brasileira que demorou dois dias para perceber uma invasão.

Portanto, diz o professor, como não é possível evitar o roubo, o mais eficiente é manter-se atento. Uma maneira é receber no celular mensagens SMS, avisando sobre gastos feitos com os seus cartões bancários. É uma das poucas formas de saber que os seus dados foram roubados. Tecnologia avançada Outra forma dos hackers agirem, diz o professor, é desenvolverem programas robôs que ficam lendo os dados da vítima, até encontrarem o que querem. “Quando as pessoas usavam o computador, costumavam se proteger mais, usando antivírus, acessando somente sites com início https (mais seguros), não comprando em sites desconhecidos. Hoje, mais de 70% dos acessos à internet vem de dispositivos móveis. E o celular trouxe uma falsa sensação de que é mais seguro. As pessoas relaxaram com os antivírus, acessam todo tipo de site e acabam instalando robôs (espécie de vírus) no aparelho”, mostra o professor.

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Os vírus e robôs permitem que o hacker, por exemplo, veja o que está na tela da vítima e o que ela está digitando. Ou então, lêem mensagens de texto que a pessoa deixou em aplicativos como Whats App, Messenger, Telegram, agenda, contatos telefônicos, etc., até encontrarem os dados que desejam. Até mesmo fotos tiradas de cartões, robôs analisam as imagem em busca de dados.

Portanto, não se deve deixar esse tipo de dado digitado ou em foto em lugar nenhum do celular ou computador. Mas Leandro não desestimula ninguém a deixar de fazer compras online. “Fazendo uma analogia, é como você andar na rua, por exemplo. Você evita os locais perigosos, os escuros. Na web é a mesma coisa. Basta ter um comportamento seguro”.

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E o consumidor?

Cláudia Silvano, diretora-geral do Procon-PR, mostra que é uma obrigação de todo consumidor verificar quais movimentações são feitas com cartões e contas bancárias. “Sabemos que nem todos têm afinidade com a tecnologia. Mas se o banco ou operadora oferece os avisos no celular, use. E se veio uma compra irregular, conteste na hora”, ensina ela. Ela também mostra que é obrigação de toda empresa promover um ambiente de compra seguro (físico e online). E no caso do cliente contestar alguma compra indevida, o banco ou operadora de cartão, assim que comunicado, deve tomar uma providência.

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Giselle Ulbrich

Giselle Ulbrich

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13 Comentários em "Golpistas utilizam seus dados para faturar grana na rodoviária. Cuidado!"


Mário
Mário
4 meses 26 dias atrás

Habilitar o torpedo SMS do banco , quando qualquer transação em conta corrente e cartão ,for realizada . Isso ajuda muito. Outra solução para compras online , e sempre procurar utilizar o cartão eletrônico , através do aplicativo Ourocard do BB. Ele cria um cartão virtual , que pode ser bloqueado após o uso e excluído se o usuário preferir .

PEDRO PRIMITIVO GIRARDI GIRARDI
PEDRO PRIMITIVO GIRARDI GIRARDI
4 meses 29 dias atrás

JÁ PASSOU DO TEMPO DE AS EMPRESAS PEDIREM E ANOTAREM O CPF E RG DOS PASSAGEIROS PARA NOSSA SEGURANÇA…NÉ

Rafael Pilha
Rafael Pilha
4 meses 29 dias atrás

Tem que anotar o código verificador que fica atrás do cartão e depois apagá-lo, muitos dos golpes são quando pegam o cartão para passar na máquina e levam para outro lugar para passar na máquina , a pessoa memoriza o numero do cartão e do código verificador ( ou anota ou tira uma foto ) , pronto, não precisa de mais nada.

Tiago Ribas
Tiago Ribas
4 meses 29 dias atrás

Poderiam implementar a biometria para os passageiros, ja passou da hora em buscar um controle maior dos usuários e identificar os compradores de passagem e os passageiros. O que impede o uso da biometria para identificar os passageiros, falta de vontade das empresas e do Estado?

Julio Cesar
Julio Cesar
4 meses 29 dias atrás

Os sistemas de vendas online por aqui ainda são muito vulneráveis, todo cuidado é pouco.
Na dúvida vá a loja física mesmo como antigamente.

Tiago Ribas
Tiago Ribas
4 meses 29 dias atrás

O problema é a falta de vontade dos atendentes das empresas de transporte em averiguar a documentação do golpista, solicitando rg, cpf entre outros documentos para ter certeza. Eu ja notei que estes atendentes estão despreocupados, estão mais preocupados em se livrar da pessoa para atender o próximo.

Carlos Gomes
Carlos Gomes
4 meses 29 dias atrás

Exato, muitas compras fraudulentas poderiam ser evitadas com a verificação da documentação que na teoria deveria ser apresentada.

Tiago Ribas
Tiago Ribas
4 meses 29 dias atrás

Boa parte dos atendentes estão despreocupados em verificar a documentação e a procedência.

Carlos Gomes
Carlos Gomes
4 meses 29 dias atrás

Já tive esse problema, mas bastou ligar para administradora e informar o ocorrido e cancelaram as compras e mandaram novo cartão, aliás um dos casos era cartão que nem usava e ficava e cofre (só para emergência) nesse caso só podem ter roubado os dados da própria administradora.

JOAQUIM  TEIXEIRA IRA
JOAQUIM TEIXEIRA IRA
4 meses 29 dias atrás

Uma dica que funciona. Geralmente quem faz compras online precisa do número que está atrás do cartão , com 3 dígitos, que só é usado para compras online. A melhor forma de se proteger é memorizar este número ou deixar anotado em casa, apenas, em um local que ninguém vá relacionar com este cartão e cobrir o número com uma fita adesiva. Assim quem manipula seu cartão não poderá fotografar ou memorizar este número. Simples e eficiente.

Rafael Pilha
Rafael Pilha
4 meses 29 dias atrás

A maioria dos golpes são feitos assim, tiram foto ou anotam as informações de frente / verso do cartão e depois compram online.

Arauto D.
Arauto D.
4 meses 29 dias atrás

Se usassem toda essa criatividade pra trabalhar…

Carlos Gomes
Carlos Gomes
4 meses 29 dias atrás

… mas vagabundear tá no sangue dessa raça, negócio é vacinar eles com ajuda da Rone

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