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Curitiba

Visita a cemitério de Curitiba é uma aula de história no Dia de Finados!

A chegada de novembro marca o Dia de Finados, conhecido também como Dia dos Mortos. Nos dois primeiros dias do mês, é comum os cemitérios receberem um grande número de visitantes, que levam flores e buscam manter viva a trajetória de seus entes queridos, mas talvez pouca gente pare para perceber o outro lado destes locais, que podem ser vistos como uma grande fonte de conhecimento sobre a essência da história como um todo.

Em Curitiba, o mais antigo cemitério da cidade, o São Francisco de Paula, que fica na região histórica do bairro São Francisco, já tem 164 anos. Por lá, são quase 6 mil túmulos que podem caracterizar e muito a história não só da capital do Estado, mas também do Paraná. E nem precisa ser um crítico historiador ou um especialista na área para sair de uma simples visita conhecendo um pouco mais até mesmo sobre a cidade.

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Manter viva a história da necrópole mais antiga da cidade é o que levou a prefeitura de Curitiba a criar as visitas guiadas. Ministradas por uma pesquisadora da Fundação Cultural, as visitas permitem ao público uma verdadeira viagem pela vida e pela história das mais de 70 mil pessoas enterradas no São Francisco de Paula.

Desde o ano passado, mais de quatro mil pessoas já tiveram a oportunidade de passar pelo cemitério olhando a necrópole com outros olhos. “É uma forma de as pessoas conhecerem de maneira indireta a história da cidade, seus personagens e suas personalidades, mas também fazemos com que as pessoas analisem sua associação com a morte”, explicou Clarissa Grassi, a pesquisadora responsável pela visita.

Empiricamente, segundo Clarissa, o cemitério reverbera e muito a cidade, existe até uma diferenciação dos bairros, como ao passar pela quadra 51 é possível perceber a semelhança com a região do Batel, por exemplo. “Inclusive, muitas relações de vizinhança são mantidas, o que é ainda mais interessante. Além disso, o cemitério pode ser um resumo simbólico não só nas relações sociais, mas em questões arquitetônicas, técnicas construtivas, referenciais artísticos, tudo reverbera aqui. É uma sobreposição de camadas e encontramos elementos da cidade, de personagens a construções, influências arquitetônicas, que fazem parte da existência da necrópole”.

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Keren fez a visita pela terceira vez. Foto: Felipe Rosa.

Keren fez a visita pela terceira vez. Foto: Felipe Rosa.

Para quem visita acompanhado de um guia, o conteúdo pode ser mais abrangente e é uma forma de aprender um pouco mais detalhadamente da história. “É um jeito de conhecer a cidade de forma diferente, porque você vê toda a parte histórica, artística. O conteúdo passado também agrega muito”, disse Keren Moura, comunicóloga que fez a visita pela terceira vez.

Por ser o primeiro cemitério de Curitiba, o São Francisco de Paula reúne algumas das principais personalidades paranaenses, como Barão do Serro Azul, André de Barros, José Hauer e até mesmo personalidades como Helena Kolody. Muitos nomes poderiam ser citados, mas nessa lista nunca ficaria de fora o jazigo de Maria da Conceição Bueno, conhecida popularmente como Maria Bueno, o mais visitado. “Mesmo com tantos nomes importantes, visitar o cemitério olhando com outros olhos desmistifica bastante. É dar corpo à história da nossa cidade, sem remeter à morte e sim a vida que foi vivida”, definiu Keren.

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Juliano Martins Doberstein é historiador e também já tinha feito a visita. Foto: Felipe Rosa.

Juliano Martins Doberstein é historiador e também já tinha feito a visita. Foto: Felipe Rosa.

Olhar para os túmulos e pensar no que tem ali, além de uma pessoa sepultada, é o que motiva o historiador Juliano Martins Doberstein a manter viva sua curiosidade pelos cemitérios. Filho de um homem, hoje aposentado, que trabalhava com arte tumular, ele aprendeu desde cedo a importância das necrópoles, mas reforça que não precisa de muito para que se aprenda. “Às vezes a gente passa por fora do cemitério e não faz ideia da história que tem ali dentro. Ali dentro tem muita cultura, muita informação histórica, e é só olhar de uma forma mais crítica, procurando aprender, que você vai perceber que um cemitério pode trazer muita informação”.

Outra visão

A data foi instituída pelo Abade Odilon, do mosteiro de Cluny, na França, por volta do ano de 1030, como um dia para celebrar a memória dos falecidos. A intenção era garantir que as almas não sofressem a ausência de orações, o que garantiria a salvação eterna de quem se foi. A data nunca foi vista com tristeza desde que foi criada, mas passou a ser celebrada de diversas formas pelo mundo.

No Brasil, é um dia de muita lembrança, mas visto pelas pessoas como um dia triste, com um tom mais solene. No México, por exemplo, o dia já é visto como uma data a ser comemorada, isso porque acreditam que, nos dois primeiros dias de novembro, os espíritos dos falecidos visitam seus parentes. Por lá, são prep arados banquetes em altares dedicados aos entes queridos, com comida, bebida, doces e o “pan de muerto”, tudo cuidadosamente arranjado nas casas para recepcionar as almas.

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As visitas, segundo Clarissa, surgiram também com o compromisso de fazer com que as pessoas desmistifiquem o clima mais tenso que circunda os cemitérios. “Buscamos tirar esse ranço de que o cemitério como um lugar interdito, um local negativo, e mostrar que existe muito mais do que pessoas sepultadas, existem histórias, memórias, declarações de famílias que falam de amor, saudades, mas também de indignação, contextos religiosos, políticos”, explicou.

Além de ser visto como um local histórico, o cemitério também pode ser entendido como uma reprodução física de como as coisas eram e como foram acontecendo. “É um testemunho dos tempos passados. Conhecê-lo, sobre essa outra ótica, é uma maneira de tirar essa coisa ruim de que é um local triste, silencioso, que não dá nem para conversar dentro de um cemitério”.

Visitas guiadas

Visita guiada ao cemitério municipal. Foto: Felipe Rosa / Tribuna do Paraná

Visita guiada ao cemitério municipal. Foto: Felipe Rosa / Tribuna do Paraná

As visitas, oferecidas gratuitamente pela prefeitura, são organizadas em três tipos: a padrão, feita mensalmente com uma abordagem mais geral; a temática, que sempre trata de um assunto específico e também as noturnas, que ocorrem a cada três meses e são três noites seguidas. As inscrições são abertas sempre uma semana antes de cada data e são feitas pelo e-mail visitaguiada@smma.curitiba.pr.gov.br. É permitida a inscrição de até quatro participantes e só precisa enviar o nome completo e o RG de cada um.

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Sobre o autor

Lucas Sarzi

Jornalista formado pelo UniBrasil.

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1 Comentário em "Visita a cemitério de Curitiba é uma aula de história no Dia de Finados!"


Dr. Petchúgas
Dr. Petchúgas
19 dias 17 horas atrás

Outro cemitério que conta muita da história do Paraná, é o de Paranaguá, porém o estado de abandono é terrível e lamentável. Sugiro outra reportagem nesse sentido…

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