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Curitiba

Por que a vacina contra meningite não é oferecida pelo governo? Dose custa até R$ 590!

Foto: Pixabay
Maria Luiza Piccoli

Chega a ser irônico. Enquanto nos Estados Unidos o sistema público de saúde se desdobra para convencer pais e responsáveis sobre a importância de cumprir os protocolos de vacinação infantil diante de uma das mais graves epidemias de sarampo dos últimos tempos, segundo publicação do periódico The New York Times, no dia 13 de março – no Brasil, a correria para manter as cadernetas em dia chega a ser quase desesperadora. Principalmente quando se fala da imunização contra a meningite meningocócica, que ganhou destaque no cenário nacional, nas últimas semanas, após vitimar o neto do ex-presidente Lula, o pequeno Arthur, de 7 anos, no início deste mês. Em Curitiba a procura pela vacina é tanta que diversas clínicas já sofrem com a falta de estoque.

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Diante da repercussão da morte do menino e da consequente onda de imunizações contra a meningite, a Tribuna foi atrás para saber: afinal de contas, a coisa está mesmo tão grave assim?

“O seguro morreu de velho”. Assim pensa Patrícia Escobar Canini Cubas, 37. Mãe dos pequenos Eduardo, de 2 anos e Milena, de apenas 5 meses, a dentista preferiu garantir as imunizações antes do assunto “virar moda”. “Nunca descuidei com nenhuma vacina da cartilha e, por própria recomendação do pediatra, sempre administrei aquelas doses extras que não fazem parte do calendário público de imunização”, revelou. Precavida, Patrícia optou por vacinar os filhos contra a meningite meningocócica (cujas doses são disponíveis apenas na rede particular) já nos primeiros meses de vida dos pequenos, a partir da liberação médica. “O Eduardo já tomou faz tempo então não preciso me preocupar. Já a Milena tomou a vacina B e a ACWY específica para a meningite meningocócica no início do mês, pouco antes do tema repercutir na mídia. Se eu tivesse deixado para depois talvez não tivesse conseguido vaciná-la”, observa a dentista que levou a bebê ao centro de imunização um dia antes da morte do pequeno Arthur Lula da Silva, no dia 1º.

Patrícia preferiu garantir as imunizações contra a meningite antes do assunto “virar moda”. Foto: Lineu Filho/Tribuna do Paraná

Patrícia preferiu garantir as imunizações contra a meningite antes do assunto “virar moda”. Foto: Lineu Filho/Tribuna do Paraná

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“Depois daquele dia virou um desespero, principalmente nas redes sociais”, disse. Membro de alguns grupos compostos por jovens mães no Whatsapp, ela conta que a meningite meningocócica, de repente, virou sinônimo de pânico entre colegas e amigas. “Todas queriam saber onde encontrar e o custo das doses para levar os filhos o mais rápido o possível”, lembrou a dentista, que pagou cerca de R$ 900 nas últimas doses aplicadas em sua filha menor. Como rastro de pólvora, em poucos dias, o possível risco de contágio por meningite meningocócica lotou postos de saúde e centros de vacinação em diversos bairros de Curitiba a ponto de muitos ficarem sem doses das vacinas B e ACWY e, mesmo passadas quase três semanas do “susto”, a situação não mudou muito.

Para saber a quantas anda a procura pela imunização contra a meningite, a Tribuna entrou em contato com cinco clínicas privadas em diferentes pontos da cidade e a reposta foi quase a mesma em todos os estabelecimentos. Há vacinas. Mas é bom correr já que, por conta da grande demanda, os estoques estão acabando rápido. Felizmente, a maioria dos centros de vacinação ainda conta com doses disponíveis e, do total de clínicas procuradas pela reportagem, apenas uma localizada no bairro Bigorrilho estava com vacinas ACWY em falta.

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Com preços que variam de R$ 330 a R$ 590, a administração das vacinas “B” e “ACWY”, é recomendada principalmente para crianças a partir dos 3 meses e adolescentes, que compõe os grupos de maior risco de contaminação pela meningite meningocócica. Disponíveis somente na rede privada de saúde, as vacinas fazem parte do calendário vacinal da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), o que levanta o questionamento acerca da necessidade de disponibilização das doses também pela rede pública, afinal, doença não escolhe classe social.

Polêmico, o assunto rende “pano pra manga”. Segundo o infectologista e conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), Jan Walter Stegmann, a distribuição de vacinas por parte da indústria farmacêutica leva em consideração fatores referentes à incidência das doenças entre a população e o próprio custo dos medicamentos. “O ideal é que todas as vacinas fossem disponíveis para todos porém, infelizmente, não é isso que acontece na prática. Quando se fala em meningite, o que vemos, é uma preocupação maior do poder público em imunizar contra os tipos mais comuns da doença e, como a meningocócica tem menor incidência, acaba ficando de fora da rede pública”, explica.

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Fora do calendário

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado da Saúde (SESA), afirmou que o calendário do Programa Nacional de Imunização (PNI) oferece à população brasileira 19 vacinas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), elas são disponibilizadas pela rede pública de saúde de todo o país, gratuitamente, para combater mais de 20 doenças.
A vacina meningocócica B é uma vacina inativada que previne meningites e infecções generalizadas causadas apenas pela bactéria meningococo do tipo B. Esta vacina está indicada para crianças, adolescentes e adultos com até 50 anos, dependendo de risco epidemiológico, conforme recomendações das Sociedades Brasileiras de Pediatria (SBP) e de Imunizações (SBIm).

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Atualmente, a vacina meningocócica B não está contemplada no calendário do PNI, portanto não está disponível atualmente na rede pública.

A definição das vacinas no calendário do PNI é de competência do âmbito federal (Ministério da Saúde), através de análises e diversos estudos populacionais.

Afinal, devemos nos preocupar?

Segundo Stegmann, a comoção em torno da morte de Arthur criou no imaginário popular um falso alerta em relação a um possível surto de meningite meningocócica no Brasil. A hipótese foi descartada pelas autoridades de saúde nacionais. “Não houve nenhum alerta pelo sistema público em relação a isso. Diante da possibilidade de qualquer epidemia, incluindo meningite, o governo implementa trabalhos de prevenção e imunização imediatamente. Neste caso houve muita repercussão e por conta disso as pessoas ficaram assustadas”, ressalta.
O especialista considera a importância da manutenção correta da imunização infantil e tranquiliza aqueles que, eventualmente, temam um possível surto de meningite. “É fundamental que os pais estejam atentos ao calendário vacinal estabelecido pela SBIM, principalmente em relação aos filhos pequenos. Porém não há motivo para pânico”, finaliza.

O que é meningite meningocócica?

Potencialmente fatal, a meningite meningocócica é uma forma grave de meningite bacteriana, altamente contagiosa, causada pela bactéria Neisseria meningitidis, também conhecida como meningococo. Caracterizada por uma inflamação nas meninges (membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal), a doença é mais comum entre bebês e adolescentes. Causada por uma bactéria presente em cerca de 25% da população brasileira, a meningite meningocócica vitimou 218 pessoas no Brasil em 2108, segundo o Ministério da Saúde. No mesmo período, 316 pessoas morreram em decorrência de outros tipos, mais comuns, da doença.

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Com evolução rápida, a meningite meningocócica, requer tratamento imediato após o diagnóstico. Os sintomas da doença incluem febre alta, forte dor de cabeça intensa, vômitos, dor e rigidez de nuca (dificuldade de encostar o queixo no peito), aparecimento de manchas na pele, confusão mental, falta de apetite, sonolência, agitação e sensibilidade à luz. Em bebês, sinais como convulsões, diarreias, choro agudo e falta de apetite também podem indicar infecção.

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Maria Luiza Piccoli

Maria Luiza Piccoli

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16 Comentários em "Por que a vacina contra meningite não é oferecida pelo governo? Dose custa até R$ 590!"


Eunicio Souza
Eunicio Souza
4 meses 1 dia atrás

para o pt a vacina era cara ,barato é dar dinheiro para ditaduras chavistas

Alvaro Barbarini
Alvaro Barbarini
4 meses 1 dia atrás

Vacina? Pra que? Tem coisa mais importante. Temos que pensar no carnaval 2020, futebol etc, etc.

JOAQUIM  TEIXEIRA IRA
JOAQUIM TEIXEIRA IRA
4 meses 2 dias atrás

Essa mãe é uma das retardadas, que tem medo de tudo e de todos. Se pudesse botava as crianças dentro de uma redoma. Mal sabe ela que no futuro terá que lidar com adolescentes inseguros, medrosos e sugestionáveis, aliás, tal qual mamãezinha. Vacinas é noções de higiene são importantes, mas algumas atitudes são dispensáveis. Por isso que o mercado de laboratórios é as clínicas de imunização judiam do consumidor.

Carlos Gomes
Carlos Gomes
4 meses 7 dias atrás

Infelizmente por só estar disponível na rede particular e ainda mais o caso famoso do neto de Lula, as clínicas particulares enfiam a faca sem dó.

George
George
4 meses 6 dias atrás

Não tem fundamento a respeito da morte do neto do Lula Carlos… Vacinei minha filha ano passado, e o valor dessas vacinas não variou muito. Essas vacinas são realmente caras mesmo.

Carlos Gomes
Carlos Gomes
4 meses 6 dias atrás

George, o caso que fez dar uma corrida nos postos de vacinação foi sim o caso do neto do Lula, caso vc não saiba, sim a vacina sempre foi recomendada e sempre foi cara (já vacinei algumas na minha filha), mas agora tem uma busca maior e preço em clínicas algumas sobem mais que sem o caso em questão.

Fabiano Duarte
Fabiano Duarte
4 meses 7 dias atrás

Tirem suas próprias conclusões mas foi o próprio Lula quem restringiu a vacina, ela já existia na época do PT, não sei se passou pela cabeça da colunista tomar partido com a matéria mas que fique registrado

Carlos Gomes
Carlos Gomes
4 meses 7 dias atrás

Exato em 2013 (e a explicação a época é que 3 das 5 vacinas que a lei tratava estavam no calendário, então a população que se vire com as outras 2, fora que as 3 que foi base do veto entraria mais faixas etárias), lamentável.

MARIANA  SOUZA DA SILVA
MARIANA SOUZA DA SILVA
4 meses 7 dias atrás

@fabiano Duarte é coxinha safa-DO!! O governo do PT quebrou a patente de vários remédios para fornecer gratuitamente nas farmácias populares!! Dar auxílio é coisa de comunista!! Agora vcs que aprendam a pescar!! rsrs O BOZO acabou de cancelar a aposentadoria dos idosos de baixa renda. já dos milicos não tirou nada!!

JOAQUIM  TEIXEIRA IRA
JOAQUIM TEIXEIRA IRA
4 meses 2 dias atrás

Calma, Marianta. O Bolsa Família, por enquanto, ainda segue. E mesmo sem ele, o preço da mortadela é baixo.

Fabiano Duarte
Fabiano Duarte
4 meses 6 dias atrás

Você deve ser dessas petistas fanáticas, sem noção, já vai ofendendo, não defendi lado nenhum somente expus a verdade, caso a jornalista esteja direcionando a culpa para o governo atual, o PT fez alguns planos beneficos ao povo mas roubou então pague

Fabiano Duarte
Fabiano Duarte
4 meses 6 dias atrás

E quanto a vacina, restringiu sim, fato, quanto a corrupção não existe lado, roubou, prejudicou, bens bloqueados e cadeia

Carlos Gomes
Carlos Gomes
4 meses 7 dias atrás

Rsrsrsrsr Mariana a reforma da previdência ainda nem iniciou votação rsrsrsrsrs, Lula vetou a vacina em 2013 (e a explicação a época é que 3 das 5 vacinas que a lei tratava estavam no calendário, então a população que se vire com as outras 2, fora que as 3 que foi base do veto entraria mais faixas etárias), lamentável.

Arauto D.
Arauto D.
4 meses 7 dias atrás

Esquerda ou direita só vão fazer caca no poder e só botar no do povo. Nem fiquem com essa ceninha aí de ficar defendendo um lado ou outro porque um dia vocês vão sorrir amarelo e pedir desculpa

Arauto D.
Arauto D.
4 meses 7 dias atrás

Caríssima essa vacina! Dono de laboratório de medicamento não tem lugar no céu mesmo…

MAIOR DO ESTADO
MAIOR DO ESTADO
4 meses 6 dias atrás

não só essa, qualquer vacina no particular custa mais de 200…

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