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Curitiba

Campo minado! Andar por calçadas de bairro de Curitiba é tenso. Só tem buraco!

Um passo para a esquerda, mais dois para a direita. Caminha um pouco, dá um pulinho, mas mede a distância para não cair no lugar errado. Olha onde pisa e mede bem o passo, para não torcer o pé. Parece uma coreografia de música, não é? Mas este é o “bailado” de quem anda nas esburacadas calçadas da Avenida República Argentina, no bairro Portão, em Curitiba, nas quadras antes e depois da igreja do Portão. A culpa do relaxo, diz a prefeitura, é dos proprietários de imóveis da região. Segundo ela, a responsabilidade pela conservação em frente aos imóveis é dos donos dos imóveis.

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Para não se machucar, não se pode desgrudar os olhos do chão, pois a calçada naquelas quadras tem muitos buracos e irregularidades. O piso não é plano e, se já é ruim para pessoas jovens e saudáveis, imagina para idosos, cadeirantes ou outras pessoas que tenham dificuldades de mobilidade.

A advogada Erica Goulart, 41 anos, precisa estar sempre bem arrumada para o trabalho e gosta muito de usar salto alto. Mas andar de salto na Avenida República Argentina é um desafio. Quando não quebra ou estraga, o salto enrosca no meio das pedras de petit pavê, tipo de calçamento que domina a região. “Eu sempre venho de salto mais alto. Hoje que eu vim com este mais baixo engatou nas pedras. Tive que tirar o pé do sapato, me abaixar, desengatar o salto do chão e calçar de novo. É um inconveniente”, lamentou a advogada, que já viu sua mãe ter um acidente feio em uma calçada de petit pavê, em outro canto da cidade. “Ela tropeçou na irregularidade da calçada, caiu e teve fratura exposta na patela. Teve que fazer cirurgia, colocar umas placas. A perna nunca mais voltou a ser o que era antes”, lamentou Erica.

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O balconista de uma casa de produtos naturais, Luiz Carlos Iargas, 60 anos, concorda com a advogada. “Quando não é mendigo no meio do caminho é pedra solta. Lá em Copacabana, que tem calçada com esse mesmo material, não tem pedra solta. Por que será? Porque aqui é em cima da areia é lá é colado?”, reclamou o vendedor. Diariamente Luiz Carlos vai conferir as pedras soltas que ficam na calçada entre a via dos carros e a canaleta do expresso, bem em frente à loja. Sempre que tem alguma pedra solta caída no asfalto, ele recolhe e coloca num local “seguro”. E a preocupação dele pode salvar vidas, pois quando passa o ônibus na canaleta, se tem pedra solta no asfalto o pneu do ônibus joga a pedra para longe. A parede da fachada da loja em que o balconista trabalha está cheia de buracos. “Já pensou se uma pedra dessa pega na cabeça de alguém? Na canela? Morre, fratura um osso”, analisa o vendedor.

Tombo

Foto: Denis Ferreira Netto/Tribuna do Paraná
Foto: Denis Ferreira Netto/Tribuna do Paraná

O empresário Telmo Rech, 66 anos, dono de uma imobiliária da região, conta que já presenciou uma idosa levar um tombo na frente do Portão Cultural, que fica bem em frente ao terminal do Portão. No local há luminárias instaladas bem no meio da calçada, que iluminam de baixo para cima a fachada.

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Mas apesar das luminárias serem planas e não oferecerem nenhum desnível em relação à calçada, elas “cegam” quem anda por ali à noite, quando as luzes estão acesas. Telmo presenciou o tombo de uma mulher de 70 anos, que teve a vista ofuscada pelas luzes. Quando ela deu uns passos para o lado, ainda com a vista confusa, não enxergou um buraco e teve hematomas em pernas e braços.

A culpa é de quem?

Conforme a Secretaria Municipal de Urbanismo (SMU), da Prefeitura de Curitiba, a responsabilidade pela construção e manutenção das calçadas é sempre do proprietário do imóvel em frente. Por isto, a prefeitura informou que os fiscais da SMU estão fazendo um levantamento das condições das calçadas nesta região e fará as devidas notificações de irregularidades aos proprietários. A prefeitura afirma que não recebeu nenhuma demanda, via Central 156, de melhorias nas calçadas da região. O único local onde há demanda são as calçadas ao pé da igreja.

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O vendedor autônomo Valdeci Silva está há dois anos numa cadeira de rodas por causa de um problema nas pernas. Há 12 anos Valdeci trabalha nos arredores da Igreja do Portão e tem enfrentado dificuldades para conseguir levar o sustento para seus cinco filhos. Com as mãos cheias de calos, ele precisa segurar com força a cadeira de rodas para passar pelas irregularidades das calçadas. A outra cadeira de rodas que tinha, era preciso trocar o pneu a cada seis ou sete meses. Em alguns trechos, a calçada é tão inclinada que a cadeira quase tomba e é necessário a ajuda de outras pessoas.

Pra não incomodar ninguém, muitas vezes Valdeci arrisca a vida e vai pela canaleta do expresso, onde não encontra quase nenhuma resistência no solo. “Mas eu tenho um amigo que diz que eu sou doido, que é perigoso eu morrer. Diz que nem vai mais me ajudar quando me ver na canaleta de novo”, lamentou o vendedor.

Foto: Denis Ferreira Netto/Tribuna do Paraná
Foto: Denis Ferreira Netto/Tribuna do Paraná.

O único trecho que é de responsabilidade municipal, diz a prefeitura, é o canteiro central. Se forem constatadas irregularidades nestes locais, a prefeitura irá proceder o conserto e adequação.

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Sobre o calçamento de petit pavê, ele é exigido para obras novas, quando da aprovação do projeto pela SMU, e as calçadas já existentes não precisam ser trocadas pelo paver. Podem ser mantidas no material atual, desde que em condições adequadas de acessibilidade.

A prefeitura ressalta que mantém a central de atendimento 156, que canaliza todas as demandas de problemas na cidade. O munícipe pode registrar seu pedido no 156, que encaminhará ao setor responsável para o tratamento adequado. “Não constam reclamações registradas na central 156 para o problema apontado, da queda da senhora na calçada”, diz a nota da prefeitura.

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Giselle Ulbrich

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