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Curitiba

A maioria dos brasileiros não consegue guardar dinheiro pra velhice

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Giselle Ulbrich
Escrito por Giselle Ulbrich

O que você está fazendo para garantir uma velhice saudável, tanto do ponto de vista físico, quanto financeiro? A pesquisa Longeratividade, feita pelo Instituto Locomotiva, a pedido da Bradesco Seguros, mostrou que as pessoas só começam a se preparar para a velhice a partir dos 50 anos, e que o medo de envelhecer é maior entre os jovens do que entre as pessoas com 50 anos ou mais. Apesar do medo, mostra a pesquisa, os mais jovens não estão conseguindo se planejar para uma velhice tranquila.

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A pesquisa Longeratividade mostra que 50% das pessoas com mais de 50 anos nunca pouparam nada e só 1/3 delas tem algum tipo de poupança. “É claro que não podemos atrelar a isso a ‘vagabundagem’, pois a grande maioria trabalhou a vida inteira, mas sempre com o orçamento apertado, por isto nunca conseguiram poupar”, analisa Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, que realizou a pesquisa.

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Uma de cada três pessoas com mais de 50 anos tem intenção de guardar dinheiro na poupança nos próximos meses. Mas bem provavelmente a maioria não consegue, como disse Meirelles, porque 58% delas afirmam que está difícil ou muito difícil pagar as contas do mês, por isso não sobra para poupar. 72% dos brasileiros (entrevistados de todas as idades) afirmam não ter nenhum dinheiro guardado. Apenas 13% possuem o equivalente a três ou mais meses de salário guardado. Para os brasileiros mais velhos (com mais de 50 anos), a porcentagem de dinheiro guardado sobe um pouco mais, porém não passa de 23% os que possuem de um a três meses de salário guardado.

Não guarda, mas quer conforto

Mesmo não conseguindo poupar, os brasileiros continuam acreditando que terão uma aposentadoria confortável. Enquanto 77% dos brasileiros abaixo dos 49 anos acreditam que estarão bem financeiramente na velhice, 69% deles ultrapassam os 50 anos com uma condição menos confortável do que imaginavam. 19% chegam aos 50 anos com a condição que imaginavam e apenas 12% tem uma condição financeira mais confortável do que planejaram.

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“Quantas pessoas sabem a diferença de curto, médio e longo prazo? Quantos poupam? Quantos têm um seguro de vida? As pessoas costumam poupar para viajar daqui um ano, mas não para o futuro. Independente da reforma da previdência, não acontecerá um milagre. Cabe a cada um olhar para o seu planejamento: de que forma vou viver mais e garantir a minha qualidade de vida?”, alertou Jorge Nasser, presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) e presidente da Bradesco Previdência.

Vai faltar grana

Entre os medos que as pessoas com mais de 50 anos têm, 25% delas temem as mudanças no corpo (sentir-se feio), 20% teme a falta de dinheiro, 18% teme a solidão e 14% a de sentir-se inútil.

O medo de “faltar dinheiro” faz sentido. A pesquisa mostrou que entre os brasileiros com mais de 50 anos, 44% estão aposentados e recebem, em média, R$ 1.574 de aposentadoria. No entanto, 39% ainda estão trabalhando, ou seja, 4 em cada 10 brasileiros estão no mercado de trabalho e recebendo, em média, R$ 2.126 de salário. 6% destas pessoas estão desempregadas e procurando emprego. Um medo que faz sentido pois, ao preço das coisas hoje em dia, R$ 2.100 quase não cobre as despesas da velhice.

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O gerontólogo Alexandre Kalache, sumidade brasileira no assunto longevidade, mostra que para uma velhice saudável, as pessoas devem pensar em quatro pilares: saúde, capital social (bom convívio com amigos e familiares), um teto sobre a cabeça e saúde financeira. “Mas também precisa de muito aprendizado e conhecimento, pois sem eles, não se atinge nenhum destes quatro pilares. Também é preciso que as pessoas tenham um propósito de vida, ao invés de não saber nem porque estão acordando”, alertou o gerontólogo.

Garantindo a grana

Foto: Divulgação/Bradesco Seguros

Jorge Nasser, presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi). Foto: Divulgação/Bradesco Seguros

A Reforma da Previdência passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Mas o grande questionamento da maioria dos brasileiros é: essa reforma vai funcionar? Vai cobrir o atual déficit da previdência? Vai garantir uma velhice mais saudável aos brasileiros?

Quem responde a pergunta é Jorge Nasser, presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi). Na verdade, ele não se posiciona dizendo que o texto está bom ou ruim. “É o melhor que podemos ter neste momento”, diz ele, que defende que toda a sociedade tem que entrar nessa discussão agora, até se chegar ao texto definitivo.

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Em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a FenaPrevi apresentou à equipe econômica do governo Bolsonaro uma proposta a ser colocada em debate, e que defende que a aposentadoria do brasileiro tem que ser calcada em quatro pilares. O primeiro deles é a previdência básica. Uma pesquisa mostra que a maioria dos brasileiros (75%) com mais de 65 anos não recebe mais que R$ 2.200 de renda (a aposentadoria do brasileiro, em si, tem média de R$ 1.200), sendo esse praticamente o teto do INSS (o teto, na verdade, é de R$ 5.800, mas pouquíssimos brasileiros atingem esse patamar).

Na proposta conjunta Fipe/FenaPrev, essa renda básica pode ser aumentada adicionando-se mais três pilares. O segundo deles é um sistema de repartição, que garante uma soma aos R$ 2.200. O terceiro é a possibilidade de utilizar o fundo de garantia, retirar no mínimo 30% dele (só para quem ganha mais que R$ 2.200) e aplica-lo numa conta individual, no regime de capitalização. “Mas no momento, o percentual a ser retirado do FGTS não é tão importante, e sim, a possibilidade de trazer uma fonte de renda que não é nova, mas que tem a oportunidade de ser muito melhor remunerada do que é hoje o fundo de garantia. A reforma atual não tem a capitalização. Na previdência nova, para novos contribuintes, nascidos a partir de 2005, defendemos essa capitalização individual”, analisa Nasser.

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O quarto pilar é uma opção de cada brasileiro em procurar uma previdência privada, na instituição que escolher, para aplicar dinheiro (contribuição única ou mensal) e conseguir essa complementação de renda no futuro. E ele ainda coloca a possibilidade de investir em algum seguro. A partir de R$ 30 ou R$ 40, dependendo da instituição, é possível investir nesse complemento de renda.

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“Se não reformarmos a previdência, seremos muito mais miseráveis que somos hoje. O Brasil ainda tem essa janela de privilégio, de reformar a previdência. Outros países sequer possuem essa oportunidade. Nós temos opções e temos espaço para discussão. E com uma visão republicana, somaremos nessa proposta, que sem dúvida nenhuma vai endereçar o país para uma retomada de um desenvolvimento econômico”, diz Nasser, referindo-se à proposta FenaPrev/Fipe dos quatro pilares de composição da aposentadoria, na reforma da previdência.

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Giselle Ulbrich

Giselle Ulbrich

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9 Comentários em "A maioria dos brasileiros não consegue guardar dinheiro pra velhice"


Evelyn Mello
Evelyn Mello
24 dias 9 horas atrás

“Se não reformarmos a previdência, seremos muito mais miseráveis que somos hoje” Nós quem cara pálida? Os Meirelles da vida ou os Bradescos?

Ana BM
Ana BM
24 dias 14 horas atrás

Me preocupo, com a segurança, no futuro , e se eu vou ter dinheiro para fazer minhas plásticas.

Luciano Santos
Luciano Santos
24 dias 15 horas atrás

Nosso país é o que tem a pior relação impostos x benefícios para a população. Se tivéssemos uma saúde publica com qualidade não precisaríamos gastar com planos de saúde por exemplo e economizaríamos esse dinheiro.

Tricolor Tricolaço
Tricolor Tricolaço
24 dias 15 horas atrás

Óbvio, a minoría que é a casta política desvia e rouba 90 % da previdência que seria o porto seguro da velhice do povo.

Solon da Silva Brasileiro
Solon da Silva Brasileiro
24 dias 16 horas atrás

A maioria dos brasileiros não tem dinheiro para uma vida minimamente digna quanto mais poupar para a velhice.
Moradias de antes da invenção do tijolo, alimentação como a de um animal machucado ou doente que não consegue suprir o mínimo de conteudo e energia (kalorias), saúde nem tem, e vai por aí afora.
Imagina guardar dinheiro para a velhice.

Carlos Gomes
Carlos Gomes
24 dias 17 horas atrás

Falta de educação financeira é grande, sem educação dificilmente mudara essa situação, o fato de trabalhar a vida toda não evita a tal “vag_abundagem” do texto, tem que ter controle financeiro, pois até quem ganha pouco se se organizar consegue poupar algo.

Maycon Silva
Maycon Silva
24 dias 18 horas atrás

Reflete o que esta gerando a resistencia para a previdencia: brasileiro assistencialista, e mais socialista do que quer aceitar.

Pabllo Vittar
Pabllo Vittar
24 dias 18 horas atrás

RPC como sempre sutil como uma carreta…

CIC CIC
CIC CIC
24 dias 18 horas atrás

quem sabe a população esta vivendo o hoje …

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