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Vida no Mercado

Foto: Átila Alberti/Tribuna do Paraná
Luiza Luersen
Escrito por Luiza Luersen

Quem vê seu Osvaldo Cardoso Vieira, de 92 anos, sentado em uma cadeira no Mercado Municipal, no centro de Curitiba, nem imagina que o olhar atento a todos os movimentos é fruto de longos anos trabalhando como comerciante no local. Com cabelos brancos bem penteados, mãos marcadas pelo tempo, roupa alinhada e muita simpatia, ele mantém sua banca no mercado desde 1958, ano em que o estabelecimento abriu. Ele conta que naquela época tudo era bem diferente e que o movimento era bem menor.

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“Há sessenta anos a gente começou com um banquinha de frutas e verduras. Devagarinho e aos poucos, com pouco movimento, fomos tocando assim mesmo. Com o passar dos anos vi que vender cereais seria um bom caminho, porque não estraga. Quando eu vi que era bom, eu aumentei a dose e aí eu continuei e tô aqui até hoje. Mudou muito, principalmente o movimento, que cresceu bastante depois da reforma. Naquela época o movimento era fraquinho e dava mais ou menos para sobreviver. Agora temos muitos clientes e eu gosto muito das castanhas, a gente se dedica mais a esse lado”, explicou com carinho.

Foto: Átila Alberti/Tribuna do Paraná

Elza Hosko Vieira de 86 anos e o marido Osvaldo Cardoso Vieira de 92 anos. Foto: Átila Alberti/Tribuna do Paraná

Neste mês o Mercado Municipal de Curitiba completou 60 anos na mesma sede, na Av. Sete de Setembro, no centro da capital, mas a história do estabelecimento começou oficialmente em 1820, com pequenas casas instaladas atrás da Catedral. Uma estrutura especial para o local foi construída somente em 1860, e depois mudou para a Praça Generoso Marques, em 1874, que foi demolida e deu lugar ao Paço Municipal. Depois disso foi levado para o bairro Batel, de 1915 a 1937, e novamente foi demolido. A sede atual só começou a ganhar forma em 1943 por meio do francês Alfred Agache, que desenvolveu o projeto. A inauguração aconteceu em 1958, época em que seu Osvaldo e sua esposa, Elza Hosko Vieira, 86 anos, abriram sua banca de cereais.

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Naquela época não tinha asfalto, nem viaduto e a Rodoferroviária sequer era projeto. O grupo de comerciantes apostou na ideia e somente alguns ainda estão no mercado para contar a história. “Nós já estamos na terceira geração de Mercado Municipal. Eu cheguei com o meu esposo e agora temos a filha que trabalha aqui, o neto e o bisnetinho, que é pequeno, mas que já vem pra cá trabalhar com ele. Tenho certeza que quando ele crescer vai trabalhar conosco também. Eu fico no caixa e aqui as coisas funcionam como antigamente, eu faço as contas no papel, não uso calculadora, não”, contou dona Elza, brincando em relação às novas tecnologias.

Público fiel

Atualmente, quem gerencia os negócios da família é Sissi Vieira, 61, uma das filhas do casal. Ela conta que os pais, mesmo com idade suficiente para se aposentarem, continuam trabalhando bastante e que os clientes sempre perguntam por eles. Alguns ainda revelam que chegaram até a loja por meio de parentes que frequentavam a loja lá em 1900 e ‘bolinha‘. “Pra mim é muito gratificante ver a terceira geração de clientes aqui. Atualmente o pai e mãe me ajudam na banca e é claro que a presença dele faz a diferença. Eu fico feliz com este reconhecimento e aqui vendemos cereais e outros produtos como geleias, azeites importados e por aí vai. Recentemente uma senhora veio até aqui e me contou que toda a família dela só compra em nossa banca. Além da venda, ainda fazemos amizades”, relatou animada.

Foto: Átila Alberti/Tribuna do Paraná

Foto: Átila Alberti/Tribuna do Paraná

“As amizades são realmente sinceras”, segundo Tadeu Natalio, 62. Apaixonado pelo mercado, ele brincava no lugar quando tinha apenas dois anos. “Eu conheço o seu Osvaldo por conta do meu pai, que era amigo dele. Quando me casei eu me mudei para um bairro vizinho e então ficou ainda mais fácil frequentar o lugar. Eu acho muito agradável, repleto de diversidade e carinho. Toda semana estou aqui e posso dizer que gosto muito. Antes as pessoas traziam coisas pra vender, como meu pai, que criava passarinho, vendia peixe. Me divertia muito e nunca deixava de tomar uma wimi com pastel. Por ano, posso dizer que apareço umas vinte ou trinta vezes por ano. Não preciso comprar nada, às vezes apareço só para conversar, mas de lá pra cá mudou bastante coisa, evoluiu muito”, relembrou animado.

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Movimento

Atualmente 65 mil pessoas passam pelo Mercado Municipal por semana. Mas, há 18 anos, esse número não passava de cinco mil. A sede atual triplicou de tamanho e no total são 17 acessos para a estrutura de 15,6 mil metros quadrados. Com tanta variedade de produtos, a distribuição acontece por meio de 362 “banquinhas” de verduras, carnes, queijos, vinhos, especiarias, decoração, cosméticos e vestuário. O mês de comemoração do aniversário é especial.

Para festejar a data está rolando um Festival Gastronômico recheado de atrações para o público, para mostrar toda a sua diversidade gastronômica. Os eventos começaram no dia 7 e vão até dia 11 de agosto, com aulas-shows e experiências culinárias sob o comando de vários chefes de cozinha que foram convidados. A programação foi dividida por temas, Cozinha Brasileira, Cozinha Plant Based, Cozinha Etnias, Cozinha Responsável e Cozinha Orgânica. Para cada tema, dois chefes de cozinha foram chamados e a participação é gratuita, basta chegar até 15 minutos antes.

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Luiza Luersen

Luiza Luersen

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2 Comentários em "Vida no Mercado"


emerson benkendorf
emerson benkendorf
2 meses 9 dias atrás

Produtos de ótima qualidade, mas com preços elevados.

CIC CIC
CIC CIC
2 meses 9 dias atrás

O Mercado Municipal são grandes atrações em cidades grandes, na nossa também é, porem e triste ver uma região cercado de noias, bêbados, mendigos…. mas o pior de tudo mesmo e o fedor que sai dos bueiros da região dá nojo de passar ali…..

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