Quem não gostaria de ter uma boa ideia, que melhorasse a vida das pessoas, aumentasse os lucros da empresa onde trabalha e/ou engordasse o próprio salário? Diariamente, independente de serem profissionais liberais, donas do próprio negócio ou colaboradoras de alguma empresa, muitas mulheres dão duro, se esforçando para alcançar este objetivo e, quando não conseguem, ficam acreditando que não são criativas o bastante. Mas quem entende do assunto afirma que as coisas não são bem assim. Isso porque uma boa ideia não nasce pronta e, segundo os especialistas, ser criativo é uma competência que pode ser trabalhada e desenvolvida.

Para o empreendedor criativo, fundador da Aldeia Coworking Curitiba e d’A Grande Escola, Ricardo Dória, a criatividade não é um talento ou um dom. Segundo ele, ter uma ótima ideia, que não necessite de nenhum ajuste, é algo raro e nunca aconteceu com ele ou com as pessoas que conhece. “O processo criativo é doloroso, trabalhoso, exige técnica e dedicação. O que acontece com frequência é a gente ter um pedacinho da ideia e, com ela, criar miniconexões que, aos poucos, a aprimoram”.

De acordo com Dória, acreditar em criatividade sem esforço é um erro. “As pessoas mais criativas são humildes, ouvem a opinião dos outros e compreendem que aceitar as críticas pode fazer com que uma ideia seja melhorada. Já quem tem medo de errar se frustra e bloqueia a criatividade”. Nesse sentido, ele sugere que as pessoas mudem o foco. “Ao lançar algo novo, o ideal é seguir como em um teste. Se o produto der certo, ótimo. Senão, ele ainda será um teste e não um erro, sendo mais fácil de ser superado. E esse conceito pode ser aplicado no trabalho. Você pode usar sua criatividade para propor novos projetos para a empresa”.

Referências

E mulheres como a designer Nieli Proença já perceberam a importância que a criatividade tem no ambiente de trabalho. Empreendedora e designer responsável pela agência Made 87, ela afirma que ser criativa é fundamental em sua profissão. “A criatividade é essencial em meu dia a dia, preciso de boas ideias para desenvolver meus projetos, na confecção das peças gráficas, na busca de soluções e no atendimento dado aos clientes”.

Para conseguir ter um bom repertório, que facilite o surgimento de novas ideias, Nieli busca sempre estimular sua criatividade, com atividades que possam servir de inspiração e aprendizado. “Eu alimento muito minha criatividade. Não nasci criativa, mas, ao longo dos anos, venho estimulando e acrescentando novas referências ao meu trabalho. Busco essas informações nos livros, na internet e em conversas com outras pessoas. São conhecimentos de diversas áreas que são absorvidos e passam por um filtro, sendo úteis no momento de criar algo novo”, diz a designer.

Diferencial em qualquer mercado

O professor de criatividade e inovação do Instituto Superior de Administração e Economia (ISAE- FGV) e consultor da Zest Business Imagination, Marcelo Alessandro Fernandes, estuda o assunto há 15 anos e assegura: há como aguçar a imaginação e a criatividade das pessoas. E isso é desejado pelas empresas, já que, cada vez mais, seus clientes buscam serviços e produtos inovadores, que tenham um colorido especial.

“Hoje, com o acesso fácil e rápido às informações, a maioria das empresas sabe exatamente o que seus concorrentes produzem, então, ser criativo é fundamental para quem quer se destacar. E, para expandir a imaginação, as pessoas precisam trabalhar de forma mais espontânea, olhando para as coisas com curiosidade, como se fosse pela primeira vez, sem reprimir as imagens e sensações que surgirem. A criatividade sempre vem de dentro para fora”, garante.

Já para a psicóloga do trabalho Andressa Roveda, o potencial c,riativo vem sendo cada vez mais valorizado e requisitado pelas empresas, sobretudo em algumas áreas. “Em algumas profissões, como contador e matemático, talvez a criatividade não seja fundamental, mas para quem lida com vendas ou com o público, ela é essencial”. Para desenvolver essa habilidade de “pensar fora da caixa”, ela aconselha que as pessoas busquem atividades que as façam sair da rotina, como montar um quebra-cabeça, ir para casa por um caminho diferente ou fazer algo que nunca fizeram antes, que seja desafiador, que estimule a curiosidade e que as tire de suas zonas de conforto. “Conversar com quem você não tem muito contato, falar sobre assuntos variados, frequentar ambientes novos, aprender um idioma diferente ou ter aulas de teatro pode estimular a criatividade e ajudar a vencer o medo de se expor”, sugere.