O Grêmio Maringá fez uma campanha medíocre no primeiro semestre de 1977 e foi parar na repescagem do Campeonato Paranaense daquele ano, com mais onze equipes. O campeão do torneio entraria no quadrangular final, junto com os melhores times da temporada. O Coritiba tinha um timaço, era hexacampeão e favorito para o sétimo título seguido. Era o furor dos anos 1970. Aí aconteceu o inesperado. O Grêmio venceu a repescagem, venceu o primeiro turno do quadrangular e foi para a final. No dia 25 de setembro, derrotou o Coritiba por 2 x 1, no Willie Davids, diante de 40 mil pessoas, e em 3 de outubro empatou por 1 x 1 no Couto Pereira. Parecia impossível, mas o Grêmio foi campeão paranaense, dando a Maringá seu terceiro título estadual.

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No Atlético: oito anos inesquecíveis.

Como isso aconteceu? O Grêmio chamou o técnico Wilson Francisco Alves (o Capão) para disputar a repescagem. No correr da competição, Capão montou um time robusto e de qualidade. Trouxe jogadores do Botafogo de Ribeirão Preto, do Rio de Janeiro e dois de Santos. O time atropelou os adversários. Eram jogadores experientes, como Itamar e Didi, que jogaram pelo Palmeiras. Mas ainda faltava um encaixe. Capão cobrou da diretoria um bom meia-esquerda. Como não havia dinheiro, ele indicou um garoto de 22 anos que jogava no Noroeste de Bauru. Era o estudante de engenharia Nivaldo Carneiro Rodrigues.

Quatro diretores foram buscá-lo num Mustang. “Era final de julho, eu vim dentro daquele Mustang, todo encolhido. Quando cheguei de madrugada em Maringá, estava com torcicolo, cheio de dores. Algumas horas depois fui para o primeiro treino sem condições, mas tinha torcida, diretoria, todo mundo queria me ver jogar. Entrei, joguei alguns minutos, fiz um gol e sai para cuidar do torcicolo”, recorda Nivaldo, que hoje é dono de uma empresa de engenharia em Curitiba. Sua estreia no futebol paranaense foi no dia 14 de agosto de 1977. No dia 21, ele marcou o primeiro gol no empate por 1 x 1 contra o Rio Branco, que garantiu a ida do Grêmio Maringá ao quadrangular decisivo. “No quadrangular, fiz gol nos jogos contra Atlético, Coritiba e Colorado”, recorda.

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No Maringá, título histórico.

Nivaldo não sabia, mas ali estava começando a história de uma lenda do futebol do Estado, que além do título pelo Grêmio colecionou outros três pelo Atlético. O desembarque no Rubro-Negro ocorreu em 1979. Os primeiros anos no Furacão foram difíceis. A situação financeira não andava nada boa. “O senhor Walmor Zimmermann emprestava ônibus para a gente viajar. A gente viajava no dia da partida, para economizar hotel. Muitas vezes íamos trocando de roupa no meio do caminho para chegar de uniforme no estádio. Lembro de uma vez que o ônibus parou na estrada, a gente foi para debaixo de uma árvore e o nosso lanche foi um misto frio, uma maçã, uma guaraná e um iogurte. As coisas não estavam nada boas. O Atlético sofreu até 1982”, recorda.

A partir daquele ano, vieram três títulos estaduais -1982, 1983 e 1985 – e uma campanha memorável no Campeonato Brasileiro de 1983. Depois de oito anos, o ciclo de Nivaldo no Atlético chegou ao fim. “Eu cheguei para a diretoria do Atlético e disse: se vocês não querem mais, então me liberem para o Coritiba”, recorda.

Nivaldo foi para o maior rival do rubro-negro, assinou contrato de um ano, mas acabou ficando apenas oito meses. Em setembro de 1987, o Evangelino Neves, pressionado pelos conselheiros, propôs a rescisão. “Ele chegou para mim e disse: Nivaldo, não aguento mais a amolação de uns conselheiros quando você joga. Eles dize,m que você não é Coxa, que você sempre foi Atlético, que não devia estar aqui. Me diga aí, o que nós podemos fazer? Respondi que o único jeito era encerrar o contrato”. Dali para frente, entreva em campo o engenheiro Nivaldo Carneiro Rodrigues.