A voz inconfundível, o belo charme e a forte presença de palco conquistam o público há mais de 60 anos. Sidney Magal, aos 75 anos, continua irreverente e hipnotizante. Em entrevista exclusiva para a Tribuna do Paraná, o artista celebrou a carreira, o sucesso e o carinho dos fãs.
O bate-papo não aconteceu ao acaso. Magal se apresenta em Curitiba no final do mês, no Teatro Positivo, e se mostrou super animado com o show – que promete um setlist animado, com sucessos da carreira e também versões dançantes de hits que também embalam o público hoje.
Ele comemorou, vibrou e de um jeito muito único e simpático, contou sobre sua fase complicada após um AVC hemorrágico que sofreu em maio de 2023. O artista também falou sobre a vida, longevidade e seu amor pelos palcos. Confira a seguir:
Um ícone da música comemorando seis décadas tem um peso, né? Qual é a tua sensação de olhar para a plateia hoje e ver que teu fervo atravessou tantas gerações? Desde a avós a netos, todo mundo dançando ao mesmo tempo. Como é que é isso?
Antes eu queria agradecer mais uma vez a Curitiba, ao Paraná, que sempre esteve presente na minha carreira desde a década de 70. E para mim é gratificante demais pela quinta, pelo quinto ano, voltar ao Teatro Positivo para mais um show. Vou até dizer para o pessoal, aproveita, hein? Aproveita que o velho está ficando velho. Aproveita porque esse é o quinto show. Eu estou completando 60 anos de carreira. De qualquer maneira, é o quinto ano que eu me apresento no Teatro Positivo. E é uma alegria muito grande, gente. As surpresas são tantas. Elas são tão gratificantes, tão legais, que aparece criança de 10, 11 anos de idade me imitando, pedindo para subir no palco para cantar comigo. Senhoras, como outro dia apareceu uma senhora, uma gracinha, coisa mais linda do mundo. Ela foi a dois shows meus seguidos e ela disse: “Olha, no primeiro eu estava com 103 anos, agora estou com 104”. Então você vê que o público varia tanto, né? Tanta gente que gosta de ser feliz com a música, não sou só eu que com certeza faço isso, todos os artistas, usam a música para levar muita alegria, muita emoção às pessoas. E é gratificante ver que o resultado continua sendo legal. Por isso que eu acho que eu deixei a barba branca, que é para mostrar: “Olha, vou mudar um pouco, hein? Agora eu sou um senhor, me respeite!” Mas o público continua me adorando. Eles continuam me olhando como Sidney Magal, aquele cara que canta, que sabe como cantar suas músicas e tem músicas maravilhosas.
Eu acho que toda a tua performance e todo o teu jeito de ser, que cativa também o público. E você tem toda uma versatilidade. O teu show, claro que vai dos teus clássicos, mas também vai de Tim Maia ao Arrocha da Pabllo. Quando você consegue transformar essas canções em ritmos ficam 100% Magal. Como é que você consegue fazer essa mágica?
É, você sabe que hoje a internet está proporcionando ao público artistas que se lançam, de repente tem uma música ou compõe uma música, lança na internet e acaba viralizando e sendo um grande sucesso. Na minha época, que é a mesma época de Gal Costa, de Caetano Veloso, de Roberto Carlos, de Fábio Júnior, nós lançávamos os nossos trabalhos, trabalhávamos muito em cima daquilo. E por isso mesmo tínhamos uma versatilidade muito grande para cantar repertório de colegas. Porque todo mundo sabia da carreira de todo mundo, todo mundo sabia o quão eram importantes as músicas. Coisa que hoje em dia é mais difícil, né? O cara às vezes tem uma música só, faz aquele sucesso e acabou. Mas na época nós tínhamos que fazer preservar as nossas músicas. E eu consegui isso dependendo única e exclusivamente do público. Porque se o público não quer, nada acontece. Mas o público quis “Sandra Rosa Madalena”, “Me chama que eu vou”, “Tenho”, “O Meu sangue ferve por você”. Não é nada, não é nada. São quatro, cinco clássicos da minha carreira que até hoje sobrevivem. Agora, isso é imprevisível. Joga-se a música no espaço e aí o público é que vê se quer acolher para o seu coração ou não. E, graças a Deus, as minhas músicas são muito bem acolhidas para o coração do Brasil inteiro.
Magal, pouca gente sabe lembra da sua formação no canto erudito. Depois de todo esse tempo você, claro, deve ter todo um rigor técnico. Ainda abriga um pouco esse molejo latino…
Obrigado pelo um pouco, você tá me ajudando. Você falou um pouco esse molejo latino, é verdade. Agora é um pouco mesmo, viu gente? Não estou esperando fazer estripulias em cima do palco. Os anos 70 já passaram, tem muito tempo. Mas, de qualquer maneira, é lógico que isso tudo ajudou muito. Mas eu acho que uma das coisas fundamentais para a minha carreira foi o respeito pelo público e a manutenção da minha voz, que isso é uma coisa que Deus faz pela gente.
Você acredita que três anos atrás eu tive um AVC. E foi um AVC hemorrágico que não me trouxe nenhuma sequela grave, graças a Deus. Mas a coisa que eu mais notei é que a minha voz ficou intocável e que nada aconteceu com a minha voz. Eu estou envelhecendo, mas minha voz continua possante, jovem. E eu acho isso uma dádiva realmente que a gente recebe de Deus. E o público gosta de ser respeitado. Se você respeita, tem consideração cada vez que abre a boca para falar qualquer coisa pública, se você respeita o público, esse público te respeita a vida inteira. Respeito gera respeito. Isso deveria ser o lema do nosso país.
Você montou um setlist para o público de Curitiba que promete ser bem envolvente. De todo esse tempo de carreira, de onde vem esse combustível para manter essa temperatura caliente no palco?
Olha, eu acho que isso vem primeiro lá do interior da gente. E vou te dizer uma coisa, eu confesso para os fãs e é bom que eles saibam que é muito cansativo pegar avião para cima e para baixo, ficar em hotéis, isso é uma coisa muito cansativa. Então fisicamente é onde eu sofro mais. Agora o público me dá aquilo que eu preciso quando eu subo no palco, que é energia. Quando o público está vibrando e cantando, eu vou me sentindo cada vez mais jovem e cada vez mais capaz de cantar. Isso é uma coisa que a gente não se livra rápido, não. Eu vou ficar com isso dentro de mim. Acho que até os meus últimos dias, porque essa troca com o público é que me faz inteiro no palco. Quer dizer, inteiro entre aspas, né, gente? Não cobrem de mim que eu dance lambada como eu dançava nos anos 90.
Para quem já fez tudo na música e no cinema, o que ainda faz o coração bater mais forte? Tem alguma coisa totalmente inédita que você gostaria de fazer, que ainda não realizou?
Não, eu nunca fui ambicioso nesse sentido. Eu nunca fiz planos para o futuro. Eu sempre pensei no hoje, sempre me diverti muito e vivi intensamente o hoje. Então eu acho que eu nunca parei para dizer assim: “Olha, eu gostaria de ser dublador de filme infantil”, como eu fui. Eu gostaria de ser ator de novela, como eu fui. Eu gostaria de fazer teatro musical, como eu fiz. Comerciais, que eu fiz já quase 40 comerciais ao longo da minha carreira. Então, tudo isso eu não imaginava nunca que eu poderia ser capaz de fazer. Mas me joguei com muita garra e com muita vontade, com muito bom humor. Eu acho que esse meu bom humor é que fez com que as coisas acontecessem. Graças a Deus, o povo brasileiro divulga a minha música. Até hoje, não precisam nem de mim. Quando você vê uma festa em Portugal, uma festa de rua, todo mundo cantando. Quando você vê um jogo de futebol como o do Botafogo cantando minha música, o estádio inteiro. Quando você vê tudo isso, é o público que está mantendo a minha carreira. Eles mantêm a minha carreira viva. Eu não tenho que me preocupar com o que vai acontecer amanhã. Eu só tenho que fazer questão de que a minha história seja muito bem lembrada por mim e pelas pessoas como uma bela história da música popular brasileira. Isso aqui é o meu sonho para todo o sempre quando não estiver mais aqui.
Serviço
Sidney Magal em Curitiba
Quando: 28 de março de 2026 (sábado)
Onde: Teatro Positivo (Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300)
Horário: abertura da casa às 20h15 e show às 21h15
Ingressos: os ingressos variam de R$ 90 a R$ 440 variando de acordo com o setor e modalidade escolhidos
DESCONTOS PROMOCIONAIS
ClubeDisk (para o titular e 2 acompanhantes)
Vacinado Covid (somente titular)
ONG Amigo Guaipeca (doação 1 kilo de ração)
Sócio Furação (para o titular e 1 acompanhante)
Clube Gazeta do Povo (para o titular e 1 acompanhante)
Associados OAB com carteirinha funcional – OAB/PR (para o titular e 1 acompanhante)
Clube Cult (para o titular e 1 acompanhante)
FORMA DE PAGAMENTO
· Dinheiro, PIX, cartão de débito e crédito.
· Parcelamento em até 10x com juros
Vendas: Disk Ingressos (diskingressos.com.br)
Pontos de Vendas:
Shopping Mueller: de segunda a sexta, das 10h às 22h, aos sábados, das 10h às 22h, e aos domingos, das 14h às 20h
Teatro Positivo: de segunda a sexta, das 11h às 15h e das 16h10 às 20h. Sábado das 17h às 21h. Domingo somente em dias de espetáculos
Teatro Fernanda Montenegro: de segunda a sexta, das 10h às 14h e das 15h10 às 18h. Sábado das 12h às 16h e das 17h10 às 20h
Classificação: 16 anos (Menores de 16 anos apenas acompanhados pais/responsável legal. Sujeito a alteração, conforme decisão judicial)
Realização: RW7 Production & Entertainment
