Se os móveis do restaurante Nayme parecem contar histórias, é porque eles contam mesmo. Do acervo de quadros à mobília do salão, quase tudo ali pertenceu à família da advogada de formação Yasmin Zippin Nasser. No entanto, o principal legado que herdou da avó Nayme não está na decoração, e sim na tradição e no compartilhamento junto à mesa.

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“O Nayme tem várias personalidades, ele é único. Não tem como abrir outro, porque a essência dele é única. A minha avó de fato existiu, não é uma história inventada. É onde eu estou todos os dias, no salão, na cozinha, em todos os setores”, conta a empresária.

Celebrando 12 anos em 2026, a casa no Batel nasceu de uma inquietação da advogada. Yasmin queria dar à culinária árabe a pompa e o requinte que Curitiba costumava reservar apenas às cozinhas europeias, como a francesa. “Nunca quis abrasileirar. É a comida do jeito que você come no Líbano, com receitas de família e insumos trazidos dos países árabes”, conta.

O restaurante é uma extensão afetiva da empresária da sua própria infância. Yasmin lembra com carinho de quando tinha poucos anos de vida e sentava no armário da cozinha da avó para receber, direto na boca, bolinhas de quibe cru moldadas na hora. “A gente nem tinha dente direito e já saía com bafo de cebola”, relembra. Essa memória afetiva traduz a filosofia da casa: comida fresca, feita no momento do pedido e pensada para o ritual do encontro.

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Na adega do restaurante, Yasmin guarda até hoje o armário que ficava na cozinha da Dona Nayme. O móvel tem três tábuas que saem como gavetas, onde a avó acomodava as crianças para servir o quibe cru feito na hora. “Minha mãe aprendeu a cozinhar com a minha avó e com a minha bisavó. Se você falar com qualquer família árabe, o lugar mais gostoso da casa é a cozinha. Fica a mulherada lá dentro rindo, contando história. É um ambiente muito feliz, e eu tenho essa memória viva da cozinha da minha mãe e da minha avó.”

Na cultura árabe, aponta Yasmin, a refeição é feita para durar. Citando o avô, que dizia que “à mesa não se envelhece”, ela defende o comer sem pressa. A fartura da mesa, repleta de opções que naturalmente contemplam vegetarianos e veganos (como o falafel, o babaganuche e o tabule feito em dois turnos diários no restaurante para garantir o frescor), reflete também a relação entre os próprios donos de restaurantes árabes na cidade, pautada pela generosidade e troca de fornecedores, sem espaço para rivalidade.

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Yasmin conta que a culinária árabe é muito saudável, baseada em usar ingredientes sempre frescos. “O tabule é feito no almoço e feito de novo no jantar. O quibe cru é batido na hora em que o cliente pede. O segredo é levar esse frescor das frutas, da romã, das ervas. Quando o cliente entra aqui, ele está entrando na casa de uma avó libanesa”, diz.

Hoje à frente de 48 funcionários, a empresária destaca a sintonia da equipe para manter o padrão do atendimento. Para os dias frios, o restaurante introduziu no cardápio um ritual de entradas quentes com sopas autorais, como a Barouk (carne cozida com lentilhas e espinafre) e a Alley (creme de pinhão com frango), e pratos principais quentes, como o Chich Baraks (massa artesanal recheada na coalhada quente) e o Fattet Hommus.

“A comida árabe é um ritual que te convida a demorar mais na refeição. A gente trabalha com comida, tem que colocar amor naquilo que está fazendo. Eu não abro mão da harmonia entre a nossa equipe, porque essa hospitalidade é a nossa essência. Sempre digo que o Nayme é uma homenagem à minha avó, e sei que lá de cima ela está muito feliz”, defende, com nostalgia.

Receita de Homus libanês

Rendimento: 850 a 900g

Ingredientes:

Para cozinhar o grão

  • 250 g de grão-de-bico seco
  • 1,5 litro de água para demolhar
  • uma pitada de bicarbonato de sódio
  • Aproximadamente 2 litros de água para o cozimento

Para o hommus

  • 500 g de grão-de-bico cozido e escorrido
  • 180 g de tahine
  • suco de dois limões-taiti frescos coado
  • Um dente pequeno de alho sem o broto do meio
  • Meia colher de sopa rasa de sal fino
  • Uma xícara de chá de gelo triturado, cerca de 4 a 6 pedras de gelo
  • Azeite extravirgem para finalizar
  • Grãos-de-bico inteiros e cozidos para decorar, opcional
  • Sumac para finalizar, opcional

Modo de preparo

Misture o grão-de-bico com a água e o bicarbonato de sódio. Deixe de molho por 12 horas. Descarte completamente a água do demolho e lave muito bem os grãos. Coloque-os em uma panela, cubra com água limpa e leve à fervura. Retire toda a espuma que se formar na superfície.

Acrescente uma pitada de bicarbonato e cozinhe em fogo baixo por aproximadamente 60 a 100 minutos. O ponto correto não é simplesmente macio: o grão deve estar quase se desfazendo. Quando apertado entre os dedos, deve se transformar em uma pasta sem oferecer resistência.

Durante o cozimento, retire as cascas que subirem à superfície. Depois de pronto, agite os grãos dentro da água para soltar mais cascas. Com o grão extremamente cozido, não é necessário descascar cada grão individualmente.

Processamento do grão-de-bico:

Escorra o grão-de-bico cozido. Ainda quente, processe-o sozinho por 2 a 3 minutos.

Se o equipamento não conseguir trabalhar, acrescente um pouco da água quente do cozimento e desconte essa quantidade do gelo que será utilizado posteriormente.

Espalhe o purê em uma cuba ou assadeira rasa e resfrie rapidamente. O purê precisa estar frio antes da adição do tahine, pois acrescentá-lo ao grão ainda quente pode prejudicar o sabor, a cor e a emulsão.

Coloque no processador o purê frio, o suco de limão, o alho, o sal e inicialmente 60 g do gelo triturado. Bata por 30 segundos. Com o processador funcionando, despeje o tahine em fio fino. Bata por pelo menos mais 3 minutos.

Acrescente o restante do gelo aos poucos, até atingir a textura desejada. O hommus deve terminar um pouco mais fluido do que será servido, pois ficará mais firme depois do repouso.

Finalização:

Primeiro, ajuste o sal. Somente depois corrija o limão. Se estiver muito espesso, acrescente mais gelo aos poucos. Não corrija a falta de sabor acrescentando muito alho. No hommus libanês, o alho deve aparecer ao fundo, nunca dominar.

Deixe descansar por pelo menos 30 minutos. Se estiver refrigerado, retire-o de 20 a 30 minutos antes do serviço. O hommus gelado demais perde aroma e cremosidade. Espalhe em um prato raso, faça uma cavidade com as costas de uma colher, coloque alguns grãos inteiros e finalize com azeite extravirgem. Se desejar, salpique sumac ao final.

Serviço:

Nayme Culinária Árabe
Endereço: Rua Coronel Dulcídio, 572 – Batel
Horário: todos os dias, do meio-dia às 23 horas
Telefone (41) 3308-1882