As gestantes estão no grupo de risco de contágio do coronavírus. Por isso, com o número de casos aumentando rapidamente no Brasil, muitas dúvidas têm surgido a respeito dos riscos que as grávidas correm neste momento, principalmente se podem transmitir a doença ao bebê.

O médico ginecologista e obstetra Marcos Takimura, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), responde a esses e outros questionamentos, além de garantir que, como em qualquer outro caso de pandemia, o importante é focar na prevenção.

1 – Mulheres grávidas correm maior risco de contrair o novo coronavírus?

O risco de infecção é o mesmo para qualquer ser humano, pois a maneira de ser infectado não depende necessariamente da questão imunológica ou da resistência orgânica do indivíduo, mas da presença do vírus em secreções que ele possa ter contato. Então, a mulher grávida corre o mesmo risco de contrair a doença que todos os demais.

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2 – Como o organismo da gestante reage diante do Covid-19?

A diferença da gestante está justamente na resposta do organismo ao vírus, pois as modificações imunológicas pelas quais a mulher passa durante a gravidez podem facilitar complicações no quadro de diversas doenças. Então, mesmo que ainda não existam dados sobre a reação das gestantes diante do novo coronavírus, já observamos essas complicações na epidemia do H1N1, em 2009, e a recomendação é, sem dúvida, a prevenção.

3 – Que precauções mulheres grávidas devem tomar?

Em uma situação de pandemia, a primeira precaução é intensificar a higiene pessoal, lavando muito bem as mãos. Para isso, o Centro de Controle de Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos recomenda a limpeza por, pelo menos, 20 segundos, com água, sabão e friccionando as mãos entre si. Nos casos em que não é possível fazer isso com frequência, a orientação é aplicar álcool na forma líquida ou gel com o mínimo de 60% de concentração, também friccionando as mãos.

4 – E como fica o uso de máscaras?

É importante frisar que as máscaras devem ser utilizadas por pessoas doentes e seus acompanhantes, e não por quem está saudável. Afinal, não é uma situação confortável para todos, então devemos restringir a esse público.

5 -Se a gestante sentir os sintomas do novo coronavírus, como deve proceder?

A recomendação é procurar o serviço médico que utiliza frequentemente – seja uma unidade básica de saúde, alguma clínica ou sua maternidade de preferência. Lá, a paciente será atendida por pessoas devidamente protegidas e qualificadas para isso e, se for levantada suspeita da doença, a mulher será encaminhada ao seu domicílio ou, em casos mais graves, para hospitais de referência no tratamento das complicações respiratórias provocados pelo Covid-19.

6 – É possível procurar diretamente um desses hospitais?

A recomendação é não procurá-los, pois são direcionados somente para casos graves. Então, se a gestante perceber sintomas como febre, tosse seca e falta de ar quando sua unidade de saúde não estiver aberta, ela deve procurar a maternidade sugerida em sua caderneta de pré-natal como referência de urgência e emergência. No local, a gestante será diagnosticada e, se necessário, encaminhada às unidades de alta complexidade.

7 – Se a grávida estiver saudável, ela pode viajar?

Em uma situação de epidemia, o recomendado é evitar viagens, tanto para outros países como para áreas no Brasil que já estão em situação epidemiológica. Portanto, só viaje para esses locais se for extremamente necessário.

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8 – Se a gestante contrair o novo coronavírus, ele pode ser transferido ao bebê?

Tudo o que sabemos veio a partir das infecções SARS-Cov e MERS-Cov, que também foram causadas por coronavírus na China e no Oriente Médio em 2002 e 2012, respectivamente. Naquelas situações, não houve evidência de transmissão do coronavírus da mãe para o bebê ou confirmação de que a doença pudesse prejudica-lo na gestação. O que se sabe, no entanto, é que as grávidas infectadas apresentaram maior incidência de parto prematuro.

9 – A mãe que contrai o coronavírus pode continuar amamentando?

Sim, ela deve continuar a amamentação, respeitando os cuidados de usar máscara, lavar bem as mãos e evitar o contato do bebê com secreções de tosse ou espirro. Isso porque, ainda não há evidência consistente de que o novo coronavírus seja transmitido pelo leite materno, mas sabemos que é por meio desse alimento que a criança adquire anticorpos importantes para defesa de seu organismo.

Como prevenir a contaminação por coronavírus

  • Lavar as mãos com frequência/ ou utilizar álcool 70%, principalmente antes de consumir algum alimento;
  • Utilizar lenço descartável para higiene nasal;
  • Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;
  • Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca, higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
  • Manter ambientes bem ventilados, evitar contato próximo com pessoas que apresentem sinais ou sintomas da doença;
  • Evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações;
  • Pessoas com sintomas de infecção respiratória aguda devem praticar etiqueta respiratória (cobrir a boca e nariz ao tossir e espirrar, preferencialmente com lenços descartáveis, e depois lavar as mãos).

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