Se hoje Curitiba ostenta uma identidade gastronômica madura, segura de si e cheia de vida, muito se deve a profissionais que, anos atrás, decidiram apostar no potencial da cidade. É o caso do chef Dudu Sperandio. À frente do Ernesto Ristorante há 15 anos, ele transformou sua bagagem internacional em uma das trajetórias mais sólidas da capital paranaense.
O caminho até as panelas do Ernesto não foi linear. Antes de se render à gastronomia, Dudu tentou a engenharia e a administração. “Fugi da faculdade”, confessa, bem-humorado. A verdadeira formação veio na prática, depois da formação no Centro Europeu, o chef imergiu em uma jornada de cinco anos trabalhando nos melhores restaurantes da Europa, passando por Londres, Milão e pelas Ilhas Bermudas.
Dessa imersão, o chef trouxe o conceito do Ernesto: uma casa italiana autêntica, com pratos de qualidade, cuja tradução mais pura é ver o “povo feliz e satisfeito”. Para Dudu, Curitiba tem uma semelhança com o norte da Itália. O clima, o hábito de receber bem e a cultura da adega criaram o cenário perfeito para o restaurante que, ao longo de uma década e meia, cresceu de forma orgânica, ganhando mais mesas e cores, mas mantendo a essência acolhedora.
A evolução do paladar local e a memória afetiva
Dudu testemunhou de perto a mudança no comportamento do curitibano. Se há 20 ou 30 anos existia o mito de que era preciso viajar para São Paulo para encontrar alta gastronomia, hoje o público confia, valoriza e investe no mercado local. Da feira ao menu internacional, o curitibano aprendeu a reconhecer o carinho e a qualidade. O chef resume essa evolução com uma metáfora precisa: a sofisticação está na entrega, seja nas mesas do seu restaurante, seja na fila de uma barraquinha de pastel de feira.
E quando o assunto é o topo das preferências locais, a resposta está na tradição familiar. Curitiba carrega uma forte herança da colonização italiana. “Massa fresca é lembrar da casa da avó”, pontua o chef.
É essa memória afetiva que explica o sucesso do prato mais vendido do chef: Fettuccine no Grana Padano com o Filé Mignon — uma combinação que sintetiza a cultura local. Embora misturar massa e carne bovina no mesmo prato não seja um hábito comum na Itália, ele é quase um belo coringa por aqui.
Para celebrar esse clima de fim de semana, de encontros sem pressa e comida que abraça, o chef Dudu Sperandio compartilha os segredos desse clássico para reproduzir em casa e curtir com quem ama.
Receita: Fettuccine no Grana Padano do Ernesto Ristorante
Rendimento: 4 porções
Ingredientes:
500 g de massa fresca ou grano duro
500 g de nata fresca
300 g de queijo tipo Grana Padano ralado
100 ml de leite integral
30 g de manteiga
30 g de farinha de trigo
Sal (apenas se necessário, pois o queijo já é salgado)
Modo de Preparo
Derreta a manteiga e misture a farinha de trigo. Quando virar uma pasta, acrescente o leite e cozinhe por 5 minutos.
Adicione a nata fresca e metade do queijo Grana Padano ralado. Cozinhe em fogo baixo até ficar cremoso (não precisa ferver).
Desligue o fogo e bata o creme com um mixer de mão, ou use o liquidificador, até homogeneizar.
Cozinhe a massa, misture ao molho e sirva imediatamente. Use o restante do queijo ralado para finalizar os pratos.
Dica do chef: muita alegria na hora de cozinhar.
Serviço:
Ernesto Ristorante
Endereço: Rua Myltho Anselmo da Silva, 1483 – Mercês
Horários: de terça a sexta, do meio-dia às 14h30, e das 19h à meia-noite. Sábado, do meio-dia às 16 horas, e das 19h à meia-noite. Domingo, do meio-dia às 16 horas. Fechado às segundas.
Telefone: (41) 4141-5477.
