O contador Mario Dombrowski, de 65 anos, não tem dúvidas da importância da campanha do Novembro Azul, que alerta para a importância da prevenção do câncer de próstata. Mario superou o câncer e teve que lidar com a doença que também acometeu a filha. Juntos, os dois superaram a doença que hoje segue controlada.

Quando se fala em câncer, principalmente câncer de próstata, os dados revelam o quanto é importante a prevenção. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) revela que um a cada seis homens terá câncer de próstata, mas com o diagnóstico precoce a chance de cura é de até 95%.

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Mario sempre esteve em dia com seus exames de rotina. Todos os anos, ele procurava fazer os exames preventivos de próstata com o urologista. Porém, em 2016, por um deslize, o contador acabou postergando o check-up para o ano seguinte. Como sempre teve os resultados dos exames normais, o atraso em fazer alguns exames não o preocupou. 

Em julho de 2017 Mario passou a sentir dificuldade ao urinar. Preocupado, ele procurou o urologista e realizou alguns exames. “Eu fiz o PSA laboratorial [Antígeno Prostático Específico, feito para diagnosticar câncer de próstata]. Na época, ele deu 104 mil, sendo que a média é de 0 a 4 mil. Ou seja, estava 100 mil acima do normal”, recorda o contador. 

Com o resultado do PSA, o urologista logo solicitou uma biópsia a Mario, para confirmar o diagnóstico. “Fiz a biópsia e ela deu positivo. Foi numa sexta-feira. No sábado eu tinha uma festa de aniversário da minha filha, que viajaria para os EUA no dia seguinte. Eu peguei o resultado e não contei pra ninguém da minha família, não queria estragar o fim de semana deles”, conta. 

Logo na segunda-feira seguinte, Mario contou sobre a doença para a esposa e para uma de suas filhas. Ao longo da semana, ele disse sobre o diagnóstico também aos outros filhos, familiares e amigos.

O apoio chegou rapidamente. Mario, por influência dos amigos, acabou procurando mais outros quatro médicos, que deram o mesmo diagnóstico. “Não foi por desconfiança, mas foi pela vontade dos amigos em querer ajudar que resolvi me consultar com outros médicos. Os cinco falaram a mesma coisa”, disse o contador.

As primeiras quimioterapias começaram e deixavam Mario debilitado. “A quimio me desmontava. Eu ficava ruim, sem paladar nenhum. Tudo que eu comia parecia isopor. Depois de dois, três, dias começava a reverter. Como o tratamento baixa a imunidade, sempre comi direitinho. E fui fazendo. Foi em junho de 2018 que a quimio acabou”, revela. Agora, Mario segue monitorando o câncer realizando exames a cada três meses. 

Filha também foi diagnosticada com câncer

Um ano depois de ter passado pela fase mais difícil da quimioterapia, Mario viu a história se repetir. Desta vez sua filha mais velha, Francine, de 41 anos, foi diagnosticada com câncer de mama em setembro de 2019. Para apoiar Francine, Mario chegou a ficar careca de novo, como forma de dar força à filha. 

Francine (ao centro), ao lado dos filhos e do marido. Foto: arquivo pessoal.

“Quando eu terminei meu tratamento, eu vi que deu certo. Primeiro, porque eu tinha uma paixão enorme pela vida. E a partir daí, eu comecei a dar valor a pequenas coisas. Quando veio o câncer da minha filha, a gente sentou, chorou. Disse a ela: ‘tenha meu exemplo para você ver que o que vale mesmo é você estar de bem com a vida’”, relembra ele. 

As quimioterapias de Francine terminaram em junho. “Graças a Deus ela não precisou fazer a mastectomia [retirada da mama]. Ela tinha dois nódulos, um quase desapareceu e outro diminuiu bastante. Fez quimio e algumas sessões de radioterapia. Agora está está recuperada. Demos todo o apoio para ela superar o fato”, revela, contente. 

Importância do diagnóstico precoce

De acordo com a médica oncologista da Clinipam, a prevenção deve ser o principal foco contra o câncer. “A prevenção e diagnóstico precoce precisam fazer parte do cotidiano. Engloba atividade física regular, alimentação saudável e manejo do estresse”, explica a médica. 

O consenso entre os médicos revela que a partir dos 40 anos de idade é recomendado começar a fazer os exames preventivos. As estatísticas revelam a importância: um a cada seis homens terá câncer de próstata, mas com o diagnóstico precoce a chance de cura é de 95%.

“Eu comecei a aderir às campanhas, principalmente Outubro Rosa, porque eu tenho sete mulheres em casa. São três filhas, esposa, duas netas e uma nota. Em novembro, eu alerto meus amigos. Depois do meu tratamento, eu sempre foquei em divulgar a importância da prevenção”, alerta Mario.