Usuários da Biblioteca Pública do Paraná (BPP) cegos ou com visão reduzida terão uma tecnologia especial a partir desta amanhã para ler livros, periódicos e outros acervos da instituição. São pequenos módulos que acoplados aos óculos do usuário fotografam, escaneiam e transformam textos em áudio, chamados OrCam MyEye. A leitura pode ser feita em português, inglês e espanhol.

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Os aparelhos foram cedidos pela Secretaria Estadual de Justiça, Família e Trabalho (Sejuf). Além da leitura de textos, o sistema também permite a identificação de pessoas a partir do escaneamento de rostos, além de reconhecer produtos, cores e até cédulas de dinheiro. “Mais que um leitor de textos, este sistema possibilita autonomia ao usuário e acesso ao amplo acervo literário que temos. Com esse dispositivo, contaremos com uma importante ferramenta para a inclusão”, comemora a diretora da BPP, Ilana Lerner.

“O atendimento e a política para a pessoa com deficiência é uma prioridade em nossa gestão e, quando conhecemos essa tecnologia, fizemos todos os esforços  para adquirir alguns equipamentos e iniciar um projeto-piloto”, explica o secretário da Sejuf, Ney Leprevost. “É uma política pública inovadora que vai oferecer opções reais e eficientes para que as pessoas cegas e com deficiência visual possam usufruir de todo o acervo da Biblioteca Pública. Mas, mais do que isso, o dispositivo permite uma conquista inédita na vida dessas pessoas. É emocionante ver a reação de um deficiente visual ao folhear um livro e, pela primeira vez, saber o que está escrito nele”, completa

No total, cinco OrCam MyEye foram adquiridos pelo governo do estado. Dois serão usados pelos frequentadores da BPP, dois serão destinados a bibliotecas do interior e um ficará na própria Sejuf, para eventos como a Feira da Cidadania.

Dotado de tecnologia revolucionária, o aparelho oferece independência às pessoas cegas ou com deficiência visual. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, há mais de 250 milhões de pessoas com deficiência visual em todo o mundo. No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que essa população é de 582 mil cegos e 6 milhões de pessoas com baixa visão. E, em sua maioria, elas têm acesso mais restrito à educação, à cultura e ao mercado de trabalho.

“Cerca de 80% das atividades que realizamos no dia a dia estão relacionadas à leitura. O OrCam MyEye proporciona, como ferramenta de visão artificial, o acesso à informação, esteja a pessoa onde estiver, e sem a necessidade de conexão à internet”, avalia Doron Sadka, diretor da Mais Autonomia, empresa que tem como missão disponibilizar a tecnologia no país. O equipamento pode ser utilizado para permitir a leitura tanto de livros, quanto jornais, revistas, placas de rua, cardápios de restaurantes, nomes de lojas, mensagens do celular, placas de sinalização e folhetos.

A pequena câmera inteligente fica acoplada nas hastes de qualquer par de óculos, escaneia e lê instantaneamente textos em qualquer superfície. Sua velocidade pode ser controlada, possibilitando a leitura de 100 a 250 palavras por minuto; permite escolher entre voz masculina e feminina; e tem comandos para pausar, adiantar ou retroceder a leitura – tudo isso offline.

O aparelho consegue ainda identificar cores e tonalidades, reconhecer pessoas e gêneros, rostos, informar a data e hora com um simples gesto de girar o pulso, cédulas de dinheiro (reais e dólares). Após o reconhecimento, retransmite a informação discretamente no ouvido do usuário.