A Casa Azul, casarão histórico no Largo da Ordem, está prestes a se tornar o novo lar dos ateliês de gravura de Curitiba. A mudança, que será oficializada na próxima terça-feira (17/03), marca um capítulo importante na preservação e continuidade das artes gráficas na capital paranaense.
O destaque da transferência é a prensa centenária Krause, um gigante de ferro fundido com cerca de uma tonelada, que já encontrou seu novo lar na Casa Azul. Este equipamento, encomendado pelo próprio Barão do Serro Azul diretamente da Alemanha no final do século 19, carrega em si a história da impressão gráfica curitibana.
Lourenço Duarte, impressor veterano da Fundação Cultural de Curitiba, ressalta a importância desse patrimônio: “Manter esse equipamento ativo cria oportunidades únicas para artistas e estudantes terem contato direto com uma das bases da produção visual”, afirma.
A mudança dos ateliês de Litografia, Impressão em Metal e Xilografia para a Casa Azul faz parte de uma reorganização maior, motivada pelas obras de restauro e modernização do Solar do Barão. Este rearranjo temporário garante a continuidade dos tradicionais cursos de gravura, responsáveis por formar gerações de artistas curitibanos.
Além da prensa, a Casa Azul abrigará um tesouro das artes gráficas: mais de 400 pedras de litografia, muitas de origem alemã. Maria Lucia de Julio, orientadora dos cursos, destaca o valor desse acervo para o patrimônio artístico da cidade.
A inauguração da Casa Azul como novo centro de gravura não apenas preserva técnicas seculares, mas também reafirma o compromisso de Curitiba com sua rica história nas artes gráficas. Do rótulo de erva-mate às embalagens das icônicas Balas Zequinha, a prensa Krause continua a ser testemunha e ferramenta da criatividade curitibana.
Com esta mudança, Curitiba reforça seu lugar no seleto grupo de cidades brasileiras que mantêm prensas históricas em atividade, garantindo que as novas gerações de artistas possam continuar explorando e inovando em técnicas que atravessaram séculos.



