A polilaminina é uma proteína polimerizada derivada da laminina, desenvolvida pela pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com potencial para regenerar lesões na medula espinhal. Ela atua como uma malha ou “andaime biológico” que orienta o crescimento de axônios e reconecta neurônios rompidos.

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Os primeiros resultados são animadores. Seis de oito pacientes apresentaram recuperação de alguma mobilidade motora de lesões até então consideradas pela medicina como irreversíveis. O nome da médica cai nas graças do brasileiro, que tem por costume movimentar a internet quando o assunto lhes convém. Campanhas como a que pede um prêmio Nobel de medicina para Tatiana já tomaram conta das redes sociais. Mas isso é possível?

Primeiro vamos entender um pouco mais sobre a polilaminina:

O que é

  • Versão laboratorial da laminina, proteína natural abundante na placenta e embrião, que forma estruturas para o desenvolvimento neural.
  • Extraída de placentas doadas e processada para criar uma rede polimerizada que suporta a regeneração tecidual.

Para que serve

  • Trata traumas raquimedulares agudos (lesões completas na medula espinhal torácica, T2-T10), aplicadas cirurgicamente em até 72 horas após o acidente.
  • Estimula reconexão neural, visando recuperar movimentos em paraplégicos e tetraplégicos.​

Resultados em voluntários

  • Em estudos experimentais pré-clínicos (8 pacientes), 6 (75%) recuperaram algum grau de mobilidade motora, superando taxas espontâneas de ~15%.
  • Casos isolados via liminares judiciais mostraram ganhos parciais, como controle de tronco ou passos auxiliados, mas sem dados sistemáticos.

Status das pesquisas

  • Mais de 25-28 anos de estudos pela UFRJ, com suporte da FAPERJ e parcerias como Cristália para produção em escala.​​
  • Resultados promissores em modelos in vitro, animais e pilotos humanos, validando segurança pré-clínica.

Testes clínicos

  • Fase 1 autorizada pela Anvisa em janeiro 2026, para 5 pacientes (18-72 anos) avaliar segurança e tolerabilidade; locais pendentes, início previsto em breve.
  • Foco inicial em riscos adversos; avanço para fases 2/3 depende de resultados positivos.

Previsão comercial

  • Sem data definida; depende de sucesso nas fases clínicas (1-3) e registro na Anvisa, processo que pode levar anos.
  • Cristália planeja produção nacional em escala, mas viabilidade depende de comprovação de eficácia em estudos maiores.

Entenda um pouco mais sobre o funcionamento da polilaminina

Produzida por polimerização da laminina-111 em pH ácido (~4.0), formando redes 3D estáveis com maior densidade de sítios de ligação para integrinas.​ Diferente da laminina comum (retículo 2D frágil), é glicoproteína trimérica com estabilidade mecânica superior.

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Liga-se a receptores integrinas nos neurônios, ativando sinalização que “rejuvenesce” células maduras, induzindo crescimento de novos axônios e neuritos. Orienta o alongamento axonal no ambiente lesionado, guiando impulsos elétricos e restaurando comunicação neural.

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A polilaminina aumenta sobrevivência neuronal, reconexão e recuperação motora, com eficácia 2x superior à laminina nativa em modelos experimentais. Necessita, porém, de fisioterapia para “instruir” axônios no direcionamento correto.

O “hype” pode conseguir uma indicação a um Nobel?

Não, iniciar uma campanha pública por um Prêmio Nobel para Tatiana Coelho de Sampaio não é plausível no momento, pois o processo é confidencial e baseado em rigor científico comprovado, não em petições públicas ou clamor popular. No entanto, o impacto potencial da polilaminina em regeneração neural poderia torná-la candidata futura se os testes clínicos confirmarem eficácia.

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O processo de um prêmio Nobel normalmente ocorre. Por nomeações de aproximadamente 3 mil nomes qualificados, entre professores, Nobel anteriores, e presidentes de academias. Não há participação popular. Inclusive a movimentação tende até a prejudicar a credibilidade da percepção sobre a pesquisa.

Fatores plausíveis

  • Pontos positivos: Descoberta inovadora em regeneração (similar a Nobel 2012 de células-tronco), resultados preliminares promissores (75% recuperação).
  • Obstáculos: Estudos em fase 1 inicial (2026), pré-prints não revisados; Nobel exige replicação global e tempo (média 20-30 anos pós-descoberta).