O Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, região metropolitana de Curitiba, iniciou um projeto inovador que oferece cirurgias cardíacas robóticas para idosos atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, parte do Projeto Idoso 360, é viabilizada por meio de recursos captados via renúncia fiscal e tem previsão de realização até 2026.
O uso da tecnologia robótica em cirurgias cardíacas representa um avanço significativo no tratamento de pacientes idosos. Dr. Rodrigo Ribeiro de Souza, cirurgião cardiovascular do hospital, destaca as vantagens: “Para pacientes idosos, isso representa vantagens importantes, como menos dor no pós-operatório, menor sangramento, redução do risco de infecções, menor tempo de internação e recuperação mais rápida”.
A renúncia fiscal como catalisador da inovação no SUS
O projeto evidencia o papel estratégico da renúncia fiscal no fortalecimento da qualidade assistencial no SUS. Stephanie Formoso, gerente de Investimento Social do Hospital Angelina Caron, explica: “Com os recursos captados por meio da renúncia fiscal, conseguimos financiar justamente a camada tecnológica e assistencial que o SUS ainda não cobre. Isso permite oferecer ao paciente um tratamento mais moderno, menos invasivo e com melhores desfechos clínicos”.
O Projeto Idoso 360 conta com investimentos de cerca de R$ 23 milhões, dos quais aproximadamente R$ 1,6 milhão são destinados à aquisição dos kits necessários para as cirurgias robóticas. A expectativa é realizar até 30 procedimentos desse tipo em 2026.
Atendimento integral e multidisciplinar no projeto Idoso 360
A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do hospital, baseada no conceito de atendimento 360. Essa abordagem visa olhar de forma integrada para toda a jornada do paciente, desde o encaminhamento pela atenção básica até a recuperação.
Na prática, isso significa investir não apenas em tecnologia, mas também em infraestrutura hospitalar, modernização do parque tecnológico e, principalmente, na atuação de equipes multidisciplinares. Profissionais como fisioterapeutas, psicólogos e fonoaudiólogos são fundamentais para a recuperação do paciente.
Os pacientes atendidos pelo projeto seguem o fluxo tradicional do SUS, sendo encaminhados ao hospital por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A seleção considera critérios médicos e aspectos sociais, priorizando pacientes que dependem exclusivamente do sistema público e residem na região de atuação do hospital.
A cirurgia robótica é realizada por pequenas incisões entre as costelas, evitando a abertura completa do tórax. O procedimento é controlado pelo cirurgião com movimentos extremamente precisos.
Impacto social e formação profissional em hospital-escola
Além do benefício direto aos pacientes, o projeto contribui para a formação de profissionais e o avanço da prática médica. Como hospital-escola, a instituição integra os procedimentos ao processo de formação de residentes e à produção científica.
Stephanie Formoso ressalta o compromisso do hospital: “Nosso compromisso é cuidar com excelência e investir com propósito. A gente entende que, por trás de cada investimento, existe uma vida, uma família e um futuro”.
O Projeto Idoso 360 demonstra como a colaboração entre setor privado, poder público e sociedade pode resultar em avanços significativos na saúde pública, oferecendo tratamentos de ponta a pacientes que, de outra forma, não teriam acesso a essas tecnologias.
