A ashwagandha, conhecida popularmente como ginseng indiano, tem ganhado destaque no mundo dos suplementos naturais como uma planta adaptógena capaz de ajudar o corpo a lidar com o estresse. Utilizada há séculos na medicina ayurvédica, essa erva promete melhorar o sono e aumentar a vitalidade física e mental, mas seu uso no Brasil enfrenta restrições importantes. Porém, esta substância não é recomendada pela Anvisa e tem perigos ocultos.

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Quando se trata dos potenciais benefícios, a lista é extensa. A redução do estresse e ansiedade aparece como um dos principais efeitos, graças à capacidade da planta de equilibrar os níveis de cortisol – o famoso hormônio do estresse. Estudos indicam que o uso regular pode proporcionar uma sensação de calma e bem-estar, além de melhorar a qualidade do sono em casos de insônia leve.

Para quem pratica atividades físicas, a ashwagandha surge como aliada potencial. Pesquisas sugerem que ela pode aumentar a força muscular, a resistência e acelerar a recuperação após os treinos. Não por acaso, o suplemento tem ganhado popularidade entre atletas amadores e profissionais que buscam otimizar seus resultados.

Na questão hormonal, algumas pesquisas apontam para um possível aumento nos níveis de testosterona e melhora na fertilidade masculina. Já para a função cognitiva, a planta parece atuar na proteção do sistema nervoso, auxiliando no foco, memória e clareza mental – benefícios cada vez mais valorizados em tempos de sobrecarga de informação.

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Os extratos disponíveis no mercado internacional variam em concentração e efeitos. O KSM-66, padronizado a 5% de vitanólidos e extraído apenas da raiz, é o mais pesquisado para resistência física e estresse crônico. Já o Sensoril, uma mistura de raiz e folha com 10% de vitanólidos, costuma ser associado a efeitos mais sedativos e relaxantes para o sono. Para quem busca efeitos rápidos de calma, o Shoden, altamente concentrado (35% de vitanólidos), permite doses menores.

A dosagem comum para extratos padronizados varia entre 300 mg e 600 mg por dia, com efeitos completos podendo levar de duas a dez semanas para serem notados. No entanto, é fundamental observar que essas informações são relevantes principalmente para consumidores de outros países, já que a situação da ashwagandha no Brasil é bem diferente.

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Desde novembro de 2022, a Anvisa proibiu a comercialização, distribuição, fabricação e importação de produtos com ashwagandha como suplemento alimentar no Brasil (Resolução-RE nº 3.669/2022). A planta foi classificada como medicamento sem registro/notificação, não sendo autorizada como ingrediente de suplementos.

A decisão da agência reguladora veio após a identificação da venda de produtos sem o devido registro, segurança e eficácia comprovada. Para os brasileiros interessados nesse adaptógeno, o único caminho legal é através da manipulação individualizada em farmácias autorizadas, sempre com prescrição médica ou de nutricionista.

Apesar da popularidade crescente, é importante estar atento aos potenciais efeitos colaterais. Embora seja geralmente considerada segura para uso por até três meses, a ashwagandha pode causar desconforto gastrointestinal, como náuseas, diarreia, sonolência e dor de cabeça. Em casos raros, foram relatados episódios de toxicidade hepática.

Os perigos ocultos da ashwagandha – O que você precisa saber!

As contraindicações também merecem atenção especial. A planta não é recomendada para gestantes, lactantes, pessoas com doenças autoimunes ou distúrbios da tireoide sem orientação médica adequada. Para quem tem câncer de próstata, o uso deve ser evitado devido ao possível aumento da testosterona em casos de tumores sensíveis a hormônios.

As interações medicamentosas representam outro ponto de alerta. A ashwagandha pode potencializar o efeito de sedativos e ansiolíticos, aumentando o risco de sedação profunda quando usada com benzodiazepínicos ou remédios para dormir. Também pode reduzir excessivamente o açúcar no sangue se combinada com medicamentos para diabetes, anular o efeito de imunossupressores e causar excesso de hormônio tireoidiano quando associada à levotiroxina.

No Brasil, consumidores interessados nos benefícios adaptógenos podem buscar alternativas legais para manejo de estresse e sono que são devidamente aprovadas pela Anvisa. O mais importante é sempre consultar um profissional de saúde antes de iniciar qualquer suplementação, especialmente quando se trata de substâncias com potenciais interações medicamentosas e efeitos colaterais.

O que você precisa saber sobre a Ashwagandha

  • O que é ashwagandha e para que serve? Conhecida como “ginseng indiano”, é uma planta adaptógena milenar da medicina ayurvédica.
  • Controle do Estresse: Seu principal benefício é o equilíbrio dos níveis de cortisol, ajudando a reduzir a ansiedade e promover a calma.
  • Qualidade do Sono: Estudos indicam eficácia em casos de insônia leve, auxiliando no relaxamento profundo.
  • Performance Esportiva: Ganhou espaço entre atletas por auxiliar na força muscular, resistência e recuperação pós-treino.
  • Alerta Legal: Apesar dos benefícios, o suplemento possui restrições de comercialização no Brasil, exigindo cautela e orientação profissional.
  • A ashwagandha aumenta a testosterona?
    Sim, a ashwagandha pode aumentar a testosterona, especialmente em homens estressados ou com níveis baixos, ao reduzir o cortisol, o hormônio do estresse, que inibe a produção hormonal, criando um ambiente mais favorável para a testosterona.