Portos Casela / O Estado do Paraná
Partes das mercadorias estavam
no Mato Grosso do Sul.

Um golpe que chegou à cifra de R$ 1 milhão e fez dezenas de vítimas foi descoberto pela delegacia de Campo Largo. Duas pessoas foram presas e outra está com mandado de prisão preventiva decretado, todas acusadas de envolvimento com uma distribuidora de alimentos que “evaporou”, deixando saldos e mais saldos a pagar.

O estelionato teve origem com a criação da Paulista Distribuidora de Alimentos Ltda., empresa legal que se instalou há três meses num barracão, na Rua Padre Natal Pigatto, centro de Campo Largo. A empresa comprava os mais variados gêneros alimentícios e os distribuía a mercados e similares, naquele município, em Curitiba e até no Estado de São Paulo. Para disfarçar, no início pagava as contas regularmente, obtendo credibilidade na praça.

Quando já mantinha cadastro de clientes respeitável e havia efetuado diversas compras, boa parte com cheques pré-datados, a Paulista simplesmente desapareceu. Na madrugada de 13 de julho as portas foram fechadas e todos os produtos, a mobília e o material de escritório sumiram do barracão alugado.

Na manhã do mesmo dia, as primeiras vítimas – que foram à empresa cobrar cheques sem fundo e deram com a cara na porta – registraram queixa na delegacia da cidade. O trunfo da polícia era a placa anotada de um dos caminhões normalmente vistos em frente ao barracão. “Estranhamos o porte da distribuidora e já a monitorávamos”, falou a delegada titular de Campo Largo, Maritza Haisi.

Posto fiscal

Através da placa, ainda no dia 13 a delegacia localizou o proprietário do caminhão, que não sabia do golpe. O caminhoneiro contou que havia carregado alimentos na Paulista e estava parado no posto fiscal de Naviraí (MS), pois faltava pagar a diferença entre a alíquota do ICMS paranaense e a do sul-matogrossense. Quando o responsável pela encomenda, José Antônio Menão, 39 anos, apareceu para quitar o imposto, foi preso em flagrante.

Segundo a polícia, Menão era responsável por outra empresa, aberta há dois meses em Fátima do Sul (MS), e que era o destino final do frete. Dentro do barracão da firma, a polícia encontrou muitos dos produtos alimentícios retirados da Paulista sem serem pagos. O volume do material, trazido de volta para Campo Largo pelos investigadores Wilson e Caetano e pelo superintendente Everson Haisi, foi suficiente para encher seis carretas.

Mais tarde, a polícia deteve Sérgio Guadanhini, 46 anos, primo de Menão. Segundo a delegada, Sérgio era uma espécie de sócio da Paulista, responsável pelas encomendas e pela gerência da firma. À reportagem da Tribuna, ele disse que nunca trabalhou na empresa e que não conhecia o proprietário legal dela, Carlos Alberto Boscarini, que está com prisão preventiva decretada. Outras mercadorias, que encheram mais um caminhão, foram encontradas no barracão de uma distribuidora de bebidas de Assis (SP), perto de Cândido Mota – cidade de origem de Boscarini, que tem passagem na Polícia Federal por contravenção ligada a jogos de azar.

Até ontem, 30 empresas haviam prestado queixa contra a Paulista – uma delas efetuou vendas de R$ 150 mil e não foi reembolsada. As mercadorias que foram recuperadas no Mato Grosso serão devolvidas aos respectivos donos. “Certamente há mais vítimas que só saberão que foram lesadas quando os cheques pré-datados retornarem”, falou a delegada, que estima em R$ 1 milhão o valor dos produtos apoderados pela Paulista. “Eles certamente aplicariam o mesmo golpe no Mato Grosso do Sul e podem tê-lo feito em outras partes do País”, disse Maritza, que indiciou todos os acusados por estelionato.