Lucimar do Carmo / O Estado do Paraná
Mirlei chegou no meio da
tarde de ontem a Curitiba.

Mais conhecida como a “baronesa do sexo”, Mirlei de Oliveira, 47 anos, foi presa ontem, em balneário Camboriú (SC), por policias do 1.º Distrito Policial de Curitiba. Ela estava com mandado de prisão decretado e para apanhá-la foram “grampeados” alguns telefones.

Uma ligação feita por Mirlei a duas garotas de programa, as quais pretendia contratar, foi que denunciou a cafetina. Pelo telefone, ela marcou encontro com as jovens na Avenida Atlântica. Quando chegou para fazer as negociações, foi surpreendida pelos policiais, comandados pela superintendente Juliana Moschetta, e recebeu voz de prisão. Mirlei é acusada de extorsão, tráfico de drogas e lenocínio (fomentar, favorecer ou facilitar o exercício da prostituição), além de manter escravas brancas – uma vez que comercializava garotas de programa em várias cidades do Brasil e exterior, tendo seus “negócios” expandidos até mesmo para a Europa e África.

A “baronesa do sexo” chegou em Curitiba por volta das 15h30. Saiu calmamente de uma viatura descaracterizada, escoltada por policiais. Mas quando entrou no prédio do 1.º DP, cobriu o rosto e começou a chorar. Na sala do delegado-chefe, Silvan Pereira, Mirlei não quis falar nada sobre as acusações e a prisão. Apenas disse que queria ficar sozinha. “Não faz isso comigo, não. Pelo amor de Deus. Eu tenho muitos problemas”, balbuciou, ainda em lágrimas. Ela foi encaminhada para o 9.º Distrito Policial após conversar com o seu advogado.

Prostíbulo

Mirlei ficou conhecida como “baronesa do sexo” depois de agir durante anos como uma das mais famosas cafetinas de Curitiba. No final de agosto, uma ex-garota de programa denunciou à polícia que foi vítima de extorsão. M.L., 23 anos, contou que começou a fazer programas sexuais aos 19 anos, contratada por Mirlei. Mas fugiu para os Estados Unidos, de onde retornou para contar o que sabia para a polícia brasileira.

Após a denúncia, outras três ex-garotas de programa procuraram o 1.º Distrito e contaram que viviam sob o terrorismo de Mirlei. De acordo com os depoimentos, elas eram obrigadas a prestar conta de tudo o que recebiam, como roupas e produção em um sofisticado salão de beleza, além de ganhar muito pouco pelo trabalho. Caso resolvessem deixar a casa de Mirlei, eram ameaçadas por ela. A partir das denúncias, foi aberto inquérito policial e decretada a prisão temporária da acusada. A Justiça também concedeu mandado de busca e apreensão para que os policiais entrassem na chácara de Mirlei, em Colombo, onde funciona uma das casas de programa mais freqüentadas da Grande de Curitiba. Lá, a polícia encontrou vários documentos que comprovam a ligação de Mirlei com a rede de prostituição. Foram apreendidos cadernos, agendas e computadores com os esquemas diários das atividades do prostíbulo e agenciamento. O material ainda está sendo analisado pela Justiça. A polícia já tinha informações que mesmo foragida, Mirlei continuava gerenciando o prostíbulo, o que foi confirmado no momento da prisão, quando ela contratava duas garotas de programa.