Quinta-feira, Rio de Janeiro. Pela enésima vez, a estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade sofre com o vandalismo. Como se fosse por brincadeira cruel, alguém tirou de novo os óculos da estátua. Mais uma vez, a população irá pagar para que um dos símbolos da Cidade Maravilhosa esteja inteiro.

Sexta-feira, Curitiba. A estátua de Buda, destaque da revitalizada praça do Japão, é retirada do local por causa do ataque de vândalos. A estátua de bronze – teve a cabeça separada do corpo. Ela terá que ser restaurada para ser recolocada no local, que teve uma recuperação completa para a comemoração do centenário da imigração japonesa no Brasil. Quem pagará a conta? Nós, contribuintes.

Não há motivos para se depredar o patrimônio público sejam estátuas, telefones, postes de iluminação, ônibus, paredes de prédios, mobiliário em geral e as árvores dos parques. Cada peça quebrada, cada óculos roubado, cada estátua que é partida, cada ato de vandalismo só prejudica a cidade como um todo, e todos os cidadãos em particular. É do nosso dinheiro, inclusive do vândalo, que se retirará o necessário para a devida reforma.

O que entristece é que tais atos parecem feitos por vândalos que simplesmente querem aparecer para suas gangues ou para provar força na disputa com outros grupos. Ricos ou pobres, levam isto na conta da vontade de transgredir, como se tal ato significasse a coragem necessária para diferir os jovens dos adultos.

Como aconteceu com a exposição das vacas ?ornamentais? da Cow Parade, que passou com sucesso em todo o País, mas que em Curitiba foi um fracasso retumbante. Por quê? Porque pessoas desprovidas de inteligência resolveram depredar os artefatos, inclusive jogando uma delas de uma escadaria. Ações de arte como esta dificilmente voltarão para a capital paranaense, cantada em prosa e em verso como terra de pessoas educadas e politizadas. Elogios injustificáveis em vista do acontecido.

E o poder público tem toda razão de diminuir os investimentos caso queira no embelezamento da cidade. Para que investir e planejar se, semanas depois, todo o trabalho de artistas, arquitetos, engenheiros e operários é jogado fora?