Brasília – A divulgação de informações sigilosas relativas à Operação Furacão, da Polícia Federal (PF), levou o ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal (STF), a determinar a abertura de inquérito na PF para investigar e apurar os responsáveis. O ministro preside o processo de investigação, que corre no STF sob segredo de Justiça.

Entre os 25 detidos pela Operação Furacão, estão contraventores, delegados e magistrados acusados de crimes como corrupção, tráfico de influência e envolvimento com jogos ilegais. Deflagrada na última sexta-feira (13), é uma das maiores operações de combate à corrupção já realizadas no país, por causa do nível das pessoas envolvidas, segundo o diretor de Inteligência da Polícia Federal.

Em nota veiculada à imprensa, Cezar Peluso classificou a quebra de sigilo como "fato dos mais graves e intoleráveis". Ele lembrou que o sigilo é "instrumento mediante o qual se garante inviolabilidade do segredo", e serve à autoridade condutora das investigações, visando a elucidação dos fatos, mas preservando, ao mesmo tempo, a intimidade, vida privada, imagem e honra das pessoas envolvidas na apuração.

?Tais inconfidências, além de serem incompatíveis com os cuidados necessários à condução frutífera das investigações, trazem ainda danos gravíssimos à vida privada dos envolvidos, e sobretudo de terceiros meramente referidos, com seqüelas pessoais gravosas e irremissíveis?, concluiu o ministro Cezar Peluso, segundo nota do STF.

Desde o início da operação, diversas informações foram divulgadas por jornais, rádios e televisões sem qualquer fonte declarada, principalmente dados não confirmados sobre a investigação. Entre eles, o fato de que um juiz preso na operação ter confirmado a venda de sentenças judiciais e a citação de um possível envolvimento da deputada federal Marina Maggessi (PPS-RJ) porque teria recebido doação ilegal de campanha. A parlamentar contestou as acusações.