“Foi um pesadelo esse período no hospital”, contou operadora de caixa Bianca Fonseca, 28 anos, que ingeriu líquido tóxico por engano em um bar de Curitiba. Ela recebeu alta do Hospital Cajuru depois de 14 dias internada, mas, mesmo em casa, os cuidados e riscos continuam. Segundo os médicos, ela corre risco de ter câncer no esôfago.

“Eu saí dia 26 de janeiro e agora estou na dieta líquida para pastosa. Não sinto dor, mas o risco ainda é grande, isso porque no meu esôfago e estômago há muitas feridas. Eu acredito muito em Deus, porque foi um susto muito grande. Eu nasci de novo, mas os médicos me explicaram que tenho 90% de chance de ter câncer no estômago”, contou.

O caso aconteceu no dia 13 de janeiro, em um bar do bairro Boa Vista. De volta ao trabalho, Bianca conversou com a Tribuna e lembrou que foi ao local com dois amigos para tomar tequila, mas o proprietário do local acabou servindo soda cáustica diluída com água. Durante o internamento foram seis dias sem comer e falar direito, por conta dos danos causados no organismo.

“Se tivesse ingerido um pouco mais eu teria morrido. Eu tomei 50 ml, o que já fez um estrago muito grande. Durante seis dias eu não falava direito e tive que me alimentar via nutrição parenteral, por meio de uma artéria. Eu tive muito medo de não ver minha filha de volta”, explicou a jovem, que foi a única dos amigos que ficou internada durante dias.
Apesar dos medicamentos que continua tomando a rotina voltou ao normal. A jovem já está trabalhando e ao lado da filha Helena, de seis anos.

Lesão Corporal

Garrafa de tequila estava junto com produtos de limpeza do bar. Foto: Gerson Klaina.
Garrafa de tequila estava junto com produtos de limpeza do bar. Foto: Gerson Klaina.

As investigações sobre o bar foram finalizadas na sexta-feira (2). De acordo com a delegada Sabrina Alexandrino, da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), foi uma fatalidade. “Ficou claro pra gente que não houve a intenção do dono do bar de prejudicar ou trazer danos aos clientes, mas sim uma imprudência”.

Conforme a delegada, o dono do bar foi indiciado por lesão corporal culposa. “A pena varia de dois meses a dois anos. Ele vai sofrer uma penalidade considerada amena, tendo em vista que ele não tem antecedentes criminais, mas vai responder”, explicou.

A reportagem entrou em contato com estabelecimento, para ouvir o proprietário, mas um funcionário informou que ele está viajando. Segundo Bianca, o dono do estabelecimento não ofereceu nenhum um apoio durante a recuperação.
“Eu vou levar isso comigo o resto da minha vida. Ele chegou a ir ao hospital, mas não deixaram ele entrar. Desde que saí, ninguém me procurou para oferecer ajuda com remédio e outros produtos que preciso neste momento. Ainda penso em entrar na justiça, porque não me senti amparada”, desabafou.

O bar foi desinterditado na última segunda-feira (29). Conforme a Secretária Municipal de Saúde, responsável pelo órgão, o proprietário fez todos os ajustes necessários e exigidos na interdição.