Mucio Ribas, de 53 anos, tinha um cargo bom e atuava há 25 anos na prefeitura de Cerro Azul, Região Metropolitana de Curitiba (RMC), mas pode ter colocado tudo em jogo. Ele foi preso, nesta quinta-feira (14), por uma equipe da Delegacia de Estelionato, suspeito de usar a função que ocupava para falsificar carteiras de identidade para ajudar criminosos com mandados de prisão em aberto a não serem encontrados pela polícia.

As investigações começaram há seis meses, depois que uma avaliação do Instituto de Identificação do Paraná, ao qual Mucio estava emprestado pelo município, descobriu que os dados das pessoas não batiam. “Isso porque todos os documentos que são feitos passam por uma vistoria, é de praxe, e o próprio Instituto descobriu que havia algo errado”, explicou o delegado Emmanoel David.

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Conforme a polícia, na função que ocupava, Mucio era responsável por emitir segunda via de RG, por exemplo, no município de Cerro Azul. “Ele era procurado pelas pessoas que queriam fazer algum tipo de modificação no próprio documento. Aí, por exemplo, se o nome de quem o procurou era João, essa pessoa passava a se chamar José. Em outros casos, alterou data de nascimento ou pequenos detalhes. Essas alterações eram feitas a partir de documentos que as próprias pessoas conseguiam e levavam para que ele tivesse acesso aos dados”, detalhou o delegado.

Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná.
Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná.

A apuração do Instituto descobriu que o homem fraudou mais de 20 carteiras de identidade. “Em pelo menos quatro casos, foragidos o procuraram e pediram mudança no nome. Um desses foragidos, por exemplo, tinha três mandados de prisão expedidos contra si, a maioria por crimes patrimoniais (como roubo e furto), ou seja, chegava o individuo com mandado de prisão usando uma certidão de nascimento de outra pessoa, e ele usava esse documento para mudar os dados desse individuo”, disse Emmanoel David.

À imprensa, o homem disse não cometeu crime e que só fazia o que lhe cabia. “Eu nem tinha acesso a sistema para saber se alguém era foragido ou não. Não cometi crime. Não sei nem o que estou aqui. Eu colocava o que estava na certidão de nascimento no sistema do instituto de identificação, fui treinado para isso. Se era falsa a certidão de nascimento, eu não tinha como saber”, se defendeu Mucio.

Embora o homem negue o crime, o delegado disse que não existem coincidências. “Pelo menos 20 pessoas procuraram aquele posto e todos esses casos com fraudes constatadas, em alguns casos fraudes graves, por envolver indivíduos com diversos mandados de prisão. Estes dados eram alterados afim de beneficiar esses bandidos”, comentou Emmanoel David, reforçando que o preso pode dizer o que quiser. “É um direito dele de alegar o que bem entender, mas que ele estava em conluio com essas pessoas para receber alguma vantagem pecuniária não temos dúvidas”.

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Na casa de Mucio, os policiais ainda encontraram documentos falsos de origem italiana. “Eram vários documentos de identidade italianos, que ele não soube explicar o motivo de estar com essa documentação. Descobrimos que eram falsos”, completou o delegado.

Além de atuar no Instituto de Identificação, Mucio também prestava serviços ao Departamento de Trânsito do Paraná (Detran) e, segundo a polícia, também tinha documentos em casa. “Encontramos alguns documentos do Detran que não poderiam estar na casa dele, que também não soube explicar”.

Documentos apreendidos na casa de Mucio. Foto: Divulgação/Polícia Civil.
Documentos apreendidos na casa de Mucio. Foto: Divulgação/Polícia Civil.

Prisão preventiva

Mucio fica preso por tempo indeterminado, pois a Justiça decretou prisão preventiva. Conforme o delegado, o homem vai responder por falsidade ideológica, falsificação de documento público e até prevaricação. “Porque várias pessoas que o procuraram estavam com mandados de prisão aberto há vários anos e ele deveria ter prendido essas pessoas”, explicou Emmanoel David.

Conforme a Polícia Civil, Mucio não era funcionário da corporação. Ele trabalhava para a prefeitura de Cerro Azul e foi cedido para o Instituto de Identificação para auxiliar a população que precisava fazer a carteira de identidade. “Ele se aproveitava das facilidades do cargo para ter beneficio pessoal e ajudar criminosos”, considerou o delegado.

Investigações continuam

O trabalho da Delegacia de Estelionato continua, pois agora os policiais querem descobrir o que Mucio ganhava em troco das alterações nos documentos. Além disso, todas as pessoas que ficaram constatadas que fizeram fraudes também cometeram crimes. “Em alguns casos, as pessoas buscavam alterar a data ou o ano do nascimento. Vamos chamar todas essas pessoas para sabermos o motivo de alteração de seus dados”, explicou.

Ainda conforme Emmanoel David, quem pediu alteração dos documentos sem que houvesse comprovação da necessidade ou simplesmente para fugir da polícia também vai responder criminalmente. “Por falsificação de documento público, falsidade ideológica e, eventualmente, até por associação criminosa”, concluiu o delegado. O telefone da DE é o (41) 3261-6600.

Foto: Divulgação/Polícia Civil.
Foto: Divulgação/Polícia Civil.

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