O resultado do laudo de necropsia feito no corpo de Alexandra Maria da Silva, de 44 anos, morta na noite de Natal, durante um jantar com amigos, pode mudar toda a linha de apuração sobre o crime. Isso porque Daiana Pereira Barrozo, 33, a mulher que confessou ter matado a amiga, não teria dado um golpe de ‘mata leão’ e sim asfixiado Alexandra de outra forma. Já foi oferecida denúncia contra a mulher que confessou ter matado a amiga e agora o próprio Ministério Público do Paraná (MP-PR) vai ter que ficar responsável pela reviravolta no caso.

Alexandra foi morta dentro da casa de Daiana, no bairro Jardim das Américas, em Curitiba, na madrugada do dia 26 de dezembro. No dia do crime, Daiana contou à polícia que a amiga teria tido um ‘surto psicótico’, partiu para cima dos filhos dela e foi contida por um golpe mata leão, que a matou. Daiana foi presa em flagrante, mas liberada para responder ao processo em liberdade.

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A reportagem da Tribuna do Paraná teve acesso ao laudo de necropsia de Alexandra Maria da Silva, que, diferente do que foi dito por Daiana, revelou que Alexandra foi morta por asfixia indireta. Neste caso, a ciência forense revela que a forma de morte foi por compressão na região do peito. Este tipo de morte é comum em acidentes de trânsito, soterramentos e quedas de objetos de muito peso contra o corpo da vítima.

“Além disso, a vítima foi espancada, pois tinha múltiplas escoriações na região frontal da testa, que ocasionaram edema cerebral, ou seja, pancada. Já no caso da asfixia, quando se fala em asfixia indireta, entendemos que o tórax da vítima foi comprimido por alguns minutos até que ela morresse. Isso tudo, que foi descoberto pelo médico, não tem nada a ver com o que a autora do crime disse”, explicou o advogado Maurício Zampieri, que representa a família de Alexandra.

Para o advogado, além de fazer cair por terra o que foi dito pela autora do crime, o laudo também demonstra a crueldade empregada por quem matou Alexandra. “Ela sofreu, morreu lentamente. Além disso, acreditamos fortemente que ela não agiu sozinha. Uma ou até mesmo mais pessoas se sentaram sobre o corpo de Alexandra, fazendo com que ela sufocasse lentamente enquanto lutava pela vida, isso porque ela era uma pessoa forte e precisaria pelo menos o dobro de peso dela para que morresse por asfixia indireta”, detalhou.

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Foto: Reprodução
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Crime misterioso

A perícia no corpo de Alexandra traz uma reviravolta no caso, mas não só na questão da prática do assassinato em si, mas também pela motivação. Embora Daiana mantenha a versão de que agiu em defesa do filho que teria sido ‘atacado’ por Alexandra, o advogado que representa a família da vítima desconfia da história contada. “Sabemos que a Alexandra tinha certa quantia em dinheiro, aproximadamente R$ 1500, na noite em que morreu. Existem diversas suspeitas, muitas perguntas e ainda poucas respostas”.

Além de suspeitar de que tenha havido algum tipo de discussão por conta do dinheiro que Alexandra tinha, a defesa desconfia também de mensagens que foram enviadas pela própria vítima demonstrando que sabia que alguma coisa poderia acontecer. “Também chegamos a algumas mensagens que foram enviadas pelo filho de Daiana, de 17 anos, que trocou com alguém contando detalhes sobre o crime, ou seja, se torna ainda mais forte a suspeita de que mais gente participou do assassinato”.

Para o advogado, a versão contada por Daiana é fantasiosa. “Para se ter uma ideia, no momento em que a Polícia Militar chegou ao local do crime, ela ainda estava segurando o corpo da vítima como se ainda lhe desse o golpe no pescoço. A mulher já estava morta. Ela só não pensou que o médico legista saberia apontar o que aconteceu e a vítima sofreu muito”.

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Investigação confusa

Depois do crime, Daiana foi levada à Central de Flagrantes, no Portão, onde confessou, contando sua versão, e foi indiciada por homicídio. Acontece que, conforme informou o próprio advogado que representa a família de Alexandra, não foi aberto inquérito policial para apurar o assassinato e sim finalizado ali mesmo, com o encaminhamento da situação à Justiça. “Com isso, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) ofereceu a denúncia e o caso já segue os trâmites comuns, mas sem que houvesse uma investigação detalhada”, explicou Maurício Zampieri.

Como não foi instaurado inquérito, o procedimento vai seguir conforme determina a lei, em audiências de instrução. “E é aí, nessas audiências, que vamos mostrar que o crime não aconteceu como foi contado pela Daiana. Tenho certeza que no curso do processo novos personagens vão aparecer na cena deste crime e o MP-PR, com toda a sua cautela, com toda a prudência que já apresenta nesta investigação, vai analisar com muita calma e critério a possível participação de mais pessoas neste crime brutal”.

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Encerrada a instrução criminal, caberá ao Ministério Público do Paraná denunciar outras pessoas que possivelmente tenham ajudado Daiana a matar Alexandra. “Se o MP se convencer da participação de outras pessoas, cabe ao MP aditar (colocar o nome dessas pessoas) a denuncia, para que respondam junto com a acusada. Vai ser um trabalho muito mais complicado do que se a Polícia Civil tivesse feito, mas o MP sempre é cuidadoso e acreditamos na Justiça”.

A Tribuna do Paraná entrou em contato com a assessoria de imprensa da Polícia Civil, para buscar resposta sobre o trabalho feito pelos policiais da Central de Flagrante no momento da prisão de Daiana Pereira Barrozo. Por mudanças nas equipes das delegacias, a Polícia Civil ainda não retornou, até o fechamento da reportagem.

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