Depois da repercussão que obteve o assalto sofrido por uma enfermeira da Unidade de Saúde Moradias Belém, no bairro Boqueirão, em Curitiba, na última sexta-feira, a prefeitura informou que irá reforçar as patrulhas da Guarda Municipal em todos os postinhos da capital.

Em menos de dois meses, conforme dados do Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba (Sismuc), ocorreram nove ataques às unidades (furtos, assaltos e arrombamentos noturnos). É uma média de 8,3% de unidades sendo atacadas a cada 45 dias. “Se continuarmos nesse ritmo, com quase 10% das unidades sendo alvo de bandidos ‘por mês’, ao final de um ano quase todas terão sido atacadas”, analisa Irene dos Santos, coordenadora geral do Sismuc, que ainda esta semana entrega o cargo à nova diretoria do sindicato.

Conforme a Defesa Social, o prefeito de Curitiba, Rafael Greca, determinou a criação de equipes para proteger melhor estas unidades de saúde das 7h às 19h, horário em que a maioria delas funciona. As equipes da Guarda atuarão regionalmente, a partir dos núcleos da Defesa Social (que se dividem igualmente às regionais da prefeitura). O patrulhamento ostensivo será feito com motos e, quando for o caso de maior quantidade de abordagens ou encaminhamentos à autoridade policial, haverá o reforço do patrulhamento com outras viaturas.

Além do reforço, a Defesa Social garante que o setor de inteligência do órgão está se dedicando ao policiamento velado em horários específicos, para que os funcionários das unidades de saúde sintam-se mais tranquilos. Conforme as necessidades apuradas pela equipe de inteligência, podem ser destacadas mais ou menos viaturas para determinados locais, em determinados horários. O mapeamento do crime nas unidades está começando a ser feito.

Durante à noite, informou a Defesa Social, quem está fazendo a segurança eletrônica das unidades de saúde é uma empresa terceirizada, contratada pela Secretaria Municipal de Saúde, que monitora as unidades por câmeras e faz os devidos acionamentos das autoridades policiais quando detecta alguma invasão ou arrombamento nos equipamentos públicos de saúde.

Desabafo

A enfermeira assaltada postou seu desabafo no Facebook, na noite da última sexta-feira. Em vídeo, ela conta que já tinha sofrido com a ira de um paciente, duas semanas antes,que colocou uma arma na cabeça dela para que conseguisse uma consulta com a médica que ele queria. Por conta disso, Sônia ficou abalada e entrou em tratamento psiquiátrico. Não bastasse isso, na última sexta-feira de manhã, ela e as colegas foram assaltadas por um homem armado com uma faca. Ele levou todos os pertences pessoais de valor das três funcionárias.

Como uma das trabalhadoras estava resistente em entregar o que tinha, o assaltante encostou a faca nela e a ameaçou. Na saída, ainda trancou as três mulheres numa sala. Sônia chamou a atenção do prefeito em seu vídeo, para que melhore a segurança, e ainda escreveu no post: “Talvez estejam esperando morrer um servidor”, disse ela.

Com a repercussão do vídeo. Sônia fez outro post na noite de sábado, mostrando mais um pouco da sua indignação. Contou ainda que trabalha há cerca de 20 anos na mesma unidade de saúde e nada ocorreu neste tempo todo. E foi depois que tiraram os guardas municipais dos postos de saúde, para assumir outras funções na rua, é que os crimes começaram dentro das unidades. Assim, Sônia finaliza o texto pedindo o restabelecimento dos guardas dentro das unidades, como era antes.

A coordenadora do Sismuc, Irene Santos, afirma que a promessa de guardas em todas as unidades vem de muito tempo. “Tem que criar um programa, com um documento formal, descrevendo toda a sistemática, assinado pelas autoridades. Porque prometer eles prometem há tempos. Quero ver se desta vez vão cumprir mesmo”, lamentou Irene, descrevendo ainda outros tantos roubos e arrombamentos que sofreram as unidades de saúde de Curitiba nos últimos meses. Até carro de médica foi roubado, enquanto ela chegava para trabalhar num posto.

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