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Adriano, da Inter de Milão, saiu do Flamengo no meio da competição por uma "ninharia".

Um projeto aprovado na noite de terça-feira no Senado pode "atrapalhar" os planos de muitos cartolas brasileiros, que costumam negociar jogadores de futebol para clubes do exterior, independentemente do atleta estar participando de algum campeonato nacional ou regional. De autoria do senador Rodolfo Tourinho (PFL-BA), o projeto proíbe a venda, empréstimo ou qualquer tipo de cessão a times estrangeiros de jogadores que atuem em clubes brasileiros durante a realização de competições reconhecidas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Depois de passar pelo Senado, para virar lei o projeto precisa ser aprovado também pela Câmara dos Deputados e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, torcedor fanático do Corinthians. Tourinho argumenta que o "êxodo exagerado de jogadores para o exterior tem comprometido sensivelmente a qualidade das competições no Brasil". Ele classificou de "inadmissível" o desmantelamento de equipes inteiras durante o desenrolar do Campeonato Brasileiro. "Isso frustra as torcidas apaixonadas, que são a alma do melhor futebol do mundo".

A idéia do senador também é proteger os clubes brasileiros do assédio de empresários estrangeiros no momento de crise financeira atravessada pelo futebol do País. "A venda indiscriminada de jogadores tende a baixar ainda mais o nível técnico das nossas competições e, mais cedo ou mais tarde, vamos acabar pagando algum preço por isso", disse, assinalando que a conseqüência mais imediata pode ser a fuga de patrocinadores, que não vão querer investir num produto de baixa qualidade.

Conforme Tourinho, sua iniciativa não veta totalmente os clubes de negociarem jogadores, mas impedirá que dirigentes negociem os atletas de forma precipitada, realizando maus negócios. Citou o exemplo do atacante Adriano, vendido pelo Flamengo para o exterior praticamente de graça. "Hoje ele é um dos jogadores mais valorizados do mundo", lembrou.