O senador Aécio Neves (PSDB-MG), candidato derrotado a presidente da República em 2014, virou réu no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (17), acusado dos crimes de corrupção passiva e ativa, e obstrução de Justiça, apontados pela Operação Patmos. A ação penal foi aberta por decisão da Primeira Turma da Corte, que aceitou a denúncia da Procuradoria-Geral da República. O colegiado também tornou réus na mesma ação penal, mas por corrupção passiva, a irmã do tucano, Andrea Neves, o primo dele, Frederico Pacheco, e o ex-assessor parlamentar Mendherson Souza Lima.

A denúncia foi feita ainda na gestão de Rodrigo Janot na PGR, em junho de 2017. O senador foi flagrado em uma ação controlada do Ministério Público Federal e da Polícia Federal pedindo R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, dono da J&F, controladora do frigorífico JBS. A conversa, ocorrida em março daquele ano, foi gravada. Andrea teria feito o primeiro contato com Joesley para pedir o dinheiro.

A propina, segundo a denúncia, foi entregue em quatro parcelas de R$ 500 mil a Frederico Pacheco – um desses encontros foi gravado em vídeo pela PF. Em uma das entregas, Mendherson estava presente. O dinheiro foi pago pelo diretor de Relações Institucionais da J&F, Ricardo Saud, um dos sete executivos do grupo que fecharam acordo de colaboração premiada.

“Ardilosa armação”

Em nota divulgada na tarde desta terça-feira, o senador Aécio Neves afirmou que está sendo acusado com base em “uma ardilosa armação de criminosos confessos, aliados a membros do Ministério Público, que construíram um enredo para aparentar que cometi alguma ilegalidade”, diz o político, que ainda afirma que não cometeu crime algum.

Leia a nota na íntegra:

“Recebo com serenidade a decisão da 1ª Turma do STF, confiante de que, agora, haja espaço para a apresentação e avaliação das provas da defesa.

Estou sendo acusado tendo como base uma ardilosa armação de criminosos confessos, aliados a membros do Ministério Público, que construíram um enredo para aparentar que cometi alguma ilegalidade. Não cometi crime algum.

Minha prioridade será apresentar à Justiça todos os fatos que demonstram a absoluta correção dos meus atos e de meus familiares. Não tenho dúvida de que isso será demonstrado. A verdade há de prevalecer.

Não posso deixar de alertar que as denúncias que hoje a mim fazem foram construídas sobre sucessivas ilegalidades. É preciso que a Justiça reconheça em definitivo que não se pode considerar válidas denúncias originadas de um flagrante armado com o intuito de gerar impressão de crime, já que não há qualquer prova de que crime houve.

É preciso ainda esclarecer que a atividade parlamentar não pode ser criminalizada por aqueles que não concordam com opiniões e propostas apresentadas por deputados e senadores. E isso não em meu benefício, e sim em respeito à lei, à democracia.

Não esmorecerei enquanto não provar minha inocência. Vou fazê-lo em respeito à minha vida pública, à minha família e aos milhares de brasileiros, e especialmente mineiros, que confiaram em mim durante 32 anos de mandatos consecutivos.”

Aécio Neves
Brasília, 17 de abril de 2018.

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