O secretário de Segurança Pública Luiz Fernando Delazari atendeu convocação da Comissão de Direitos Humanos e compareceu ontem de manhã ao plenarinho da Assembléia Legislativa para prestar informações sobre o sistema carcerário estadual. Concordou que a superlotação é o problema mais grave, anunciou que até o fim do ano serão abertas 4.360 novas vagas em casas de custódia para desafogar as delegacias e que até o final da atual gestão a previsão é de 7 mil novas vagas. Sobre a alimentação fornecida aos detentos, explicou que o governo destina R$ 7 per capita em Curitiba e R$ 2 no interior. Delazari abordou também a prisão de menores em situação inadequada.

O presidente da comissão, deputado José Domingos Scarpelini (PSB) considerou a audiência proveitosa porque levantou o debate sobre os problemas, mas estranhou que o secretário repasse R$ 7,00 /dia para alimentação dos presos da capital e apenas R$ 2,00 para o interior. " É como se os presos da capital comessem duas quentinhas de R$ 3,5 e os do interior duas friinhas de um real cada", criticou.

Scarpellini contestou a transferência da responsabilidade pela superlotação para o Ministério Público e à Justiça. E foi informado pelo secretário que em 30 dias deverão estar disponíveis celas modulares Shelter, os chamados "contêineres", com capacidade para 12 presos, para resolver temporariamente o caso.

Participando da audiência como convidado, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Cleverson Teixeira, destacou que o sistema carcerário é perverso e não ressocializa ninguém: "Estamos criando homens -bombas".

Ao fim da reunião ficou definida a criação de uma comissão paritária com membros dos três poderes e da sociedade civil para uma visita à delegacia de Paranaguá na semana que vem. Deverão participar os secretários de Segurança e da Justiça, o corregedor de Justiça, deputados estaduais e federais, e representantes da OAB e da sociedade civil organizada.