Ao que tudo indica, os recorrentes escândalos envolvendo ministros, organizações não governamentais (ONGs) e o uso de dinheiro público sem uma adequada prestação de contas vão derrubar mais um integrante do governo Dilma Roussef, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT). Apesar de demonstrar uma inabalável confiança na permanência no cargo ao longo da semana que passou, novas denúncias trazidas pela revista Veja contrariam as declarações prestadas pelo ministro na audiência realizada na terça-feira passada na Câmara dos Deputados.

No depoimento, Lupí afirmou que não conhecia o presidente da Fundação Pró-Cerrado, Adair Meira, porém, foram encontradas provas de que o ministro viajou no jatinho de Meira em 2010.

Para o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR), que participou da audiência realizada com Lupi, a situação ficou insustentável. “Ele mentiu ao me responder sobre Adair Meira e sua ONG do Jatinho. Ou ele pede para sair ou pedimos a demissão dele já na segunda-feira”, afirmou.

Além dessa ação, Francischini conta que o PSDB vai pedir a quebra de sigilo bancário da ONG. “Contando com Lupi já são três ministros envolvidos em esquemas de desvios de dinheiro público utilizando ONGs, porém, ainda não vimos onde foi parar esse dinheiro, por isso precisamos quebrar o sigilo bancário dessas instituições”, avalia.

Segundo ele, o escândalo da falta de uma prestação de contas adequadas no Ministério Público é o que levou o Tribunal de Contas da União a suspender os convênios. No caso da Fundação Pró-Cerrado, depois do ministério dispor de R$ 5 milhões para a ONG, em 2009, foram destinados mais R$ 4 milhões em 2010. Os recursos de 2010 foram liberados sem a Fundação apresentar o relatório da aplicação do montante recebido em 2009. “É uma completa sangria aos cofres públicos. Precisamos de um choque de moralidade”, defende Francischini.

O deputado disse ainda que apresentará um requerimento de audiência pública para que prestem esclarecimentos ao Congresso todos os nomes relacionados à Lupi, como Adair Meira.