O bruxo Chik Jeitoso – nome artístico de Luiz Antonio Pereira Ferreira – e o advogado e ex-secretário municipal de Trânsito Marcelo Araújo teriam tentado extorquir R$ 10 milhões do ex-prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), que deixou a chefia do município no último domingo (1º). O dinheiro teria sido pedido a um advogado do político, em razão de uma macumba que o acusado teria feito para que Fruet vencesse a eleição de 2012. As informações constam na denúncia encaminhada pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) à Justiça.

Os R$ 10 milhões teriam sido cobrados por Araújo por mensagens enviadas pelo WhatsApp ao advogado Luiz Fernando Pereira, que representa Fruet. Na conversa transcrita na denúncia do MP-PR, Araújo diz que o bruxo aceitaria o pagamento – uma “composição amigável” –, ainda que recebesse o dinheiro de forma parcelada. O advogado do então prefeito de Curitiba parece se surpreender com o pedido de dinheiro.

“Você está falando sério? Acha mesmo que o Gustavo [Fruet] deve R$ 10 milhões por uma macumba para ganhar a eleição”, respondeu Pereira na ocasião. Em seguida, o advogado classificou a cobrança de “uma loucura”.

O advogado de Fruet confirmou que foi abordado tanto por Chik Jeitoso quanto por Araújo. Entretanto, Pereira afirma que sempre reagiu em tom de galhofa às cobranças.

“Eu nunca levei a sério, tamanho o absurdo. Sempre considerei isso uma piada. Era tão absurdo que o Fruet devesse R$ 10 milhões em macumba ao bruxo, que nem levei isso a sério. Eu sequer repassei isso ao Gustavo [Fruet]. A campanha dele custou 20% desse valor”, disse Pereira. “Se estavam tentando armar uma extorsão, eu nunca levei isso a sério”, completou.

O processo segue sob sigilo judicial. Chik Jeitoso e Araújo estão presos preventivamente, acusados de associação criminosa e de extorsão. Uma terceira pessoa também é acusada de fazer parte do esquema. Segundo a denúncia, eles também teriam extorquido o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, e o empresário Wilson Picler.

Outro lado

O advogado do bruxo Chik Jeitoso, Ygor Salmen, afirmou que já analisou a denúncia proposta pelo Ministério Público e que não viu elementos que comprovem que houve extorsão. “Se for analisado com cautela, todo conteúdo deixa muita dúvida em relação a existência de crime”, explicou.

O advogado Gustavo Sartor, que defende o ex-secretário Municipal de Trânsito, afirmou que não pode comentar o caso em razão do sigilo decretado no processo.