O governador Beto Richa (PSDB) declarou, num evento com prefeitos, na manhã de ontem, que a greve dos professores acabou porque o governo do Paraná divulgou seus salários. Em maio, durante a greve, o governo facilitou o acesso no Portal da Transparência pros salários da categoria. A lista continha graves omissões, ao não detalhar a natureza dos vencimentos. A Justiça determinou a correção das falhas.

“O fim da greve começou na hora que mostramos os salários dos professores. Muitas pessoas estavam solidárias achando que era um salário de fome. Na hora que viram que em 111 municípios o maior salário é do professor, a greve começou a perder força”, disse.

A divulgação dos vencimentos dos professores feita pelo governo ignora algumas premissas básicas da transparência. Não há um histórico disponível, ou seja, é possível saber apenas o quanto o professor ganhou no último mês. Não há, também, uma separação dos itens – o que é salário, o que é gratificação, o que é verba indenizatória. Ou seja, se um professor que ganha R$ 2 mil recebe, em um mês, R$ 5 mil referentes a salários atrasados, consta no site apenas que ele recebeu R$ 7 mil.

Além disso, a informação de que em 111 municípios o professor tem o maior salário do serviço público é falsa. Em 17 de junho, a Agência Estadual de Notícias divulgou que, nesses municípios, o salário dos professores era maior do que o dos prefeitos. A notícia foi retirada do ar por decisão judicial. Sete municípios foram destacados. Um levantamento do site Livre.jor, especializado em transparência, mostrou que 99% dos professores desses municípios ganhavam menos que o prefeito.

Hermes Leão, presidente da APP-Sindicato, considerou as declarações graves. “Estamos em um clima de intranquilidade neste pós-greve, muito em parte por causa do comportamento do governador”, disse. Ele considerou o formato da divulgação “distorcido e criminoso”, mas ressaltou não ser contra a divulgação de salários.

Culpa deles

Beto Richa também atribuiu à APP-Sindicato e os professores a queda da nota do estado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgada no ano passado. “Em Curitiba, quando era prefeito, dei 70% de aumento aos professores. E, lá, atingimos o maior Ideb do Brasil. Aqui, não conseguimos, porque na pauta dos sindicatos, nunca consta a qualidade do ensino. É só salário, gratificação e hora-atividade”.

“A APP faz uma luta de décadas por uma escola pública de qualidade”, diz Leão, que cita como um dos exemplos a luta contra a evasão escolar no ensino médio. “O governador esteve conosco nas eleições, assim como os outros candidatos, e assinou uma carta compromisso com nossa pauta para desenvolver o ensino”, afirma.