Com uma alta taxa de homicídios, Sarandi é a segunda cidade mais violenta do Paraná, segundo o Atlas da Violência de 2026. O município, que fica na região norte do estado, registrou uma taxa de 35,8 assassinatos a cada 100 mil habitantes. A Secretaria do Estado de Segurança Pública (Sesp), por outro lado, afirma que houve uma queda de 62% nos homicídios, totalizando apenas 10 em 2025 e caindo ano a ano.  

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Conforme a Sesp, os dados divulgados avaliam a realidade criminal a partir de registros policiais, investigação, perícia e consolidação operacional das forças de segurança do estado. Já o Atlas da Violência, por sua vez, utiliza os números do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), ambos do Ministério da Saúde. Com dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é feito o cálculo de homicídios por 100 mil habitantes.

“As forças de segurança têm reforçado as ações de patrulhamento ostensivo e investigação, de forma integrada e inteligente em Sarandi e em toda a região, o que tem garantido a redução contínua da criminalidade”, declara a Sesp, em nota.

Violência em Sarandi

Sarandi é vizinha de Maringá e tem cerca de 128,11 mil habitantes, conforme estimativa do IBGE para 2025. A cidade vem aparecendo mais nos noticiários devido ao registro de mortes violentas.

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O advogado e professor de direito, Marco Alexandre de Souza-Serra, afirma que é difícil generalizar toda uma região, mas que Sarandi realmente tende a ser uma cidade com maiores pontos de crimes violentos. “Há casos que acompanhei que são reveladores, talvez, de uma violência gratuita e injustificável, que está presente na cidade, apesar de não ser algo exclusivo”, detalha o professor.

Em julho, um adolescente foi assassinado na casa da namorada. A Polícia Civil (PCPR) prendeu o atirador e descobriu que o crime aconteceu devido a uma dívida de R$ 50. No mês anterior, uma discussão familiar também resultou na morte de um homem de 35 anos.

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Em maio, aconteceu uma chacina em um bar do município, com três vítimas. A investigação apurou que o crime foi motivado por uma disputa territorial do tráfico, mas o atirador confundiu os “alvos”. Já em abril, um homem ameaçou a namorada com um machado, mas foi preso em uma ação da Guarda Municipal.

O professor Souza-Serra destaca que, proporcionalmente, há mais agentes de segurança pública em Maringá, que é uma cidade polo, do que em Sarandi. Além disso, o município ainda tem uma questão de desigualdades.

“Em função da pobreza, das desigualdades e talvez com criminalidade bem eficiente, as organizações criminosas acabam se concentrando ali”, ressalta Souza-Serra.

Atlas da Violência

Segundo os números do Atlas da Violência, referentes à 2024, foram registrados, ao todo, 45 homicídios em Sarandi. No levantamento anterior, de 2024, com números de 2022, houve 35 mortes. Já no Atlas de 2023, foram 27 mortes – indicando um acréscimo a cada nova pesquisa.

O índice ficou, inclusive, acima das médias do estado e do país. No Paraná, a taxa de homicídios é de 18,6 mortes a cada 100 mil habitantes. No Brasil, por sua vez, a taxa ficou em 20,1 homicídios para cada 100 mil habitantes, totalizando 42,59 mil mortes.

Assim, considerando o número de homicídios, Sarandi é a segunda cidade mais violenta do estado. Atrás apenas de Paranaguá, com taxa de 50,7 assassinatos a cada 100 mil habitantes.

O Atlas da Violência é realizado anualmente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em conjunto com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Mais dados de violência em Sarandi

No primeiro semestre de 2026, a Guarda Municipal de Sarandi atendeu 2,4 mil ocorrências. Ao todo, 185 pessoas foram presas, 34 mandados de prisão foram cumpridos e houve 49 ações relacionadas à violência doméstica. Além disso, a Guarda Municipal também recuperou 23 veículos e apreendeu 3 armas de fogo.

O mês com o maior número de pessoas presas foi em janeiro, com 54. Já as ações da Maria da Penha foram maioria em abril, com 13 ocorrências.

Em 2025 a Guarda Municipal atendeu 5,1 mil ocorrências, com 385 pessoas detidas e 75 mandados de prisão. No ano, as equipes apreenderam 12 armas de fogo.

A fiscalização da Lei Maria da Penha atendeu 1,6 mil chamados. Foram emitidas 195 medidas protetivas e 77 pessoas foram presas acusadas de violência doméstica.

Em fevereiro deste ano, Sarandi abriu uma delegacia da mulher. A violência doméstica é um dos crimes com índices expressivos em todo o país.

“Eu espero que a nova delegacia cumpra com esse papel de reduzir esse tipo de criminalidade. Mas não vai, por outro lado, produzir um impacto na produção de mortes em série em função da disputa territorial do tráfico de drogas”, confirma o professor Souza-Serra, que ainda destaca que o tráfico parece ser um dos principais problemas da cidade.