Turismo

Mais de 700 mil paranaenses buscam orientação de saúde antes de viajar

Fotografia em enquadramento amplo com plano geral do saguão de um aeroporto, destacando o acesso à área de embarque. Na parte superior, sobressai um grande painel digital azul com texto promocional em branco e rosa: "Clientes LATAM Pass têm Wi-Fi gratuito a bordo". Logo abaixo, uma faixa amarela horizontal exibe a sinalização em letras azuis e pretas: "Embarque doméstico | Domestic departures", acompanhada pelo ícone de um avião decolando. Em primeiro plano, no canto inferior direito, um homem vestindo camiseta escura, calça jeans e mochila nas costas caminha de costas em direção ao portão de acesso, sobre o piso claro e polido marcado por faixas amarelas no chão. No plano intermediário e ao fundo, observam-se tótens de atendimento, balcões de controle, passageiros circulando e lojas comerciais do terminal sob iluminação artificial interna.
Paraná oferta serviço de apoio gratuito e online. Foto: Rodrigo Zanotto.

Comprar passagens, reservar hospedagem e montar o roteiro dos sonhos costumam ser as primeiras tarefas de quem planeja uma viagem para o exterior. Mas existe outro item essencial na bagagem: as exigências de saúde de cada país. Em 2025, 1.064.416 turistas internacionais visitaram o Paraná, segundo dados da Embratur e Ministério do Turismo.

No Brasil, o Paraná é o quarto estado que mais recebeu turistas estrangeiros do país. Assim como em todo o território nacional, o Paraná não possui nenhum requisito de saúde obrigatório para a entrada de estrangeiros no país. Para os paranaenses que vão ao estrangeiro, no entanto, os destinos internacionais podem exigir reforço na vacinação ou imunizações específicas.

Apesar da legislação nacional não prever a obrigatoriedade da oferta de um serviço de saúde voltado a esse objetivo, Paraná, Santa Catarina, no Sul e São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo ofertam o serviço. No nosso Estado, existe um um serviço específico para este fim vinculado diretamente à secretaria de saúde.

Para orientar sobre o assunto, o Governo do Paraná oferece o Portal Saúde do Viajante, uma plataforma oficial com atendimento via chat com especialistas da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa-PR). O serviço é digital e gratuito.

Desde 2019, o portal registra uma média de 700 mil acessos por ano. O secretário de Estado da Saúde, César Neves, explica que a plataforma foi desenvolvida de forma acessível para garantir que qualquer pessoa compreenda as orientações. “Estar atento aos riscos, se manter informado sobre o que é preciso para entrar em um país estrangeiro e ter informações personalizadas sobre vacinas é fundamental para a prevenção”, ressalta.

Além de reunir orientações preventivas sobre vacinação recomendada e obrigatória de acordo com o destino, o sistema conta com a Teleorientação ao Viajante. O atendimento é feito por especialistas do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS), de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h.

Pelo chat, o cidadão tira dúvidas personalizadas sobre a situação sanitária do local para onde vai e recebe auxílio para emitir o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP).

Organização por conta própria

Para quem costuma viajar por conta própria ou por agências, a preparação varia. A designer gráfico Vivian Padilha viajou em Toronto, no Canadá, e em Nova Iorque, nos Estados Unidos, para turismo. Ela conta que já conhecia as regras sanitárias dos locais, que eram poucas, e viajou com a carteira de vacinação em dia.

A preocupação principal foi com a continuidade de tratamentos de rotina. “Minhas vacinas contra Covid-19 e febre amarela estavam em dia. O cuidado principal foi separar o meu remédio de uso contínuo com a receita médica atualizada”, relata.

No caso de viagens para destinos da América do Sul, como o Peru ou a Bolívia, o planejamento exige atenção dobrada com os efeitos da altitude e exigências específicas. O publicitário Leonardo Ramos Moreno Gonsalves viajou para o Peru no início de 2026 e contou com o suporte da agência de viagens contratada para organizar a farmácia de viagem.

“Recebemos a orientação de levar os remédios de casa e providenciar receitas atualizadas. Na região montanhosa, para encarar a altitude, os guias locais nos ofereciam óleos essenciais, balas e chás de folha de coca, que ajudavam bastante com o enjoo”, lembra.

Leonardo, que também sofreu uma lesão muscular na coxa pouco antes de embarcar, alerta que a preparação física e o planejamento antecipado são cruciais. “Não é só fazer a mala. É uma aventura em um terreno onde o nosso corpo não está acostumado. Além das vacinas e remédios, é essencial manter o condicionamento físico.”

Viagens independentes e destinos sem exigências

A relações públicas Anne Porto Ramin viajou também em 2026 para a Itália e utilizou a internet para conferir as regras de entrada no continente europeu. “Durante o planejamento, pesquisei as exigências pelo site oficial do governo. Como a Itália não exige vacinas específicas além do esquema vacinal comum, não precisei tomar nenhuma dose extra. Levei remédios de uso contínuo e preventivos, tudo com receita, e conferi a cobertura do seguro-viagem”, conta Anne.

Já a servidora pública Claudia Afanio gosta de organizar tudo de forma independente e prioriza o seguro e a imunização. “Antes de ir ao Peru, minha preocupação foi garantir o seguro e confirmar a vacina contra a febre amarela. Fiz o certificado internacional pelo site da Anvisa. No Peru, não precisei comprar remédios para altitude porque tomei bastante chá de coca. Hoje, a altitude sempre entra no meu checklist”, diz Claudia, que conheceu o portal da Sesa recentemente.

Viagens de aventura e cicloturismo

O servidor público Vilmar Chequeleiro, de 57 anos, é cicloviajante experiente. Ele já percorreu mais de 850 quilômetros pedalando pelo Caminho de Santiago, na Espanha, e fez trajetos entre a Argentina, o Uruguai e o Brasil. Por organizar rotas complexas sobre duas rodas, ele insere os cuidados de saúde no topo da planilha muitos meses antes de embarcar.

“A saúde faz parte do meu planejamento desde o primeiro momento, geralmente seis meses antes da viagem. Verifico condições do tempo, seguro-saúde, equipamentos, remédios para alergia e itens para primeiros socorros. Para quem viaja de bicicleta, o corpo fica muito exposto”, explica Vilmar.

Apesar de ser bastante organizado com as vacinas e com o Certificado Internacional de Vacinação, Vilmar avalia que ferramentas como a da Sesa são essenciais para auxiliar os viajantes.

“É uma ferramenta excelente para quem organiza a viagem por conta própria. A saúde do viajante precisa entrar no planejamento desde o primeiro momento. Não é só tomar uma vacina na véspera; é entender o destino e estar preparado para imprevistos”, conclui.

Serviço

Saúde do Viajante
Disponível pela internet no site saudedoviajante.pr.gov.br
Teleorientação ao Viajante (Chat): Atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h, diretamente pelo portal.

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