O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MPPR), deflagrou nesta sexta-feira (11) uma operação para apurar crimes de exploração sexual, importunação sexual e produção e armazenamento de conteúdo de violência sexual envolvendo crianças e adolescentes em Xambrê, no Noroeste do estado.

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A ação, em parceria com a Polícia Civil (PC), cumpriu três mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva contra o presidente interino da Câmara Municipal de Xambrê, Edinalvo Lima Venturi (MDB), e o secretário municipal de Cultura, Pedro Henrique da Silva Mota. Eles foram presos em suas residências, e o secretário foi exonerado em portaria publicada pela Prefeitura nesta sexta-feira. Venturi preside a Câmara no lugar do vereador Ademir Leite da Silva (PL), que fugiu após descumprir medida protetiva contra a ex-mulher.

As investigações da Operação Gomorra apontam, segundo o MPPR, a participação de ocupantes de cargos públicos em crimes contra pelo menos 16 vítimas com idades entre 13 e 17 anos. As apurações decorrem de evidências encontradas em material apreendido durante outra operação — no que é chamado de encontro fortuito ou serendipidade (a descoberta acidental de prova sobre um delito diferente do que estava sendo investigado originalmente). Deflagrada em março deste ano, a ação anterior apurava fraude em licitações, peculato e organização criminosa no município.

À RPC TV, o delegado do Gaeco de Umuarama, Mateus Prado Rodrigues, afirmou que os dois suspeitos presos conheciam as vítimas pessoalmente e trocavam mensagens oferecendo dinheiro, cargos em órgãos públicos e presentes em troca de relações sexuais e envio de fotos e vídeos íntimos. De acordo com a investigação, os abusos ocorriam há cerca de quatro anos sem o conhecimento dos pais. Os suspeitos agiam separadamente, mas compartilhavam informações e conteúdos das vítimas entre si.

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“Ficou evidenciado que um desses investigados se valia da sua atividade funcional exercida junto à Secretaria do Município. Ele também exercia atividades eclesiásticas na sua instituição religiosa e se valia disso para se aproximar de adolescentes daquela localidade”, afirmou o delegado.

Durante o cumprimento dos mandados de busca, uma terceira pessoa foi presa em flagrante por posse ilegal de munições. Os documentos, anotações e celulares apreendidos serão periciados e analisados no curso das investigações.

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A Tribuna do Paraná tenta contato com a Câmara Municipal e a Prefeitura de Xambrê, além das defesas de Edinalvo Lima Venturi e Pedro Henrique da Silva Mota. O espaço segue aberto para manifestações.