Você já se perguntou para onde vai tudo aquilo que desaparece depois da descarga? No Paraná, a Sanepar mantém um sistema com mais de 43 mil quilômetros de redes coletoras de esgoto, atendendo cerca de 3,5 milhões de conexões em cidades paranaenses. São 269 estações de tratamento funcionando sem parar.
Mas esse sistema enfrenta um inimigo diário: o descarte incorreto. As redes foram projetadas apenas para receber o esgoto doméstico – aquele que vem dos banheiros, pias de cozinha e tanques. Tudo o que foge disso pode virar um grande problema.
Lixo, restos de comida, cabelo, fraldas, absorventes, preservativos, óleo de cozinha, entulhos, plásticos, madeiras, panos e roupas são vilões que não deveriam encontrar caminho pelos canos.
Esses descartes irregulares causam entupimentos, rompimentos e o temido refluxo do esgoto para dentro das casas. Além disso, provocam extravasamentos nas ruas e nos poços de visita, aqueles tampões de ferro nas calçadas. O resultado? Prejuízo e transtornos para todos, sem contar os danos ambientais.
Vale lembrar que toda água alterada pelo uso doméstico é considerada esgoto. Já os efluentes não domésticos, como os produzidos por indústrias e comércios, exigem pré-tratamento e destinação especial conforme orientações da Sanepar.
Raphael Tadashi Diniz, gerente da Estação de Tratamento de Esgoto Belém, a maior da Sanepar em Curitiba, explica que o sistema foi projetado exclusivamente para tratar esgoto doméstico: água do banho, das descargas, das pias, dos ralos e das máquinas de lavar. “Tudo o que vem fora do que é lançado ali prejudica o tratamento, quebra equipamentos, causa entupimento e até refluxo. O tratamento do esgoto vem desde a casa das pessoas até a estação”, afirma.
O que não pode ser descartado no esgoto
Óleo de cozinha: ele forma uma crosta que entope a tubulação e não deve ser descartado na rede coletora. O óleo deve ser destinado para instituições de reciclagem, que podem transformá-lo em biocombustível, sabão e detergente, por exemplo. Além disso, cada imóvel deve ter a sua caixa de gordura e é necessário fazer a manutenção e a limpeza periódicas.
Água da chuva: a galeria de água pluvial é a rede própria para canalização da água da chuva. Ligações irregulares dessa água no esgoto aumentam o volume na rede, causando sobrecarga, extravasamentos e refluxo dentro dos imóveis. Descartar água da chuva no esgoto ou lançar esgoto na galeria pluvial é crime ambiental, passível de autuação pela Vigilância Sanitária e de multa.
Confira outras orientações sobre o esgoto no Guia do Cliente Sanepar.



