Infraestrutura

Rodovia das Cataratas: duplicação melhora o trânsito, mas esquece dos pedestres

Rodovia das Cataratas: trecho liberado tem 6,8 km de extensão. Foto: Ari Dias/AEN
Rodovia das Cataratas: trecho liberado tem 6,8 km de extensão. Foto: Ari Dias/AEN


A primeira etapa da duplicação da BR-469, principal acesso ao Parque Nacional do Iguaçu e ao Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, já está concluída e liberada ao tráfego em Foz do Iguaçu. O trecho, com 6,8 quilômetros entre a Perimetral Leste e o acesso ao aeroporto, trouxe alívio ao intenso fluxo de veículos e representa um avanço importante para o turismo local. No entanto, a entrega parcial da obra também evidenciou problemas estruturais que impactam diretamente a população: a ausência de passarelas e de espaços adequados para instalação de pontos de ônibus.

Com a duplicação, motoristas já percebem melhora na fluidez do trânsito na chamada Rodovia das Cataratas, especialmente em horários de maior movimento e em dias de maior fluxo ao Aeroporto, Aquafoz, Parque Nacional e outros importantes atrativos e dezenas de hotéis que ficam localizados às margens da rodovia. Apesar disso, o trecho ainda apresenta gargalos operacionais, como intervenções em andamento sob viadutos e nas alças de acesso, que provocam mudanças repentinas no fluxo e exigem atenção redobrada dos condutores.

Se para quem está de carro o cenário é de melhora, para pedestres e usuários do transporte coletivo a realidade é oposta. Sem passarelas ao longo do trecho liberado — nem previstas para o percurso restante —, moradores são obrigados a atravessar a rodovia em meio a veículos em alta velocidade. Em diversos pontos, a travessia ocorre de forma improvisada, com pessoas pulando muretas ou buscando brechas no tráfego, o que aumenta significativamente o risco de acidentes.

A situação se agrava com a ausência de estrutura para o transporte público. Não foram previstos no projeto espaços adequados para pontos de ônibus ao longo de toda a rodovia, o que obriga passageiros a aguardarem às margens da estrada, muitas vezes sem qualquer proteção. O embarque e desembarque também ocorrem de forma improvisada, diretamente na pista ou em acostamentos inadequados, comprometendo a segurança e a mobilidade urbana.

Projeto não prevê construção de passarelas

A obra de duplicação da BR-469 é financiada com recursos da Itaipu Binacional, em parceria com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e o Governo do Paraná, com execução e fiscalização do DER/PR. O projeto já atingiu 85% de execução e tem previsão de conclusão para julho de 2026.

Considerada estratégica, a duplicação contempla 8,7 quilômetros de extensão, incluindo vias marginais, ciclovias, quatro viadutos, uma ponte, além de sistemas de drenagem, iluminação e sinalização.

Apesar do avanço físico da obra, especialistas em mobilidade urbana apontam que projetos dessa magnitude precisam contemplar todos os modais de deslocamento, incluindo pedestres e usuários do transporte coletivo — o que, até o momento, não foi plenamente atendido.

Em nota, o DER/PR informou que o projeto original, elaborado pelo DNIT, não prevê a construção de passarelas. O órgão estadual afirma que já encaminhou ofícios ao governo federal relatando as demandas da população. Como se trata de uma rodovia federal, cabe ao DNIT a elaboração de novos projetos para inclusão dessas estruturas, mas não há prazo definido para isso.

Enquanto a obra avança para a fase final, moradores e comerciantes seguem cobrando soluções urgentes. A duplicação da BR-469 melhora o acesso a um dos principais destinos turísticos do país, mas, sem infraestrutura básica para pedestres e usuários de ônibus, o avanço viário convive com riscos diários para quem vive e circula pela região.

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