A proposta de aumento em 25% da tarifa de importação anunciada na última semana pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode afetar em quase 80% as importações industriais do Paraná. O alerta foi dado pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), pressionada pela possibilidade de aprovação da nova tarifa a partir do dia 15 de julho.
A Fiep está mobilizada para tentar barrar essa tarifa antes do prazo final e já protocolou um documento de defesa junto ao órgão de comércio dos Estados Unidos. Para tratar desta questão, a Fiep chegou a contratar um escritório de advocacia, especializado no tema de comércio internacional e com sedes no Brasil e nos EUA.
Além disso, a Federação também confirmou a participação em uma audiência pública do órgão em Washington para tentar retirar os produtos paranaenses da lista de taxação. A sessão deverá ocorrer nos próximos dias 6 e 7 de julho.
Além da preocupação nacional, a Fiep também indica que a taxação também pode provocar efeitos no mercado norte-americano, sobre suas cadeias produtivas e preço. Afinal, certos produtos paranaenses são essenciais para a indústria e para os consumidores.
O governo brasileiro também contestou formalmente a medida das tarifas. Mas, caso entrem em vigor, as taxas irão afetar setores estratégicos para o Paraná, como produtos de madeiras, revestimentos cerâmicos, papel, café instantâneo, mel, filés de tilápia e couro bovino, tirando a competitividade de venda para os Estados Unidos. Também são enviados para o país enzimas, resinas, dextrinas e equipamentos ortopédicos.
Exportações para os EUA em 2025
Em 2025, as exportações do Paraná com destino aos EUA somaram US$ 1,2 bilhão. O país foi terceiro principal recebedor dos produtos fabricados no estado, atrás apenas de China (US$ 5,32 bi) e Argentina (US$ 1,83 bi). Os números são do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).
Mesmo com alguns produtos taxados, Curitiba conseguiu aumentar suas exportações em 18%, segundo levantamento da Secretaria de Planejamento, Finanças e Orçamento com base nos dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDCI).
De acordo com os números, houve uma queda nas vendas para o mercado norte-americanos, mas as exportadoras conseguiram aumentar as vendas para outros mercados. A madeira trabalhada foi o único item que apresentou aumento nas exportações curitibanas entre 2024 e 2025, totalizando US$ 11 milhões.
